Siegmund Bachmeier

 Da Alemanha para a Madeira

Siegmund Bachmeier começa a trabalhar na sua Alemanha natal. Mas é cansativo.
Procura um lugar mais tranquilo. A Madeira é a aposta, onde ergue um grupo hoteleiro com unidades hoteleiras no Caniço de Baixo e nos Prazeres.


por: Paulo Camacho


Em jovem passa pelos bombeiros voluntários na Alemanha. A sua missão é assistir acidentados nas montanhas. Ajuda a retirar de lugares difíceis feridos e aqueles que não conseguem sobreviver.
Mais tarde, é escolhido guia de montanha e professor na única escola da especialidade em Tirol.
No início da carreira, Siegmund Bachmeier tem duas empresas de equipamentos desportivos.
De início trabalha numa região perto de Munique. Depois, estende-se pelo país. E também pelos vizinhos, como Áustria, Holanda, Suíça, França... Tem de se deslocar com muita frequência.
Em cada ano faz uma média de 150 a 200 mil quilómetros, de carro. Na altura não pode aproveitar sempre os aviões. Algumas vezes, consegue viajar de comboio.
É uma profissão muito cansativa. Por isso, decide mudar e procurar uma outra mais tranquila.

A Madeira tranquila

Vem à Madeira de viagem. Encontra mais turismo de qualidade do que em quantidade. A maioria é muita inglesa. E poucos conterrâneos, alemães.
Passa pela ilha duas ou três vezes, as suficientes para gostar do destino e ver aqui uma boa oportunidade de negócio. Reconhece que há muito espaço para desenvolver projectos, o que não acontece com Canárias, que está mais desenvolvida turisticamente. É precisamente o atraso no turismo que o desperta.
Diz que encontra a Madeira, e mesmo Portugal, numa situação menos boa.
Começa a investir na Madeira em 1969, como pequeno industrial hoteleiro.

Começo com o Galo

Traz a família. Os filhos estudam no Colégio Infante. Mais tarde, estudam turismo no exterior. Aprendem muito turismo em diversas partes do Mundo até decidirem regressar à ilha para apoiar os projectos do pai.
Siegmund Bachmeier começa com um restaurante, o Galo, na Ponta da Oliveira, no Caniço de Baixo.
A escolha por aquele local deve-se à tranquilidade e à beleza, contrariamente ao Funchal, que encontra muito denso para os seus propósitos. Tem a noção de que uma importante fatia de turistas gosta de hotéis fora da cidade.
Cria a empresa Reis Magos, SA, que é passada a pente fino pelos serviços secretos de Salazar.
Pouco depois do restaurante implementa uma zona balnear.

Explosões até ao mar

Siegmund Bachmeir, como militar, com a patente de tenente, passa cinco anos na Rússia, onde aprende alguns segredos explosivos. Aproveita-os para abrir caminho pela falésia até ao mar, até aí sem acesso.
O projecto tem sucesso. Ainda hoje constitui uma boa oferta balnear na Madeira.
Pouco a pouco vai crescendo.

O primeiro hotel

Dez anos mais tarde do emblemático Galo, abre a primeira unidade hoteleira: Galo Mar, com 45 habitações.
Para se desenvolver estabelece um contrato com o operador turístico na cidade de Berlim, Hansa. E, pouco depois, com a Tui.
Trabalha com uma guia, com a qual mantém amizade até hoje.
Mais tarde, abre mais uma unidade: a Alpino Atlântico, que tem conhecido, desde a primeira hora, bons índices de ocupação. Muitos são repetentes, alguns mais de 10 vezes.
Depois, surge o Ondamar, o hotel de bandeira do grupo.
Todos têm como denominador comum situarem-se no Caniço de Baixo, a pouca distância uns dos outros, inclusivamente, o restaurante do telhado em forma de barrete típico, com um galo pomposo no topo incansável na sua luta contra o vento.
Diz que não constrói unidades de cinco estrelas pelo simples facto de os turistas que recebe não se enquadrarem bem nesse patamar, mas mais entre os três e quatro estrelas.

Os Prazeres

A dada altura investe nos Prazeres, na Calheta. Igualmente aposta num local de eleição, afastado da população.
Siegmund Bachmeier reconhece o apoio que sempre teve do Governo Regional e da Secretaria Regional do Turismo e Cultura para conseguir concretizar o projecto dos Prazeres, com o hotel Jardim Atlântico, com cerca de 100 habitações.
Lembra igualmente os tempos difíceis para proceder a investimentos, onde os créditos bancários são caros e difíceis.

O empréstimo e a multa

Por isso mesmo, ao contrair um empréstimo barato num banco suíço, acaba por ser multado em Portugal.
Chega a ter uma agência de viagens: a Via Galo, para complementar a oferta hoteleira. Acaba por a vender à Tui.

A fusão

A dado momento, decide empreender a fusão de quatro a cinco empresas de carácter limitado para duas sociedades anónimas. Uma fica para o filho mais velho, Roland, e a outra, com Udo. Entende que é a melhor forma de permitir que cada um trabalhe à sua maneira, no sentido de conseguir o sucesso esperado.

A “pasta” aos filhos

Siegmund Bachmeier deixa a actividade executiva para os filhos. Reforma-se. Hoje apenas surge, além de pai e amigo, como consultor privilegiado para as questões que os filhos desejem. Entre outras missões, ocupa-se na procura de terrenos para comprar.
Recorda que aprende muito com um “professor”, há cerca de 30 anos: o dr. Eduardo Paiva, também conhecido como “Leão de Santa Cruz”. Ensina-o como adquirir terrenos para fins hoteleiros.
Hoje em dia, quase todos os sábados e domingos, faz excursões pelas serras e picos da Madeira. É um desejo que faz questão de satisfazer e que considera ajudá-lo a manter-se vivo e a desenvolver todas as actividades que a idade poderia impedir, como conduzir o seu VW.

Os segredos da serra

Não esconde que conhece muito bem os segredos dos caminhos verdes. Um conhecimento que o leva, inclusive, a escrever um livro da especialidade juntamente com uma colega. No trabalho são apresentadas 20 excursões possíveis nas serras da Madeira.
O livro foi entregue às agências de viagens e, especialmente, ao operador turístico alemão Tui.
E, devido à sua experiência, algumas vezes, tem ajudado em missões nas serras da Madeira, para tentar descobrir alguém, inclusivamente à noite.

Internet sem segredos

Gosta imenso da Internet. É utilizador frequente. Reconhece as potencialidades para a venda de camas, mas também sabe que é preciso ter muito cuidado com o gato por lebre.
Neste momento, está a fazer experiências para receber a Internet mais barata e mais rápida.
Fala de sistemas telefónicos como analógico, RDIS e ADSL, que permitem o acesso menos ou mais rápido à Internet com grande facilidade.
Siegmund Bachmeier considera que o Caniço de Baixo do seu tempo, calmo, e com muito espaço, era diferente do actual, onde há demasiada construção.



2003-09-05
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