Udo Bachmeier

O hoteleiro “verde”


Udo Bachmeier queria ser arquitecto. A convivência com o pai, hoteleiro, cativa-o para o Turismo. Estuda na Áustria e desenvolve estágios em várias cidades europeias. Hoje é dono e director-geral do hotel Jardim Atlântico.


Até aos oito anos, vive em Munique, na Alemanha. Depois, os pais mudam de malas e bagagens para a Madeira. Vem também, juntamente com o irmão Roland.
No primeiro ano na Região, no final da década de 60, tem de voltar a fazer a primeira classe. Um ano em que aprende português.
Mais tarde acaba por recuperar o tempo perdido. Faz a terceira e quarta classe num ano.

De arquitecto a hoteleiro

O ensino preparatório é feito no Externato Nun’Álvares, o secundário, no liceu.
Sonha ser arquitecto.
Mas a juventude acabaria por mudar o rumo. Acompanha o pai no crescimento hoteleiro no Caniço de Baixo e desperta para o mundo do turismo.
Faz de tudo um pouco nas unidades do pai, que começa com o Galomar e depois cria outras.
Mais tarde, vai estudar para fora. Estuda turismo em Salzburgo, na Áustria, durante dois anos e meio, na Escola Superior de Turismo. É a mesma instituição onde estuda o irmão Roland, seis anos antes. Ambos fazem o mesmo curso.

Estágios na Europa

Terminado o curso, faz diversos estágios. Faz um primeiro na cozinha do Hotel Gogl, em Munique. Depois faz em Berlim, na pastelaria Conditorei Foerster, em Salzburgo, no café Winkler (Casino), na Áustria, e novamente em Berlim, na recepção e restaurante, no Hotel Baren.
Embora os estágios pudessem ser feitos na Madeira, a escola proíbe que o sejam em unidades familiares. A ideia é não haver facilidades na avaliação.
Uma vez acabado o estágio, Udo Bachmeier regressa à Madeira.
Começa a trabalhar no Galomar. Depois acumula funções nesta unidade e no Alpino Atlântico.

O Jardim Atlântico

Mais tarde, é construído o hotel Ondamar, em cujos trabalhos participa. Chega a ser director de comidas e bebidas e, posteriormente, subdirector e administrador do Ondamar, Galomar, Apartamentos Galosol e residencial Alpino Atlântico.
Em 1991, a família Bachmeier decide fazer uma unidade nova nos Prazeres, Calheta. É uma ideia do pai, Sigmund, que volta a apostar num local isolado, depois de o ter feito no Caniço de Baixo, em 1969, muma altura em que só há uma estrada de terra e cebolas.
O conhecimento profundo das belezas escondidas da ilha da Madeira despertam o hoteleiro para aquele rincão à beira da falésia.
O hotel é inaugurado em Outubro de 1993. Udo está a 100% no hotel desde Janeiro desse ano. É o principal responsável.
Quando a unidade de quatro estrelas abre, ainda faz parte do grupo Luculumar (da família), na altura. Mas, em 1995, é decidido separar os negócios. Udo Bachmeier fica sozinho com os pais com o Jardim Atlântico, e o irmão com as unidades do Caniço, numa sociedade onde tem outros accionistas. É, desde essa altura, director-geral e presidente do Conselho de Administração do Hotel Jardim Atlântico.

“Hotel verde”

O hoteleiro recorda que sempre houve a preocupação inicial de oferecer um “hotel verde”. É uma ideia do pai que leva alguns “velhos do Restelo” a dizerem no início que a aposta não é muito boa. Não dão mais que um ano para o hotel se aguentar tão longe do Funchal. É uma altura em que se demora cerca de duas horas e meia para lá chegar. Hoje fica por uma hora.
Desde o início que há a preocupação de actuar com o denominador comum da política ambiental e da qualidade. Preocupações que se prolongam até hoje e que têm levado a unidade a receber inúmeros prémios ambientais e a empreender processos de certificações ambientais, concretizadas este ano.
Desde início que os colaboradores aceitam o novo conceito, que também implementam em casa. Aliás, alguns chegam mesmo ao hotel com sugestões para aperfeiçoar ainda mais as questões da qualidade e do ambiente. Tal como acontece com clientes. São colaborações bem aceites que chegam a motivar algumas obras.

Adaptação constante

Para conseguir tudo isto, Udo Bachmeier e a sua equipa têm feito uma adaptação constante, com cursos e estudos no sentido de implementar os conheciemntos teóricos que a legislação e o bom senso estipulam.
Nos primeiros anos chega a fazer cursos na Alemanha para ficar mais por dentro de toda a componente. Faz um curso de nutrição e termas em Bodenssee, na Clínica Ueberlingen.s
Às componentes qualidade e ambiental junta as de saúde e de nutrição, que fazem com que o hotel cative inúmeros clientes que vêm propositadamente com o intuito de fazer programas especiais nesse âmbito. Constituem mais de 80% dos clientes totais da unidade.
Udo Bachmeier reconhece que o processo exige cuidados contínuos e redobrados. Mas considera que tem sido fácil fazê-lo, sobretudo porque é feito com gosto.

As razões da aposta

Diz que a aposta neste nicho de mercado se deve a duas questões: pela natureza, que é a imagem de marca da Madeira, e pela constatação de que a vertente da saúde e nutrição ainda tem grande margem de progressão, com cada vez mais clientes.
A prova desta realidade prende-se com os bons índices de ocupação do hotel.
Admite que, por vezes, seria bom ter mais quartos, mas, para manter os actuais padrões de qualidade e satisfazer o gosto deste tipo de clientes, não o pode nem deve fazer.

Actualização constante

Udo Bachmeier faz questão de continuar a actualizar-se constantemente. Vai buscar alguma informação à Internet, não muita, porque diz não haver. A maior parte encontra-a no seio das associações ambientais a que está ligado na Alemanha e em Espanha, que estão 10 a 20 anos adiantadas neste domínio.
Ainda este ano, mexeu um pouco a imagem do hotel, com os estúdios e apartamentos, assim como as áreas públicas, a serem redecoradas com base no conceito “Feng Shui” — viver em harmonia com a natureza, a filosofia do quatro estrelas, e que surge principalmente através das cores, num trabalho de Sissy Bachmeier, esposa de Udo.
Presentemente, tem sob a sua responsabilidade 58 colaboradores.

Andar pela serra

Nos tempos livres, gosta de passear a pé pela natureza da Madeira e viajar. Só não faz mais por falta de tempo.
Neste sentido, procura conciliar viagens de negócio com o lazer, nas quais aproveita também para conhecer mais realidades relacionadas com o turismo. Não consegue dissociar.
Gosta de cuidar do seu jardim, com cerca de dois metros quadrados.
Não é grande leitor. De cinema, gosta, mas também não tem muito tempo.
Levanta-se pelas sete/sete e meia e pelas nove horas está hotel. Regressa ao fim da tarde a casa, que fica no concelho da Calheta.



2003-12-12
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