Ricardo Dias


Da medicina ao turismo


A medicina é a sua primeira meta de Ricardo Dias, crescido no meio hoteleiro. A persistência mantém-se, apesar dos contratempos que o fazem andar pelo continente, Inglaterra e Canadá. Insatisfeito, deixa o curso e abraça a carreira do turismo, onde começa no seio de um operador turístico no Reino Unido. Dá-se o regresso à Madeira.
Hoje está na hotelaria.


O turismo nunca foi um objectivo para a sua vida profissional. Apesar de ter um pai directamente ligado ao sector, Ricardo Dias inclina-se para o mundo da medicina.
Contudo, o primeiro ano na faculdade é turbolento devido ao clima de instabilidade que o país conhece, nomeadamente a partir do terceiro período do ano lectivo 1973/74. Está em Lisboa quando rebenta a revolução de 25 de Abril de 1974.
Nessa altura sucedem-se as greves. O ensino vira completamente.
Por isso mesmo, o primeiro ano está perdido.
Não desiste. No ano seguinte regressa à faculdade. É obrigado a fazer os primeiro e segundo anos num só.
Além disso, depara-se com uma situação “sui generis”: todos os dias tem um exame. Não tem tempo para nada a não ser para os estudos. A vantagem são as notas que, por força das circunstâncias, são altas.
Nesse mesmo ano lectivo, em Maio, os alunos entram em greve assim como os professores. Os momentos ficam ainda mais conturbados.
Ricardo Dias vê a vida a andar para trás.

Alternativas

Começa a pensar em alternativas.
Como a mãe é inglesa a solução surge em terras de Sua Majestade. Deixa Portugal e segue para a Inglaterra para ver se consegue entrar em alguma universidade para cursar medicina que tanto persiste em levar por diante.
Ali encontra universidades associadas a hospitais. Chega a fazer entrevistas. Mas ninguém dá equivalências ao seu percurso escolar em Portugal. O período conturbado num país a nascer para a democracia não ajuda.
A alternativa que lhe dão é descer o equivalente ao correspondente ao actual nono ano, porque não reconhecem as cadeiras já feitas de acesso à universidade portuguesa.
Novamente a vida é-lhe desfavorável.

O Canadá

Por coincidência, quando está em Inglaterra encontra uns familiares da mãe que vivem no Canadá. Disponibilizam-se a conseguir um lugar numa universidade canadiana, onde apenas tem de fazer a chamada pré-medicina, visto que o país aceitou a equivalência do actual 11.º ano.
Lá vai para o Canadá estudar medicina. Por lá fica durante quatro anos, altura em que completa o curso ao nível do bacharelato.
Nessa altura, a única saída para continuar rumo à licenciatura assenta na obrigação de ter de naturalizar-se canadiano. Trata-se de barreira imposta pelo país em virtude do crescente número de pessoas que ali desembarcam para tirar cursos. E, para que, de certa forma, as consiga prender ao país.
Ricardo Dias pensa no caminho a seguir.

O regresso

A saída é o regresso a Portugal, onde consegue entrar na Universidade do Porto, com equivalências aos três primeiros anos.
Com estes constantes contra-tempos começa a fazer contas para ver quando consegue sair da universidade para começar a exercer a profissão. Dá consigo na casa dos 40. Não quer tal situação. Além do mais estava a ficar cheio dos estudos.
Neste sentido, deixa o curso de medicina. E o país.

O turismo

Regressa de novo a Inglaterra. Dá o primeiro passo no mundo do turismo, com a entrada no operador turístico Sun Tours of Witney.
Entra por baixo neste operador sedeado na cidade de Oxford, especialista na canalização de turistas britânicos para a Madeira e Algarve.
Ali começa em princípios de 1979 a aprender os caminhos da profissão.
Durante estes primeiros tempos há como que um interruptor que se liga a cativá-lo para o turismo. O entusiasmo aumenta e o resultado é o crescimento metódico e sustentado na empresa. Tem a vantagem de conhecer bem o mercado da Madeira, ao qual complementou com um reforço ao se inteirar da realidade algarvia.
Nessa altura, a Sun Tours equivale-se à Thomson no mercado da Madeira, com peso significativo.

Contrato com o pai

Passa pela área de reservas e depois, pela de contratação. Neste último lugar dá-se o facto de vir contratar hoteleiros na Madeira. Inclusivamente com o seu pai, Rui Dias, que é director-geral e administrador do Hotel Savoy.
Acumula igualmente a componente de produção das bruchuras e de cálculo de preços e do marketing. Até que chega a administrador da Sun Tours of Witney.
Entretanto surge na Madeira a hipótese de um novo trabalho. Ligado à empresa de que a família faz parte: a Siet Savoy.

A agência Savoy

No horizonte está a intenção de abrir a agência de viagens Savoy com dimensão própria, sucedendo o pequeno espaço que existe no interior do hotel com o mesmo nome.
Ricardo Dias analisa a proposta que lhe colocam. Na altura já é casado e tem duas filhas pequenas.
Analisa bem os prós e os contras de viver num e outro lado. Chega à conclusão que pode dar uma vida mais saudável às filhas e à sua família se a opção recai para os lados da Madeira.
Diz que a vida na Inglaterra é dura, sobretudo por causa do clima, que se caracteriza pelos chuviscos contínuos e os céus cinzentos. São factores que inibem a saída de casa para passear, socializar-se, e por aí adiante.
Neste sentido, aceita a proposta da Siet Savoy e vem para a Madeira.
Estamos em 1986 e abre então a agência de viagens Savoy que se encontra ainda no mesmo local, em frente ao hotel Santa Isabel, também pertencente ao grupo.
Começa a trabalhar na agência e depara-se com uma situação complicada pois dá-se o início da globalização dos operadores turísticos. A agência Savoy vê operadores com quem trabalha a serem aborvidas por outros.
Tem de fazer um esforço redobrado para conseguir operadores novos.
Mas consegue ganhar a batalha e dá com a agência a tornar-se altamente rentável.
Entretanto, a família Dias vende as acções da Siet Savoy em 1988.

O novo Oásis

É programada a construção de um novo hotel no Caniço: o Oásis.
Ricardo Dias fica na empresa até 1992, cerca de oito meses antes de abrir o novo quatro estrelas. Nessa altura deixa a agência e apoia o pai na abertura da unidade.
O Oásis revela-se um bom hotel, com grande sucesso.
Acontece que, algum tempo depois, a cadeia hoteleira espanhola RIU decide construir um hotel na Madeira, mesmo junto ao Oásis. Isso implica contratempos de sobra para um hotel com cinco anos de existência.
Nessa altura surge uma proposta para venda do Oásis aos actuais proprietários. As negociações chegam a bom termo e alienam a unidade.

O 1.º contacto

Ricardo Dias é contactado pelo empresário Estêvão Neves no sentido de dirigir o hotel Quinta da Sol. Aceita.
Entra em Outubro de 1998. Encontra um hotel com bom nome mas com ocupações fracas.
Empreende um grande esforço para recuperar. É melhorada a área de comidas e bebidas, porque estavam antiquadas.
Por outro lado, a área comercial é trabalhada para ultrapassar as ocupações mais fracas e conseguir atingir a fasquia acima dos 90%, o que acabou por conseguir.
No ano 2000 contribui para que o hotel tenha um aumento na ordem dos 50 por cento nas receitas.

Hotel Ram

Recebe uma nova proposta.
Desta feita para a Hotel Ram, a componente hoteleira do Grupo Aquiram, para liderar o projecto Charming Hotels, que considera aliciante.
Diz que todo o hoteleiro gosta de trabalhar com a alta qualidade a nível de serviços e instalações. No fundo, diz ser a base por que se deve reger que é servir sempre melhor o cliente.
Volta a aceitar o novo desafio.
Entra para a Hotel Ram em Outubro de 2000 e tem toda a liberdade para trabalhar.
Depara-se já com o projecto de execução em andamento da Quinta das Vistas Palace Gardens. Ainda chega a tempo de aterar algumas situações que, a nível funcional, não estão bem enquadradas.
Na Quinta do Estreito, aberta há meses, depara-se com índices de ocupação muito baixos, pelo que tem de empreender uma forte acção comercial.
A Quinta Perestrelo obriga a um reforço, o que implica muita dedicação por parte de Ricardo Dias. O resultado disso traduz-se na criação de uma equipa jovem, extremamente dedicada, que permite lançar com firmeza as unidades Charming Hotels.
Para juntar ao leque de hotéis o grupo compra a Quinta do Monte este ano.
Hoje, Charming Hotels é um produto muito válido, cada vez com mais procura.

O 2.º convite

Entretanto, o empresário Estêvão Neves volta a convidá-lo. Tem alguns projectos aliciantes e consegue cativar, de novo, Ricardo Dias. Encontra o Quinta do Sol com muito boas ocupações, mas com algumas redecorações e remodelações em curso para modernizar a unidade e dotá-la de mais qualidade.
No Santo da Serra, onde a Enotel tem uma estalagem, estão igualmente em curso obras de ampliação da unidade.
Por último o grupo conta ainda com o Baía do Sol, na Ponta do Sol, implantado junto à marginal.

Apoio da família

No meio de todo este percurso, Ricardo Dias não quer deixar de sublinhar o apoio que tem da família, que sempre o apoia na sua preenchida vida profissional, que pouco espaço dá para estar entre os seus.
Um apoio que inclui o acompanhamento importante de sempre dos seus pais.
Ricardo Dias não tem um tempo estimado de trabalho diário. Diz que tem de ser responsável por desempenhar da melhor forma possível o seu trabalho, da mesma forma que o exige a todos quantos colaboram consigo.
Mesmo assim, diz que é raro o dia que trabalha menos de 12 horas. O normal é 13/14 horas por dia.
Por isso mesmo não tem muito tempo para hobbys, O que sobra é para estar com a família.
Neste sentido tem pouco tempo para viajar, mas não o deixa muito descontente na medida em que gosta de estar em casa.
Mas há um acontecimento que não prescinde: ver, de princípio ao fim, cada grande prémio de Fórmula 1.

Fórmula 1

A nível de leituras, passa os olhos em publicações da área do turismo e igualmente do desporto motorizado que tanto aprecia. Tanto assim é que, todos os anos, procura arranjar um tempinho para ver nem que seja uma classificativa do Rali Vinho da Madeira.
Utiliza os meios de comunicação para manter-se informado. O mesmo acontece com a Internet que lhe permite um conhecimento mais abrangente e mais actualizado.
Mesmo assim, tem programadas algumas saídas para ver no terreno algumas ideias para implementar nas unidades do grupo existentes e nas três novas que irão surgir na estrada Monumental, com cerca de 650 quartos.

Antever

Entende que é preciso conhecer e prever as novas modalidades de trabalhar nas novas unidades assim como saber junto dos parceiros de negócio como os operadores turísticos, o que pretendem os clientes.
No domínio das novas tecnologias tem uma familiarização perfeita com os computadores. É um dos primeiros madeirenses a ter um computador, quando decorre o ano de 1981 ou 1982, altura em que está na Inglaterra.
Neste momento, na Enotel existe um sistema de intranet, que permite a circulação de informção entre diferentes sectores e unidades do grupo.
Além disso, está a ser criado um sistema de netmeeting, para facilitar a reunião entre pessoas, embora diga que tem de haver algum cuidado para manter o contacto humano e estreitar os laços de equipa. A intenção de toda a aposta na informática é para libertar o mais possível as pessoas no sentido de servirem cada vez mais os clientes. 


2002-07-12
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