Urbino Rebelo

 O "senhor Madeira Palácio"


Urbino Rebelo faz a sua carreira em paralelo com a solidificação do Madeira Palácio. Entra no cinco estrelas ainda chamado Madeira Hilton e hoje é o director-geral da unidade que acaba de passar por um rejuvenescimento que ainda traz mais classe ao empreendimento e orgulho a quem o dirige e lá trabalha.

por: Paulo Camacho

Faz a instrução primária na escola particular da D. Egídia e da D. Maria do Monte. Ali fica até à 4.ª classe (hoje 4.º ano de escolaridade).
O 1.º ano (actual 5.º) é feito no Liceu de Jaime Moniz (hoje Escola Secundária de Jaime Moniz). Os tempos que passa a jogar futebol fazem com que tropece e fique mais uma época no mesmo ano.
Tem o primeiro contacto com a Mocidade Portuguesa, hoje extinta. Tem como primeiro comandante de Castelo Alberto João Jardim.
Órfão de pai, a mãe tenta convencê-lo a ir para o seminário. A ideia de ser padre estava completamente posta de parte, mas o ensino escolar poderia ser ponderado.

Não ao seminário

Urbino Rebelo tem como padrinho de crisma o Dr. Jorge Figueira da Silva, que esteve vários anos no seminário e que é também seu vizinho. É ele que fala à mãe das virtudes do ensino naquela instituição católica, que poderia ter continuidade nas escolas públicas.
Urbino Rebelo está quase tentado a seguir o percurso. Mas dá-se o caso de passar pela Madeira um primo, que é director de um colégio de jesuítas em Braga. Num dia só, quase o tenta convencer a seguir a vida eclesiástica.
Pensa muito sobre o assunto e deduz que, quando uma pessoa, num dia, quase consegue convencer a enveredar por uma vida que não pretende, imagina o que não será a frequência de uma escola, durante anos, a ouvir mensagens semelhantes. Se opta pelo seminário, já se está a ver padre.
É remédio santo. Abandona completamente a ideia de ir para o seminário.
Vai para o Lisbonense, onde fica cinco anos. Continua ligado à Mocidade, uma espécie de serviço cívico, e chega a ser comandante de grupo. Aproveita as facilidades da instituição e pratica vela e remo.
Além disso, é escuteiro no agrupamento 216, no grupo 88, no Socorro.

O 1.º emprego

Joga andebol e futebol. Apesar de simpatizante do Marítimo, joga futebol no Nacional, onde tem a maior parte dos amigos. Ali fica até aos juniores a jogar a médio defensivo e defesa esquerdo.
No antigo 5.º ano (actual 9.º ano de escolaridade), Urbino Rebelo encontra uma nova contrariedade e não passa.
Como tem de fazer as cadeiras em falta no ano seguinte, depara-se com muito tempo livre. Vai trabalhar para as finanças com 18 anos. Lá fica como aspirante durante seis meses. A intenção é conseguir amealhar dinheiro para conseguir ir de férias no Verão à Inglaterra, um dos seus sonhos. Mas não consegue satisfazer o desejo.
Nos anos seguintes continua com os 6.º e 7.º anos (actuais 10.º e 11.º). São considerados uns bons anos na sua vida.

Tropa em Macau

Posteriormente tem de cumprir o serviço militar obrigatório, numa altura em que existe a guerra colonial. Faz a especialidade técnica, na área da mecânica, durante seis meses, no continente. Depois parte para Macau. Alguns dos amigos vão para África.
A viagem que, normalmente, é feita de barco, com uma duração de 58/60 dias, consegue fazê-la de avião com adidos militares. É uma grande ajuda, não só pela viagem mais cómoda e rápida mas, acima de tudo, por não se dar bem no mar.
Faz a viagem na companhia de dois amigos madeirenses que vão para Timor: José Alberto Freitas e Jorge Escórcio.
O trajecto até Macau é feito com diversas escalas e companhias diferentes a partir de Lisboa. Voa para Paris, onde fica uma noite. Da “cidade luz” segue para Viena de Áustria e dali para Telavive, em Israel, onde volta a ficar uma noite. Depois voa para Banguecoque, na Tailândia, onde fica uma noite, e uma outra em Hong Kong, onde apanha um dos maiores sustos da sua vida com o aeroporto do território muito exigente. No dia seguinte vai de barco, um “jetfoil”, para Macau, onde fica durante dois anos.

Curso à vista

No antigo território português, Urbino Rebelo é responsável pelas oficinas militares. Com essa experiência alimenta o sonho de ser engenheiro mecânico.
A chegada antecipada a Macau dá-lhe vantagem. Usufrui do avanço proporcionado pela velocidade do avião. Esta realidade permite que as pessoas que seriam rendidas pelas outras, que vinham da metrópole de barco, tivessem tempo para mostrar os cantos à casa e introduzi-lo na sociedade de Macau.
Anos mais tarde, Urbino Rebelo tem oportunidade de regressar a Macau, em 1996, aquando da realização do congresso da APAVT. Conhece outro território. Mais evoluído.

A surpresa

Em relação à primeira passagem, paralelamente ao cumprimento do serviço militar, tem ocasião de se matricular num colégio em inglês, onde obtém o “1st. certificate in english”. É mais uma língua que fica a conhecer melhor, visto que domina o francês.
Outra língua que, por força das circunstâncias, consegue desenrascar-se é o cantonês falado em Macau.
Um dia tem uma surpresa. Está no quartel quando batem à porta dois madeirenses: o Eng. Emanuel Alexandre Jardim e o Eng. José Maria Sousa, que estavam na viagem de fim de curso feita a Hong Kong.
No regresso, em 1971, tenta fazê-lo de avião. Nessa altura, pagando um adicional de cinco mil patacas, tinha a possibilidade de fazer escala na Austrália e nos Estados Unidos da América. Mas havia um barco fretado e é obrigado a vir por via marítima, no “Timor”, adaptado para o transporte militar.

Lourenço Marques

Faz uma escala no ainda português Timor, onde fica uns dias. Segue viagem, com 18 dias de mar sem avistar qualquer navio, enquanto ruma para Lourenço Marques (hoje Maputo), em Moçambique. Ali fica dois dias e o encanto da cidade surpreende-o. O mesmo acontece com Luanda, onde chega 10 dias depois.
A prova de que gosta de Moçambique reside na hipótese de ir para lá trabalhar. A continuação dos estudos fica pelo caminho. Habituado com carro e apartamento, não encara bem ficar à espera da família para o sustentar novamente enquanto tira um curso.

Madeira Hilton

Mesmo assim, uma das alternativas é fazer um bacharelato. E, depois, ponderar completar uma licenciatura. Trata-se do curso de Ciências Políticas e Sociais Ultramarinas. Dá acesso, basicamente, aos territórios ultramarinos. Um curso que hoje já não existe.
Esta possibilidade fica para trás. No regresso à Madeira encontra um novo hotel na cidade do Funchal: o Madeira Hilton (hoje Madeira Palácio).
Há uma vaga na recepção do primeiro hotel de uma cadeia internacional em Portugal.
Até aí, o turismo, como profissão, está fora dos seus horizontes. Mas a entrevista com o chefe de recepção, francês, acaba por ter influência no seu percurso. O quadro da Hilton mostra que para trabalhar na cadeia não é necessário ter formação hoteleira. Eles próprios a dão durante o trabalho. A Hilton tem a Queen Elizabeth, em Montreal, no Canadá, que é a escola hoteleira do grupo para todo o Mundo.

Director em 10 anos

Fazem-lhe sentir que, ao entrar na cadeia, se arrisca a ser, 10 anos depois, director de um hotel da Hilton.
As palavras motivam Urbino Rebelo e entra em Outubro de 1971. Passados seis meses já era chefe de reservas da Hilton. Podia fazer reservas para qualquer unidade da cadeia em todo o Mundo.
O seu primeiro ordenado é de dois mil escudos. Na tropa ganhava o triplo. Por isso, Urbino Rebelo estranha a remuneração. Mas explicam-lhe que estão a pagar para aprender.
Contudo, seis meses depois já ganha o triplo.
Entretanto, surge a oportunidade de ir para a Suíça tirar um curso hoteleiro em Glyon, onde já estão alguns madeirenses. Inscreve-se na escola hoteleira. Seis meses antes de começar o curso vai para Lausana para intensificar os conhecimentos de francês.

Interregno na Suíça

Entretanto, despede-se do Madeira Hilton para ir para a Suíça. Contudo, por diversos imponderáveis tem de interromper o curso e vir para a Madeira. A permanência no Funchal prolonga-se mais do que espera.
Nesta altura, a Hilton já saiu da Madeira. O seu hotel passa a chamar-se Madeira Palácio. E é para o cinco estrelas da Estrada Monumental que é convidado para ser relações públicas. Aceita e desempenha as funções durante seis meses.

Reentrada

Surge uma vaga e é convidado para chefe de recepção.
Nesta altura, com a experiência que adquire, considera que, se regressa a Glyon, com certeza não encontra oportunidade tão rápida para chefiar um departamento. Por isso, opta por não regressar à Suíça.
Depois passa para assistente de direcção e director residente.
Em 1982 é cumprida a previsão do chefe de recepção da Hilton. Embora não o tenha sido na totalidade, com a experiência da cadeia internacional, a verdade é que cerca de 11 anos depois de ter entrado pela primeira vez é nomeado director-geral do hotel Madeira Palácio. Substitui no cargo um director que ocupa aquela posição desde a saída da Hilton e que acumula com idêntica função do Palácio Estoril.
A nível de formação, Urbino Rebelo tem sempre a visão das virtudes de uma aprendizagem contínua. Faz diversos cursos nos Estados Unidos da América, na área de gestão.
É membro da EMA — European Managment Association, uma associação europeia com cerca de 300 directores, normalmente de cinco e quatro estrelas.
Durante alguns anos faz parte da Mesa de Hotelaria da ACIF-CCIM e é representante na Madeira da Associação de Directores de Hotéis.

Presidente do Rotary

A nível social é presidente do Rotary Club do Funchal entre 1991 e 1992. É membro da confraria do Vinho da Madeira, com o título de cavaleiro, desde 1989. É igualmente membro da confraria Vignerons de St. Vicent, desde 1979.
Há alguns anos fez o curso de “Estratégia e excelência”, promovido pela Agesfal. Juntamente com alguns conterrâneos e continentais, anda por esse mundo fora, com uma semana em França, outra em São Francisco, nos Estados Unidos, uma outra entre a Coreia do Sul e o Japão e uma última no Funchal. O curso dá a possibilidade de comparar realidades de diferentes continentes a nível da prestação de serviços, onde os EUA e os países asiáticos são eficazes.

“Hobbies”

Ao longo da sua carreira tem levado o hotel a receber diversos prémios atribuídos por operadores turísticos.
A nível de “hobbies” tem uma predilecção pelo ténis. O golfe merece uma atenção especial, mas para já não é grande praticante.
Curiosamente, esquerdino em todas as outras modalidades, pensa que o golfe não é excepção. Compra todo o material, antes de receber as primeiras lições, para a mão esquerda, mas vem a descobrir que neste desporto é direito.
A nível de informação procura estar sempre a par dos jornais ligados ao turismo e outros generalistas. Livros também os lê, especialmente os ligados à economia, ao marketing e ao turismo. 


2002-06-21
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