Roland Bachmeier


Um hoteleiro dinâmico


Roland Bachmeier cedo desperta para o Turismo. Nasce na Alemanha. Conhece a Madeira ainda jovem. Mas quer conhecer o mundo e ganhar mais experiência. Volta à ilha para não mais sair.


Nasce em Munique, Alemanha. Ainda no liceu, com 15 anos, os pais decidem mudar-se para a Madeira, para investir no turismo, no Galo. Roland Bachmeier, e o irmão, Udo, frequentam o Colégio do Infante, durante um ano. Não sabe português. Aprende.
Volta à Alemanha para acabar o liceu. Fica num internato.
Mais tarde, quer aprender turismo, numa altura em que se perspectiva o serviço militar obrigatório.
Decide sair do país, para estudar turismo. Vai para a Áustria, para a Schloss Klessheim, em Salzburgo. Fica num castelo onde ainda hoje decorrem eventos importantes.

Curso condensado

Tem possibilidade de fazer um curso com a duração normal de cinco anos, mas em que é criado um especial, num pacote para ser feito em dois. É a primeira vez que tal acontece.
Precisa de uma certa graduação na escola, ter mais de 18 anos e estar ligado ou ser detentor de alguns conhecimentos de turismo.
Das 48 pessoas que começam o curso só terminam 16. Roland Bachmeier é um deles.
Depois do curso, tem de fazer um estágio de um ano intensivo. Vai para o Chateau Gutsch, em Lucerna, na Suíça.

Passagem pela Madeira

Já formado, decide fazer mais um outro estágio. Passa por diversas unidades durante um ano.
Acabada esta fase, interessa-se por regressar à Madeira. Fica seis meses com o pai nos negócios no Caniço de Baixo.
Mas é muito cedo para trabalhar com o pai.

Rumo à América

Assim, Roland Bachmeier vai trabalhar para a hotelaria, no Canadá. Vai para Vancouver, para trabalhar num hotel. Fica durante meio ano. Mas uma falha na carta de permissão de trabalho obriga-o a sair do país. Tem contrato para um ano, mas a licença só o deixa ficar seis meses. Além disso, o país passa por alguma turbulência laboral.
Estamos aí por 1973.
O caminho seguinte é mais a sul: os Estados Unidos da América. Vai igualmente para a hotelaria. Mas os problemas com a permissão voltam a incomodar. Só fica por ali dois/três meses. Resultado: regressa à Europa.

Hotel flutuante

Começa a trabalhar na Suíça. Fica por lá uns cinco meses.
Roland Bachmeier não está satisfeito. Quer conhecer o mundo.
A melhor forma que encontra para o fazer é num hotel... flutuante. Consegue trabalho a bordo de um navio de cruzeiros: o “Royal Viking Sea”, da Royal Viking Line.
Praticamente, faz dois contratos para trabalhar a bordo. Por ali fica quase um ano e meio. Faz cruzeiros por todo o Mundo. Trabalha na coordenação dos serviços de quartos.
Um dia, quando o navio aporta a uma cidade australiana, lembra-se de um amigo do pai. Hoje é vice-presidente da cadeia hoteleira internacional Hyatt. Na altura, está no Hyatt, em Singapura. É vice-presidente para aquela área do globo.
Contacta com ele e refere que quando passar pelo país o irá visitar. Assim acontece.

Cadeia Hyatt

Manifesta intesse em trabalhar em Singapura. Três meses depois de terminar o contrato com o armador do paquete, vai para aquele país a sul da Tailândia, separado por mar das vizinhas Indonésia e Filipinas.
Fica na Hyatt durante cerca de três anos. Trabalha igualmente em Hong Kong. Faz a abertura do Hyatt em Seul, na Coreia do Sul. Na altura é assistente de comidas e bebidas.
Durante este período nunca vem à Madeira nem à Europa. As férias decorrem pelas redondezas orientais.
Tem uma oferta para abrir um Hyatt nas Ilhas Fiji.

A aposta na Madeira

Roland Bachmeier começa a pensar nos dois pratos da balança: continuar a trabalhar na Hyatt, numa empresa onde é mais um colaborador, independentemente do valor que tenha, ou acompanhar o pai na Madeira, nas empresas familiares, que quer saber se pode contar com o filho Roland. O irmão Udo, que sempre fica na Madeira, quer sair da ilha.
Reconhece que a maioria dos colegas, da sua idade ou mais velhos, tem quase objectivos comuns de, ao atingir os 50 anos, se estabelecer com os seus próprios negócios. Entende que é chegada a hora de antecipar.
Resolve voltar para a Madeira, em 1979.
De início existe só o Galo. Depois o projecto cresce até chegar à Galo Resort Hotels, que inclui, além das unidades do Caniço, uma unidade na Calheta.
Em cada dois anos, há o hábito de abrir algo novo.

Membro da ACIF

Casa com uma madeirense. O irmão também casa. O pai decide dividir a empresa, em 1995.
Hoje, a cadeia de quatro unidades (Calheta Beach, de que só tem a gestão, e Ondamar, Alpino Atlântico e Galomar) tem cerca de 650 camas.
A dada altura entra na Mesa de Hotelaria da ACIF-CCIM.
A juntar à componente hoteleira, o grupo chega a ter uma agência de viagens: a Viagalo. Tem algumas representações. Em 1990 é vendida. Ficam parceiros da Miltours. São sócios da agência de viagens, com sede no Algarve, até há cerca de dois/três anos, altura em que a Tui decide ter o controlo total do capital.
Roland Bachmeier chega igualmente a ter uma imobiliária e fazer alguma construção. Mas entende que não deve sair da sua linha: hotelaria e “spa”, saúde e bem-estar e desporto.

“Jogging” pela manhã

Os seus hotéis têm ganho prémios dos operadores turísticos europeus, como reconhecimento pelo serviço prestado.
Costuma levantar-se cedo, pelas sete horas. Começa com o seu “jogging”.
Pelas oito/oito e trinta está nos escritórios. Por lá fica até as oito/nove horas da noite, consoante o trabalho que tiver de ser feito.
No domínio dos “hobbies” diz claramente que gosta de fazer tudo o que está relacionado com o desporto.
A juntar a isso, quando pode, estuda e aprofunda os conhecimentos em medicina alternativa, não com o intuito de exercer, mas para saber as possibilidades que existem neste domínio. Até porque, como pretende apostar neste nicho de mercado, quer saber qual o seu real potencial para que o possa pôr em prática com grande profissionalismo. E não fazer como o resto da Europa, onde diz haver cerca de 70% de unidades a trabalhar neste campo sem saber o que fazem. Acusa que muita gente está a aproveitar-se da onda. Uma onda que diz já ter ido. Mas apercebeu-se e decide mudar e aprofundar ao máximo os conhecimentos neste domínio para saber tudo a 100%.
Os conhecimentos são adquiridos maioritariamente com os próprios clientes que passam pelo hotel, em complemento com livros por si indicados.
Roland Bachmeier gosta de ler. É um leitor compulsivo. Se começa, só larga o livro quando chega à última página. Até se esquece do trabalho. Por isso, normalmente só o faz nas férias.
Lê igualmente toda a informação da especialidade do turismo.
Fala fluentemente o português e muitas outras línguas. Tanto fala e pensa numa, como depressa salta de uma para outra, assim que procura uma palavra mais adequada para cada situação. Isso acontece com a sua família.
Tem um bom relacionamento com as novas tecnologias, como o “e-mail” e a Internet. Curiosamente, quem o ensina a dar os primeiros passos neste glorioso mundo virtual é o pai, hoje na casa dos 80 anos, que é um fã da Internet.



2003-06-13
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