Marcos Marques


O empreendedor do norte

Marcos Marques, desde criança, diz aos pais que, quando for grande, quer ter um restaurante e um hotel.
Com muita dedicação ousadia, consegue materializar o sonho. Caracteriza-se por apostar nas sociedades a 50%.

Estuda na escola em São Vicente e começa a trabalhar bem cedo. Com 14 anos entra no Restaurante Galeão, na pitoresca vila de São Vicente, um espaço de um amigo do pai, António Joaquim, muito em voga.
De início, Marcos Marques, além de empregado de mesa, faz o que hoje se chama polivalência. Ajuda a limpar o chão, as vitrinas, as montras, e ainda nas lides da cozinha e nas vendas no bar. É tempo de fazer o que tem de ser feito.

O homem dos 4 instrumentos

Há ocasiões em que recebe o pedido, vai concretizá-lo à cozinha, ainda atende um cliente no bar pelo meio e, depois, satisfaz o gosto ao cliente com o prato confeccionado por si. Sabe fazer pudins, assar carne, fritar bifes e filetes de espada, e por aí adiante. Contudo, quando está só, diz que só pode servir bifes com batatas fritas. É mais fácil e rápido.
Algumas vezes fica até bem tarde atender pessoas que prolongam as conversas para além do período normal de funcionamento do estabelecimento comercial.
Com 17 anos já é praticamente gerente do restaurante, que é o melhor do norte da ilha. Desempenha praticamente essas funções. Ali vão políticos e governantes importantes, além de muitos madeirenses que não dispensam parar no Galeão, situado à entrada da baixa da vila. As excursões também são visitas habituais.
Leva a vida profissional com prazer.
Ganha cerca de 600 escudos por mês. As gorjetas são boas, correspondendo ao profissionalismo que sempre coloca no desempenho seu trabalho. Quase dão para fazer a sua vida, já que algumas vezes ultrapassam mesmo o valor ordenado.
Um dia é chamado a cumprir o serviço militar obrigatório.

Empresário

Quando regressa, surgem-lhe duas hipóteses. Uma tia, que não tem filhos e vive só com o marido, quer levá-lo para a Venezuela.
Por outro lado, o empresário António Joaquim convida Marcos Marques para ser seu sócio. Abre 10% do capital. Acaba por aceitar a segunda hipótese. Tem de pagar 65 mil escudos. Uma parte do dinheiro necessário é satisfeita com um encontro contas. A outra surge com o empréstimo de uma pessoa amiga.
Algum tempo depois, um outro sócio vende 15%. O valor a pagar é muito mais elevado, comparativamente ao que pagou anteriormente.
Ironia do destino. Em parte, a valorização deve-se a si, pela recuperação que consegue fazer na “casa”, que está um pouco em baixo quando deixa a “tropa”. O valor a pagar ultrapassa os três mil contos.
Fica com 1/4 do capital social da empresa. Tem ordenado de gerente recebe igualmente os proveitos da sociedade.
Num restaurante não muito grande, chega a servir cerca de 400 almoços por dia.

Quebra-Mar

Mais tarde, faz o restaurante Quebra-Mar, junto à marginal, a dois passos do mar.
Este negócio envolve outras pessoas, entre as quais o antigo presidente da Câmara Municipal de São Vicente, Gabriel Drumond. Acaba por comprar a parte do antigo autarca. O seu sócio no Galeão compra 1/3 do negócio do novo restaurante.
Deixa de lado o projecto inicial e fazem um novo, elaborado pelo arquitecto Semeão. O projecto mantém-se durante 20 anos. Nessa altura, decide fazer um restaurante com a parte superior rotativa. Hoje em dia tem 50% da sociedade que explora o restaurante. Trata-se de um valor percentual que mantém nos negócios em que se empenha e que partilha.
Entretanto, desfaz-se da sociedade no Galeão.

Cachalote, no Porto Moniz

A dada altura, compra o Restaurante Cachalote, no Porto Moniz. Convida o amigo Silvano para ser seu sócio no negócio, ampliando, assim, a parceria que mantém no Quebra-Mar, onde é igualmente seu sócio. Cada um tem... 50%.
Depois de o adquirir faz obras no restaurante implantado junto às piscinas.

Entra na hotelaria

Posteriormente, aí pelo ano 1989/1990, entra na hotelaria. Faz a Estalagem do Mar. A unidade hoteleira é 100% sua e da esposa. A construção inicial tem 45 quartos. São tempos difíceis, com poucas infra-estruturas de apoio na vila.
As pessoas dizem que é um investimento muito destemido.
Está satisfeito o sonho de criança: ter um restaurante e um hotel.
Trata-se de um sonho anterior ao tempo em que trabalha no Galeão.
Pensa que se deve à convivência do pai com António Joaquim e pelo contacto que estabelece com aquele mundo.
Inicialmente, o negócio da estalagem é para ser feito com o Eng.
Narciso Branco, mas, depois, acaba por vender o terreno e não entrar na sociedade.
Após uma primeira fase, Marcos Marques entende por bem ampliar o número de quartos da estalagem, assim como dotá-la de mais infra-estruturas de apoio.
Assim, cinco anos depois, faz mais 38 quartos, com uma nova ala.
Ao mesmo tempo, faz uma piscina interior, sala de jogos, sauna e “jacuzzi”.
Mais adiante, aproveita o facto de ter um restaurante subaproveitado. Mexe no principal e concentra serviços. No espaço deixado vago coloca mais 8 quartos.
Feitas as contas, hoje tem uma unidade com 91 quartos.

O Monte Mar

Os tempos passam, e um outro hotel surge não muito longe da estalagem, mais concretamente em Ponta Delgada, o Monte Mar, igualmente de 4 estrelas. Tudo nasce um pouco por acaso. Inicialmente, compra um terreno para fazer casa em Ponta Delgada, de que gosta muito.
Contudo, tem um outro em São Vicente de que também gosta. Opta pelo segundo e deixa o terreno de Ponta Delgada para outro fim.
Aos poucos compra os terrenos ao lado do seu em Ponta Delgada.
A dada altura pensa em apostar num empreendimento imobiliário para vender apartamentos. Até que um dia alguém diz que, com aquela vista privilegiada sobre a costa norte até ao Porto Moniz, dá um bom hotel. E assim acontece.
Deita mãos à obra e, algum tempo depois, as mãos à cabeça, pelo investimento que envolve.
Mas o hotel faz-se, projectado com 103 quartos. Contudo, aconselham-no a colocar uma “suite” presidencial. Lá a faz, tal como mais quartos. Hoje tem 111 quartos.
No decorrer das obras apercebe-se de que a situação projectada para a piscina não é a ideal. Até uma determinada hora da manhã fica sem sol. Resultado: tem de comprar mais terrenos, a um preço superior ao que inicialmente paga pelos outros.
No meio de tudo isto, tem de conseguir um sócio para o ajudar.
Assim acontece, com o sr. Dâmaso, que tem o hotel Orca, no Funchal.
Cada um tem os inevitáveis 50% do capital da sociedade.

Espírito jovem

Marcos Marques continua a manter o espírito jovem. Aliás, gosta mais de estar junto dos jovens do que dos que têm mais idade. Tanto no domínio físico como espiritual.
Nos tempos livres, gosta de andar a pé com as filhas e a família. Aliás, sempre que pode, está com a família.
Inclusivamente, não dispensa as férias anuais feitas entre os seus. Adora igualmente nadar. Frequentemente, vai a feiras de turismo para estar sempre por dentro das últimas do sector.
O dia para si começa pelas 9.30 horas e vai até às 23/24 horas. Inclusivamente ao fim-de-semana passa pelos negócios em São Vicente e em Ponta Delgada.
No domínio das novas tecnologias, concretamente computadores e
Internet, reconhece que é imprescindível viver sem eles, mas ainda
não entrou muito nelas.

BI

Nome: Marcos Marques Rosa
Data de Nascimento: 1952-
Naturalidade: Sítio das Gingas,
São Vicente, Madeira
Estado Civil: Casado
Filhas: 3


2003-10-17
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