Maria João Catanho Fernandes


Dedicação no servir o cliente


Vai estudar para ser guia intérprete. Contudo, antes de terminar o curso, é convidada para entrar na agência de viagens Top Tours. Faz o estágio em Lisboa e algum tempo depois vem para a filial na Madeira. Mais tarde muda para a Portimar e, depois, assume-se como empresária e abre a sua própria empresa: a Madeiraviagens. O seu espírito dinâmico permite cimentar uma carreira construída de raiz.


Vai para Lisboa com o intuito de estudar no ISLA. A intenção de Maria João Catanho Fernandes é tirar o curso de guia intérprete. Tem a visão de que é importante, sobretudo por viver e querer trabalhar numa terra directamente ligada ao turismo.
Assim é. Segue para a capital a fim de cursar guia intérprete nacional, que congrega técnicas de turismo. Vive em Paço de Arcos.

O primeiro emprego

No último ano tem como professor na cadeira de Agências de Viagens um promotor da Alitalia em Lisboa, que lhe abre as portas do mundo do trabalho.
Em determinada ocasião diz que, no final do dia, pretende falar com ela. Pergunta-lhe se quer trabalhar numa agência de viagens. Diz que há muito se apercebeu do gosto da estudante pela disciplina.
Maria João não está a pensar nessa possibilidade mas aceita o desafio. O promotor refere que tem um amigo que necessita de uma estagiária para fazer o Verão em Lisboa.
Recebe as coordenadas para ir ter com Mário de Matos, uma referência do sector. Até há pouco tempo é administrador do grupo Top Atlântico, um gigante no panorama nacional. Ele é o criador da Top Tours.
Transmite-lhe a morada da agência: Rua Duque de Loulé, onde ainda hoje a Top Tours tem a sede.
Paralelamente, Maria João tem pela frente uma série de exames para fazer no ISLA. Mas aguenta o barco.
Não diz nada a ninguém. Prefere fazê-lo apenas quando tudo estiver alicerçado.
Numa terça-feira, com aulas apenas durante a tarde, vai à Duque de Loulé.
Fala com Mário de Matos. O agente de viagens transmite que na sede tem os quadros completos. Maria João fica pensativa e considera que apenas veio perder o seu tempo. Tempo que é pouco até ouvir a continuação da conversa. Há uma nova filial da Top Tours que precisa de um reforço nos meses fortes de Verão.

Top Tours

De pronto, Maria João diz que sabe onde fica: na Pascoal de Melo. Mário de Matos fica admirado pelo facto de a jovem madeirense conhecer a localização, ainda por cima por a terem aberto há relativamente pouco tempo.
Mas Maria João, movida pela curiosidade, tem a particularidade de dar muita atenção a tudo o que se passa à sua volta.
Mário de Matos refere que precisa de uma estagiária para o Verão. Reforça que é unicamente para aqueles meses; depois vai embora, independentemente de se dar bem ou mal.
Tudo fica assente e Maria João tem a indicação de que pode começar a trabalhar no dia seguinte às 9.30 horas.
E assim acontece, naquele dia de Julho de 1982. Conjuga o trabalho com os estudos.

Trabalho agrada

Adora o trabalho desde o primeiro dia, em que começa a aprender sempre coisas diferentes.
Na filial trabalham poucas pessoas. Todos colaboram desde a primeira hora.
Quando acaba os exames, passa a trabalhar a tempo inteiro.
No final de Agosto, Mário de Matos fala com Maria João e diz que pretende transferi-la para a sede, o que acontece.
Deixa saudades na filial, onde gosta mais de vender viagens para a Madeira, porque se sente mais à vontade.
Na sede fica igualmente no balcão de exportação, tal como acontece na filial. Contudo, tem de trabalhar de uma forma mais acelerada devido ao movimento. Nessa altura não existem computadores. Tudo é feito à mão.

Entra nos quadros

Posteriormente passa por diversos departamentos. Chega ao mercado de importação, que é forte na Top Tours. Trabalham muito com os mercados espanhol, italiano e francês.
Aprende os passos todos nesta componente.
Durante este período, os pais vão ao Canadá e querem que Maria João os acompanhe, mas ela diz que não pretende ir para não perder o estágio.
Fala abertamente com Mário de Matos. Do outro lado ouve indicações que dão a entender que pretendem que continue na empresa para além dos três meses. Em relação ao Canadá, diz que irá com certeza muitas vezes. E ao acabar o estágio fica com uma porta para o futuro.
Mais tarde é explícito: diz que, apesar de as estagiárias, normalmente, não ficarem, no seu caso, pelo que vê, quer que continue.

Madeira à vista

É convidada a ir trabalhar para a Top Tours na Madeira, que abre as portas há pouco tempo. Aceita.
Estamos em Outubro de 1982.
Na Madeira, a base da Top Tours é a importação, com os clientes enviados da sede em Lisboa.
Aos poucos, Maria João vai criando o mercado de exportação. Começa pela família, os amigos e os conhecidos.
Algum tempo depois, a agência é sectorizada. Maria João Catanho Fernandes fica somente com a exportação. É uma altura em que entra na agência Júlio Sousa. Fica com a responsabilidade dessa área.
Fica na Top Tours 11 anos, onde se especializa muito na área de exportação, embora também goste da importação, onde se sente à vontade.

Portimar-Madeira

Em Fevereiro de 1994 entra para a Portimar. É uma mudança do primeiro emprego que considera difícil. Tem a camisola da Top Tours dos pés à cabeça. Por isso mesmo, os múltiplos convites que recebe ao longo do período em que lá está não se concretizam.
Na Portimar-Madeira encontra uma empresa com uma importação muito forte. A exportação é inexistente. Júlio Sousa, seu antigo colega na Top Tours, sempre lhe diz que, quando abrir o sector de importação, quer contar com os seus serviços.
E, tal como na agência anterior, quase começa do zero. A diferença está no facto de levar consigo os clientes, o que, de certa forma, torna a adaptação mais fácil.
O espírito que imprime nas suas relações faz com que os clientes sejam quase como amigos. Daí procurarem sempre os seus serviços, independentemente da empresa onde trabalhe.

A empresária

Mais tarde, fruto de conversas com o marido, é impulsionada a criar a sua própria empresa.
Em conjunto, procuram saber o que representam as vendas próprias de Maria João. Feitas as contas chegam à conclusão que dá para abrir uma agência pópria sem sobressaltos.
Consegue obter financiamentos e contar com a fé na fidelização muito forte nos seus clientes. Abre a Madeiraviagens a 1 de Agosto de 1998, ciente de que a sua disponibilidade de sempre permite continuar a cativar os clientes/amigos. Essa constatação vem a acontecer.

Programas à medida

Hoje, cada um desses clientes trouxe outros. A agência está bem lançada.
A Madeiraviagens está mais vocacionada para a exportação. Presentemente não tem estrutura, sobretudo ao nível do espaço, para entrar no mercado da importação. Não obstante, tem alguns clientes neste sector.
Contudo, não põe de parte um dia apostar forte nesse segmento de mercado.
Desde há algum tempo tem a particularidade de fazer programas específicos segundo a solicitação de grupos que pretendem fazer determinado tipo de viagens.

Os cruzeiros

Assume-se e é uma vendedora de reconhecidos méritos de viagens de cruzeiros. Há pouco tempo conseguiu ganhar um prémio da Royal Caribean como a melhor vendedora de cruzeiros na Madeira. Hoje assiste-se a uma grande procura pelos cruzeiros, sobretudo depois da redução de preços.
Quanto ao tempo de trabalho, Maria João é clara quando diz que começa pelas oito da manhã e que o prolonga até às duas da manhã, sobretudo nos meses fortes de Verão. Diz que está sempre pronta para atender as solicitações dos clientes. Até tem um terminal em casa ligado às companhias de viagens, o que constitui uma vantagem adicional e um caso que deve ser dos únicos no país.
Maria João recorda que o terminal tem sido muito útil e tem contribuído para resolver muitos casos a horas tardias, já que tem sempre o telemóvel ligado para qualquer eventualidade.
Presentemente, a Madeiraviagens conta com cinco pessoas e apresta-se para aumentar o espaço das instalações.

Actualização

No domínio da actualização de conhecimentos, encontra hoje mais dificuldades, mas tem feito sempre uma formação adequada para corresponder às novas solicitações. Tem uma série infindável de cursos práticos.

Sem tempo para “hobbies”

Hoje também não tem muito tempo para “hobbies”. Nem para praticar desporto, como já fez. Por isso, não consegue jogar ténis, nem tão-pouco ir ao cinema.
O prazo de cinco anos, que se deve prolongar ligeiramente, para conseguir a estabilidade na empresa, está a um ano de distância. Até lá há que gerir todo o tempo com grande eficácia.
Não obstante, não deixa de ler as revistas e os jornais da especialidade.


2002-09-13
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