Rui Dias


Um histórico da hotelaria


Desde muito cedo contacta com o turismo e a hotelaria.
Estuda na Suíça, na reputada escola de Lausanne. Depois de três anos regressa à Madeira para o seu Savoy, de onde sai apenas com a venda. Nessa altura constrói uma nova unidade no Caniço que acaba por vender por se deparar com muita construção naquela área. Agora tem um projecto aprovado em carteira a aguardar a melhor oportunidade para avançar.

por: Paulo Camacho
Depois dos primeiros estudos na Madeira e em Lisboa segue para a Suíça. Estuda na escola hoteleira de Lausanne, onde faz o curso geral. Ali passa três anos. Faz os respectivos estágios após cada curso.
Ligado por laços familiares à hotelaria desde há décadas, Rui Dias nem por isso sente desde cedo uma paixão para enveredar por uma carreira no sector.
Não obstante, apercebe-se da insistência do pai para que haja alguém formado em hotelaria na família para o Savoy, uma unidade hoteleira madeirense que nasce através do avô de Rui Dias, José Dias do Nascimento.
Apesar disso, o pai, Carlos Dias, é dos seis filhos do investidor, que compra o hotel Royal, com 15 quartos (que viria a dar lugar ao Savoy), o que menos está ligado à hotelaria.

Nascer com o turismo

Curiosamente, a unidade mais tarde erguida chega a ser, na época, o maior hotel de Portugal e mesmo de toda a Península Ibérica.
A viver toda uma vida paredes meias com o Savoy, quando chega a idade de decidir o rumo a seguir, o pai consegue convencê-lo a ir estudar para a Suíça, para seguir na promissora hotelaria.
Após terminar o curso, passa por Inglaterra, onde casa, em Novembro de 1954.

Regresso à Madeira

Regressa à Madeira. A viagem de barco é atribulada. O “Vapor do Cabo”, que o deveria trazer, acaba por não ter lugar para o jovem casal. Nele apenas segue a bagagem, que é bastante. A alternativa é um paquete de uma companhia holandesa que, por sorte, iria escalar na Madeira por esses dias.
Lá seguem. A viagem demora sete dias, sempre debaixo de uma grande tempestade que faz as pessoas temerem o pior. Mas chega são e salvo. O “Vapor do Cabo” aporta ao Funchal com varandins retorcidos devido à força das vagas que apanha na viagem entre a Inglaterra e a Madeira.

Os primeiros tempos

Já refeito da viagem, em Dezembro começa a trabalhar na Madeira, como assistente de direcção do hotel Savoy. Apanha o primeiro Fim-do-Ano como profissional de hotelaria.
Tem sob a sua responsabilidade a área de reservas, acomodação e catering.
Quatro anos mais tarde é nomeado director do cinco estrelas e, simultaneamente, do hotel Nova Avenida que, mais tarde, é dirigido pelo seu primo José Dias.
Rui Dias diz ter a sorte de conhecer o turista abastado desse tempo que considera ter dado nome à Madeira. É um turista que vive, se comporta e veste bem. Gasta sem contar tostões.
Rui Dias está cheio de ideias para satisfazer cada vez mais e melhor os seus clientes.

Muitos sócios

Contudo, diz que não é tarefa fácil trabalhar num hotel cuja empresa proprietária é de vários sócios. Mesmo assim sente-se satisfeito por conseguir imprimir muito do que deseja.
Nestes primeiros tempos à frente do hotel depara-se com uma forte dependência do mercado inglês. Quer mudar e diversificar para cortar a dependência. O Savoy é então lançado no mercado francês com grande sucesso, na estação de Verão. Mais tarde, no mercado nórdico.
Hoje recorda com satisfação o serviço extraordinário do Savoy. Admite mesmo que seria o melhor da Madeira, o que contribui para dar um bom nome ao hotel e ao destino.
Para isto mesmo, Rui Dias tem uma preocupação que herda do avô e do pai: contratar sempre bons chefes estrangeiros.

Saber ler as mudanças

Em 1962 é administrador delegado da SIET Savoy, Lda. Exerce simultaneamente as funções de director-geral do Savoy.
O aeroporto da Madeira está prestes a ser inaugurado. Em 1964.
Rui Dias apercebe-se de uma eventual invasão de cadeias hoteleiras estrangeiras. A sociedade proprietária do Savoy decide construir o actual edifício Savoy. A ideia é dar maior dimensão à unidade e, acima de tudo, apresentar instalações de primeira qualidade para manter a posição na hotelaria da ilha.
É mantido o espaço da sala de jantar que hoje é o hall de entrada do hotel.
Rui Dias refere que a clientela do Savoy é fiel e, por isso, não a quer perder. Há que manter algum elo de ligação com a estrutura anterior. Assim, além do espaço anterior é refeito o salão. De resto, tudo vem abaixo.

Construções relevantes

Hoje considera que já não se faz uma unidade como aquela. Inclusivamente os sanitários utilizam detalhes requintados para chamar à atenção.
Além de servir bem os clientes está implícita a intenção de sensibilizar os passageiros dos “Vapores do Cabo” que passam pela Madeira. Nos primeiros tempos vão para o Reid’s. Mas Rui Dias mexe-se. Cria incentivos até conseguir levá-los para o seu Savoy.
Sabe que quem vem a terra tomar um chá sempre necessita de lavar as mãos. E aí é preciso impressionar. Deixar uma imagem que jamais esqueçam. Na verdade, as torneiras com banho de ouro deixam as pessoas boquiabertas. O “boca-a-boca” encarregar-se-á de fazer o marketing desejado.
Em 1968 Rui Dias é nomeado cônsul honorário da Dinamarca, função que ainda hoje ocupa.
Dois anos antes recebe a medalha de dedicação da Cruz Vermelha Portuguesa, através do núcleo regional.
Em 1973 é condecorado pela rainha da Dinamarca com a medalha e título de Cavaleiro da Ordem Real de Daqnnebrog, 1.ª classe.

A ACIF-CCIM

Chega o 25 de Abril de 1974. E a democracia ao país.
Desde este ano até 1988, é membro da Mesa da Secção de Hotelaria da Associação Comercial e Industrial do Funchal - Câmara de Comércio e Indústria da Madeira (ACIF-CCIM).
Juntamente com os seus colegas enfrenta os piores anos na associação com o período conturbado que sucedeu ao 25 de Abril. Nesse período depara com uma hotelaria a sofrer imenso, com os funcionários a reivindicarem mundos e fundos.
Recorda que chega a trabalhar noites seguidas para conseguir alimentar e bem servir os clientes, juntamente com outros membros da direcção e da administração, especialmente o seu primo António Borges.
É um período de muitas reuniões e debates.

Distinções

Em 1975 Rui Dias é nomeado presidente do Conselho de Administração do SIET Savoy, Lda. Tal como em 1962, exerce simultaneamente as funções de director-geral do Savoy.
Entre 1976 e 1982 é presidente da Assembleia-Geral da ACIF-CCIM.
Em 1981 é distinguido com a Golden Helm of Tourism pelos serviços prestados em prol do turismo.

A venda do Savoy

Com o passar dos anos as famílias crescem. Há muitos familiares envolvidos na sociedade proprietária do hotel.
Torna-se difícil gerir com eficácia.
É então que, juntamente com os demais sócios, decide vender a empresa aos comendadores Joe Berardo e Horácio Roque. Estamos em Janeiro de 1988.
Ainda fica três meses à frente do hotel a pedido dos novos proprietários.
A saída não o faz abdicar de continuar ligado à hotelaria.
Decide investir numa unidade própria, na qual conta com o apoio dos filhos, Ricardo, Elizabete e Paulo Dias.

O oásis no Atlântico

Deste modo, em 1992 torna-se administrador da Sociedade Empreendimentos Turísticos Diasoteis, Lda., proprietária do hotel Oasis Atlantic, contruído no Caniço de Baixo. A nova unidade de quatro estrelas é inaugurada em 1993.
Anos mais tarde decide vender o Oasis. Tudo porque considera que o Caniço de Baixo deixou de ser o paraíso que era.
No período de transição de uma para outra unidade, em 1989, é distinguido com a Estrelícia Dourada em reconhecimento pelos relevantes serviços prestados no desenvolvimento turístico da Madeira.

Comendador Dias

Anos mais tarde, em 1995, é distinguido pelo Presidente da República com a medalha e grau de Comendador da Ordem de Mérito.
Hoje está afastado da hotelaria activa.
Na forja há um projecto para uma nova unidade. Mas aguarda, juntamente com os filhos, a melhor oportunidade para avançar com o projecto já aprovado. Trata-se de uma unidade com características especiais e com uma qualidade superior.
Actualmente Rui Dias continua a acompanhar o mundo do turismo. Lê muita informação sobre o sector. Um sector do qual guarda gratas recordações. Recorda os velhos tempos em que trabalha de manhã à noite.
Mesmo assim, não pestaneja quando diz que a hotelaria proporciona uma das profissões mais interessantes. Mas também considera que é das mais cansativas e exigentes, sobretudo a nível familiar.

A riqueza de conhecer

Considera que o conhecimento com os milhares de pessoas que contacta de outras paragens é retemperador.
Diz que, apesar de viver numa ilha, nunca se sente preso nela.
Uma ilha que deixa clara a constatação de que, apesar das mudanças que se verifica, a Madeira, nem ninguém na ilha, pode ser acusada de ter trazido turismo em massa. Considera que vêm naturalmente porque somos dependentes quase a 100% dos operadores turísticos. 


2002-10-04
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