Renato Jardim

Dos estágios à Insular de Moinhos

Em 1953 regressa à Madeira para a empresa familiar: Companhia Insular de Moinhos, onde procede a um trabalho contínuo de inovação. Em paralelo com a sua actividade profissional, há muito que Renato Jardim entra no Rotary Clube do Funchal, onde chega a ser presidente.

por: Paulo Camacho
Em novo vive no Caminho de Santo António, no que diz ser um antigo hotel Miramar.
Na casa tem um grande relvado que permite fazer pequenas partidas de futebol entre equipas de escolas. Equipas onde recorda o guarda-redes da sua, o falecido (recentemente) eng. Rafael Costa.
Renato Jardim faz a primária e os então primeiro e segundo ciclos no Colégio Lisbonense, no Funchal.
O sexto ano, actual 10.º ano de escolaridade, é feito no Liceu. É no último ano em que a escola está na Rua do Bispo, junto à Praça do Município.
Cumprida esta fase da vida, Renato Jardim faz o exame de aptidão e preparatório de Engenharia na Faculdade de Ciências, em Lisboa. Sem problemas consegue iniciar a formação.

Sr. engenheiro

No entanto, acaba por se formar em Engenharia Electrotécnica na Faculdade de Engenharia do Porto. Com 15 valores.
Em 1953 inscreve-se na Ordem dos Engenheiros.
Terminado o curso fica pelo continente.
Antes de ir tirar o curso sai da Madeira casado com Maria Ângela de Agrela Gonçalves Jardim. Os três filhos nascem no continente: dois em Lisboa e um no Porto.
Realiza estágios na “Carris do Porto”, concretamente na secção de blindagem e motores eléctricos. Posteriormente, Renato Jardim faz igualmente um estágio. Desta vez é na “Companhia Portugal e Colónias”, no Beato, em Lisboa, nas secções de moagem e de descargas de milhos exóticos.
Estágios
É uma empresa muito evoluída para a época, onde Renato Jardim aprende imenso sobre o sector. No fundo, vem a revelar-se muito útil mais tarde, quando entra na empresa familiar: a “Companhia Insular de Moinhos”.
A juntar aos estágios, frequenta diversos seminários e colóquios sobre a indústria de moagens, bem como sobre electricidade.

A grande decisão

Entretanto, o pai morre. Tem de decidir qual o caminho a seguir: aceitar o convite para ficar na Carris ou regressar à Madeira para o lugar deixado vago pelo pai.
Decide-se pela Madeira.
Assim, no quarto ano da década de 50, começa a trabalhar na Companhia Insular de Moinhos (CIM), uma empresa da qual o pai é um dos sócios fundadores. Ainda hoje, Renato Jardim é sócio.
Estamos em Janeiro de 1953.
Começa a trabalhar como director industrial da Moagem do Pelourinho. Não encontra mordomias. Ali é como qualquer outro colaborador. O facto de ser sócio não o favorece.
O tempo passa. É nomeado director técnico da CIM.

Sempre a laborar

Recorda, com satisfação, que a fábrica nunca esteve parada. Nem mesmo durante a segunda guerra mundial. Renato Jardim diz que esta realidade, para si, é mesmo uma coroa de glória.
Além do mais, lembra que, anteriormente, apesar da contínua dependência do exterior a nível da importação de trigo, a Madeira produz muito mais matéria-prima regional do que hoje.
Apesar de tudo, há uma noite que tem de passar junto dos mestres, assim como da equipa do Arsenal, para solucionar um problema mecânico.
Tudo consegue ser ultrapassado. Dois dias depois, tal como previsto, reinicia a moagem.
Diz mesmo que a empresa chega a ter uma secção de mestres muito bons. Têm o dom de apreciar as máquinas originais e, depois, fazer peças muito semelhantes na Madeira.

Na administração

Mais tarde, é eleito para a administração.
Posteriormente, passa a ser administrador – gerente - delegado, um cargo que ocupa até se reformar.
Assiste à evolução comercial e tecnológica da empresa.
Muitos equipamentos novos são adquiridos.
Sempre que há necessidade de proceder à instalação de novas unidades, Renato Jardim faz questão de conhecer fábricas que utilizem equipamentos semelhantes aos que pretende introduzir. Só assim pode conhecer o potencial das maquinarias antes de tomar a decisão de as encomendar. Este modo de actuar constitui mesmo uma condição que impõe sempre aos fornecedores: compras só depois de ver como funcionam os equipamentos.
Ainda hoje recorda os passos que dá, os lugares que visita e os responsáveis das fábricas dos equipamentos que o acompanham às diversas indústrias do sector.

Assiste à mudança

Antes de se reformar, ainda tem oportunidade de assistir e mesmo de dirigir a passagem de algumas unidades fabris para as novas instalações da Companhia Insular de Moinhos, SGPS, SA, no Caniçal. Ali estão hoje os silos e as secções de fabrico de farinhas, massas, bolachas e milho (branco e amarelo) e ainda o laboratório.

O Grupo Insular

Hoje, o Grupo Insular de Moinhos tem consolidada a sua posição no mercado madeirense, fruto da sua actividade industrial de transformação de cereais, dedicando-se à produção de farinhas para a indústria de panificação e consumo doméstico, ao fabrico de massa alimentícias e bolachas.
O seu crescimento sustentado ao longo de décadas de actividade, acompanhado da modernização permanente das suas infra-estruturas, foi o resultado de uma missão bem definida à partida. Traduz-se na satisfação total dos seus clientes, a qual assenta em quatro grandes objectivos: inovação, crescimento, liderança e qualidade.

Tecnologia

A década de 90, a meio da qual Renato Jardim se reforma, fica marcada pela já referida mudança e concentração das suas unidades produtivas na zona franca industrial da Madeira.
Para apoio às novas instalações, é construído um parque de silos portuários para armazenagem de matérias-primas.
A partir de então, todos os processos produtivos são controlados por um sofisticado laboratório, equipado com tecnologias de ponta, assegurando, assim, a qualidade dos produtos alimentares “Insular”.
É no moderno laboratório onde são testados e analisados todos os seus produtos. Além disso, através desta estrutura, foi criada uma equipa de assistência técnica aos clientes de panificação, que tem por objectivo promover e dar apoio na produção de pão e utilização de diferentes tipos de farinha.
Por outro lado, a Insular promove ainda acções de formação direccionadas aos clientes de panificação.

Projectos inovadores

Numa óptica de desenvolvimento de novos projectos e de apoio aos seus clientes, nomeadamente da panificação, é implementada na zona franca uma padaria experimental, na qual são desenvolvidos vários projectos inovadores, de modo a que o serviço prestado esteja adequado à filosofia do Grupo Insular.
No fundo, é o continuar do processo de inovação constante, implementado por Renato Jardim, até se reformar em Abril de 1994, após 41 anos de trabalho na CIM.
Renato Jardim dá lugar à entrada do filho, o eng. Luís Ernesto Jardim, que passa a ser igualmente o administrador - gerente - delegado da empresa, depois de ter dado grandes provas de trabalho na empresa Electricidade da Madeira. No fundo, veio dar continuidade a um desenvolvimento cada vez maior da empresa, fundada por um grupo de industriais de panificação, que inclui o pai de Renato Jardim, em Abril de 1929.
Hoje, o Grupo Insular produz ou procede unicamente ao empacotamento ou engarrafamento de produtos como farinhas de trigo, farinhas de milho, massas, bolachas, arroz, azeite e óleo.

Actualização

Durante a sua carreira profissional, Renato Jardim mantém sempre uma actualização permanente. Lê muitas revistas da especialidade. Além disso, sempre que pode, visita as fábricas com frequência.
Até se reformar, Renato Jardim trabalha sempre o tempo que considera necessário para poder desenvolver o seu trabalho. Não há horas precisas de entrada e saída.

Condecorado

No ano em que se reforma, Renato Jardim é condecorado com o grau de “Oficial da Ordem de Mérito”, pelo Presidente da República, Mário Soares.
A cerimónia acontece a 10 de Junho de 1994, numa sessão solene no Palácio de São Lourenço, presidida pelo ministro da República, Rodrigues Consolado, em representação do Chefe de Estado.
Paralelamente à actividade profissional, Renato Jardim entra no “Rotary Clube do Funchal” em 1961. É seu padrinho o industrial Mário Barbeito de Vasconcelos.
Com outros companheiros (assim se tratam entre os associados dos clubes, porque, no fundo, um dos ideais do movimento é precisamente formentar o companheirismo), ajuda a formar o Rotary Clube de Machico-Santa Cruz.
Durante os mais de 41 anos de actividade rotária, ocupa todos os cargos directivos dos diferentes conselhos directores do clube do Funchal.
Neste trajecto, é secretário da “Conferência do distrito”, realizada na governadoria de António Gomes, um madeirense que Renato Jardim diz ter sido um grande sucesso para a Madeira.
Renato Jardim assume a presidência do Rotary Clube do Funchal no ano rotário 1961/62 (que vai de meio de um ano a meio do outro).
A nível de “hobbies”, admite que não tem nenhum especificamente. Nem mesmo quando está no activo.
Apesar de tudo, gosta de viajar. 


2002-12-06
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