Sérgio Umbelino

Inovar com limpeza

Sérgio Umbelino nasce em Torres Vedras. Cresce em Portalegre.
Começa a trabalhar em Lisboa. Dá um salto até ao Brasil até apostar na Madeira.
Depois de trabalhar em várias empresas decide seguir o seu próprio caminho. Cria a Serlima, a empresa líder do sector de limpezas na ilha.

por: Paulo Camacho
Nasce em Torres Vedras. Nos arredores de Lisboa. Cedo muda para Portalegre. A mãe é destacada para os CTT-Correios da cidade. Por isso, toda a família (o pai e mais quatro irmãos) muda-se de malas e bagagens. O pai abre um pequeno comércio de retalho.
Deste modo, faz a maior parte dos estudos na cidade alentejana.
Com 18 anos decide deixar a tranquilidade de Portalegre. Aposta na agitada vida da capital: Lisboa.
Consegue um emprego no porto de Lisboa. Ao mesmo tempo, acaba o sétimo ano (actual décimo primeiro ano de escolaridade).
De seguida, inscreve-se na Faculdade. No Técnico. Nunca chega a frequentar as aulas. Diz não ter paciência. Uma das razões porque Sérgio Umbelino não quer seguir uma formação superior prende-se com a pressa em conquistar a independência económica. Para si, quatro, cinco ou seis anos, são demasiado tempo de espera para conseguir traçar os seus próprios rumos.

Faculdade pela “tropa”

Daí que o objectivo principal de se inscrever no Técnico seja o de conseguir ter o estatuto de oficial, com uma posição melhor e ordenados superiores, quando for cumprir o serviço militar obrigatório. Que, com grande probabilidade, o leva para a guerra no Ultramar.
Contudo, acaba por não ir à “tropa”. Tudo porque o ano em que deve pegar nas armas coincide com o surgimento da democracia em Portugal. Em 1974. Quem faz 20 anos fica livre neste período de transição.
A dado momento, conhece a mulher. Uma madeirense que estuda medicina no continente.

Ligação à Madeira

Por essas alturas começa a visualizar o Brasil como um local onde pode, mais facilmente ganhar dinheiro.
Aventureiro e impulsivo, conhece o sogro a 11 de Março de 1975. É um dia em que tem conhecimento do ferimento de um irmão no decorrer dos confrontos resultantes das divisões profundas entre oficiais do Movimento das Forças Armadas. Onde a ala spínolista é levada a tentar um golpe de estado e que se dá uma insurreição na Base Aérea de Tancos e ataque aéreo ao Quartel do RAL1, resultando na fuga para Espanha do general Spínola e outros oficiais e de um reforço da capacidade de intervenção do COPCON chefiado por Otelo Saraiva de Carvalho.
Felizmente, o irmão de Sérgio Umbelino é o menos ferido de três que houve falar e o leva aflito ao hospital ainda cheio de incertezas.

Brasil à vista

Depois de conhecer o futuro sogro, a 11 de Março daquele ano, a 12 telefona para a Madeira. Diz-lhe que vai partir para o Brasil com a filha.
Um mês depois vem à Madeira casar.
Em Maio segue sozinho para o Brasil para preparar o caminho. Escolhe São Paulo. Uma mega-cidade onde comprova ser uma terra com dificuldades mas de grandes oportunidades.
Sérgio Umbelino trabalha num banco como corrector de bolsa. Aos domingos é demonstrador do metro de São Paulo. Que começa a despontar na cidade. O seu trabalho é mostrar aos alunos as virtudes de utilizar o novo meio de transporte.
Mais tarde, a mulher, boa aluna, que está em Portugal no terceiro ano de medicina, vai ter consigo a São Paulo. Contudo, não consegue equivalência no currículo para o Brasil.

Vinda para o Funchal

Tem de fazer exames no novo país de acolhimento. Mas depara-se com dificuldade em adaptar-se.
Um ano depois, regressam a Portugal. Sem o emprego em Lisboa, decide vir para a Madeira onde o sogro Leça Pereira consegue um emprego. Com ele trabalha três a quatro anos em empresas como a Madibel e a Brandimporte.
Mas não é bem o que quer. Pretende ter a independência total. Quer constituir a vida profissional sozinho.

Seguir o próprio caminho

O problema é fazer o quê? Considera que os negócios são todos iguais. É saber comprar bem, gerir melhor qualquer transformação que haja, estudar o mercado e colocar o produto ou o serviço no mercado.
Surge então a ideia por parte de alguém de fazer uma empresa de limpeza. Soa-lhe bem.
Na Madeira não existe nada no género. E, mesmo em Lisboa, não há mais que 20 empresas.
Considera a ideia. Entende que há um mercado potencial. Ir a casa das pessoas fazer serviços que, normalmente, não estão preparadas.

As páginas amarelas

Decide ir a Lisboa assimilar conhecimentos. Vai a uma cabina telefónica. “Vai pelos seus dedos” e encontra quatro a cinco folhas relacionadas com limpeza. Rasga-as e leva-as consigo para as analisar com calma em casa. Ainda hoje as conserva.
A sua intenção é contactar alguém que abra as portas para obter o “know how”.
Descobre uma empresa que, além de comercializar equipamentos, também procede à limpeza. Entente que é o ideal. Bate-lhes à porta.
Diz que quer fazer uma empresa do género na Madeira, que não há. Tem assegurado o financiamento bancário de cerca de dois mil contos para o investimento.
Transmite-lhes que compra os equipamentos todos desde que expliquem como fazer o negócio.
Assim acontece.

A Serlima

Cria a Serlima em 1982.
Apetrecha-se com mínimo essencial para arrancar com a empresa: uma carrinha, escadas, produtos... e casas, aí vamos nós.
Tem alguma formação juntamente com o sócio na altura, que já não o é.
Faz experiências. Desloca-se a feiras para conhecer cada vez mais o sector.
Contrata empregadas e começa a bater às portas das pessoas para prestar serviços de limpeza.
No primeiro ano as pessoas acham piada. A empresa faz trabalhos pequenos.
O sucesso surge com naturalidade.
Entra na área da manutenção periódica.
Os trabalhos em escritórios e empresas sucedem e agradam. Correios, Marconi e alguns bancos são os primeiros grandes clientes. Os hotéis são outro mercado onde inclusive vai buscar colaboradores qualificados.

Concorrência abre mercado

Mais tarde surge a concorrência. Entende que acaba por ser um bem. Ajudam a abrir o mercado. Um mercado que a Serlima tem uma boa quota.
Durante o seu percurso chega a ter outros investimentos, como a restauração. O Solar do F é um dos exemplos. É interessante. Mas, hoje, não quer saber de restaurantes.
Outros negócios, como as serragens, acabam por não correr bem ao ponto de poder dizer que sabe muito mais onde não se quer meter do que onde o quer.
A empresa evoluiu continuamente. De uma surgiram outras complementares, a última das quais a SerlimaWash, inaugurada em Janeiro na Zona Franca Industrial.
Além disso, já deu um passo para o continente, onde tem empresas congéneres a actuar em Lisboa e Porto.
Sobre todas elas está a Serlimagest, SGPS, na qual Sérgio Umbelino é presidente do Conselho de Administração. Nas demais está ligado à administração mas tem delegado funções em quadros de confiança.
Continua a gostar do que faz porque, como evidencia, trabalha com pessoas. Considera salutar conseguir entusiasmar centenas de pessoas para o trabalho.
A empresa começa com duas pessoas. Hoje tem cerca de mil no Funchal, Lisboa e Porto.
Vai durante muito tempo a feiras. E continua a fazê-lo.
Nos tempos livres gosta particularmente de jogar golfe, no qual tem um grupo de amigos.
Gosta de férias. Sobretudo de África onde não se cansa de voltar. Mas também tem outras opções. Sempre em períodos curtos.
Em matéria de computadores e Internet, reconhece as potencialidades de ambos mas não trabalha com eles. Por opção. 

2004-02-06 
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