Rui Martins

O engenheiro da imagem


Cresce a ver o pai, enfermeiro de profissão, a dedicar uma especial atenção à fotografia, nas horas livres.
Cedo começa a inteirar-se dos segredos da arte de registar momentos e a improvisar e inovar nas revelações.
Em parte, utiliza esta ferramenta para aumentar a colecção de postais, com a reprodução de unidades suas para fomentar as trocas. Ainda tem a colecção de postais de navios, da altura em que é difícil consegui-los. Hoje tem cerca de seis mil, em Lisboa.
Estuda na Madeira. A última parte é feita no liceu.

Engenharia

A dada altura vai para Lisboa cursar Engenharia Civil, no Instituto Superior Técnico. Depois tira a especialidade de Urbanização, Transportes e Abastecimento de água e esgotos.
A viagem para a capital é feita no navio “Funchal”. Na bagagem vai uma máquina fotográfica que o pai o deixa levar.

O 25 de Abril

Durante o tempo que estuda apanha o 25 de Abril de 1974 e todo o movimento que se segue. Fotografa momentos da “revolução dos cravos”. Anda pela baixa da cidade. A dada altura, acabam-se os rolos de fotografia. As lojas estão fechadas. A salvação surge do cineasta madeirense Cunha Teles, que também se dedica à fotografia e tem rolos guardados no frigorífico, em casa.
Chega a colocar-se debaixo do veículo que encosta ao Quartel do Carmo para retirar o presidente do Conselho, Marcello Caetano. Para azar seu, não tem “flash”. As imagens saem escuras. Algumas outras são fotografadas em cima de rolos já usados. Surgem sobrepostas.
Acaba o curso. Começa a trabalhar numa empresa nacionalizada: a Cipro, integrada no IPE.

Rumo a Angola

Algum tempo depois, segue para Luanda, em Angola. Uma altura em que tem projectos para concretizar, juntamente com colegas portugueses.
Paralelamente, dá formação a angolanos. Ainda hoje admite que aquele mercado é uma saída para muitos dos estudantes que acabam os seus cursos em Portugal.
Em Angola, o ordenado que ganha, juntamente com os 17 colegas, é três vezes superior ao dos que ficam em Lisboa.
Durante o período que lá passa, durante duas vezes, num total aproximado de três anos, chega a passar algumas dificuldades, sobretudo devido às deficientes condições das infra-estruturas locais.
Uma vez, esteve uma semana sem água. Foi preciso encontrar alternativas.
Em Angola, Rui Martins faz trabalhos ao nível das estradas, abastecimento de água e esgotos.
Chega a ir para o imenso interior do país, para proceder a outros trabalhos. Uma vez fica num hotel onde a refeição é só esparguete, cozido com água castanha do rio.
Noutra cidade, o restaurante do hotel serve o mesmo prato durante uma série de dias. Não há alternativas.
Durante este período tira imensas fotografias.
Um dia, a empresa fecha. Rui Martins, tal como os colegas de Angola, não recebe subsídio de desemprego. Em Portugal tinham-se esquecido de pagar à segurança social.

Regresso a Portugal

Rui Martins regressa a Portugal, a Lisboa, em 1986. Na bagagem traz dinheiro que consegue poupar.
Encontra uma nova oportunidade de trabalho, na Câmara Municipal de Cascais. Mora em Lisboa, no Lumiar. A ideia de trabalhar no município não lhe agrada muito. Depressa se apercebe que ganharia em dois anos o que conseguia num mês em Angola.
Surge uma outra oportunidade, no Fórum Picoas, em Lisboa, onde existe um centro de congressos.
Aceita. Começa como fotógrafo nos congressos. É uma forma de ganhar mais algum dinheiro, sem grandes preocupações. Além disso, faz o que gosta.
É igualmente em Lisboa que começa a fazer vídeo, a imagem em movimento.

“La Siesta”, no Porto Santo

Em 1989 abre, juntamente com um amigo e sócio, o “La Siesta”, o tropical-bar, no Porto Santo. Está aberto durante os meses quentes de Verão. E fica na moda. Hoje já não existe.
Em 1994 regressa a Angola. Faz guias turísticos. Anda por todo o país.
Chega a ir a Cabinda, onde, para chegar, é uma peripécia no aeroporto. Torna-se imperioso haver engenho e arte para conseguir um lugar em viagens confirmadas.
Filma no Senegal e na Costa do Marfim.

A Madeira

Gosta imenso de Angola, um país que lhe deixa grandes saudades.
Rui Martins troca definitivamente Lisboa pela Madeira, em 1995.
Abre a empresa Rumavídeo, Lda., uma empresa dedicada à captação de fotografia de vários formatos e a produções audiovisuais.
Neste momento, admite que tenha cerca de duas mil horas de gravações diversas. Tem a Madeira toda filmada, desde os seus mais diversos aspectos geográficos até aos eventos e acontecimentos que encantam na Madeira ao longo dos dias de cada ano.

“Hobby” é o trabalho

Rui Martins não tem grandes “hobbies”. O seu trabalho é o maior. Gosta do que faz. Por isso, junta o útil ao agradável. Um agradável que tanto o leva a cobrir uma festa como a voar em parapente com os mais reputados praticantes da modalidade internacional que têm visitado e voado nos ares da Região.
Entre os muitos trabalhos que faz para as mais diversas instituições, não só da Madeira como de fora dela, há um que conhecemos. E que nos ficou na memória. É apresentado em 1997 no Funchal, durante a realização de um congresso da APAVT. Só com imagens e música, muito bem enquadrado, deixou os congressistas maravilhados com o trabalho e a forma como são descritos a Madeira e o Porto Santo, desde o pico mais alto até às profundezas idílicas do fundo dos mares.

Imagens na “Expo”

É igualmente da sua autoria o trabalho de seis minutos para cada um dos 12 vídeos projectados constantemente no pavilhão da Madeira na Expo’98.
Ganha o “Apex Award 1999” para o melhor vídeo promocional entre 120 centros de congressos de todo o Mundo, onde participam 53 países.
Diríamos que a lista dos seus trabalhos, tanto em fotografia como em vídeo e DVD, é extensa, muito extensa.
Rui Martins utiliza a Internet e o correio electrónico como ferramentas.



2003-06-06
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