Luís Jardim

O senhor da música


Luís Jardim sai da Madeira para crescer no mundo da música. A aposta é certeira. Hoje, além de músico de reconhecidos
méritos entre os grandes, mantém os negócios de produção nos mais variados quadrantes musicais. Vive e tem os estúdios em Londres, mas o seu trabalho não tem fronteiras. Tanto está em Espanha como nos Estados Unidos, ou em Itália.


Luís Jardim estuda em várias escolas do Funchal, como o Externato Nun’Álvares, também conhecido por “Caroço”, e o Lisbonense. É um aluno médio.
É filho de um médico, que também toca muito bem guitarra e um dos fundadores da tuna académica de Coimbra. O pai toca e escreve músicas. Por isso, cresce a meio de guitarras, as quais não toca até o pai falecer, quando tem nove anos. É a partir dessa altura que desperta para a música. Até hoje.
Durante a juventude cria uma banda naqueles loucos anos 60. Chama-se Demónios Negros. Toca música “pop”.
Entre as várias vezes que vai a Lisboa, um dia toca num concurso, o “Ié-Ié”. A banda de Luís Jardim ganha a etapa.
Nessa altura, Luís Jardim tem a noção do seu valor e, a continuar a tocar na Madeira, acaba a animar as noites num hotel.
Inicialmente alimenta o desejo de ir para os Estados Unidos da América. Mas tem dificuldade em conseguir o cartão de trabalho que lhe abre as portas do país. Está com 16 anos.

Viagem para Londres

Vira-se então para uma alternativa. Londres surge no horizonte. Algum tempo depois está na capital de Inglaterra a aprender inglês e a estudar, talvez Direito, para regressar à Madeira para os negócios de família.
Inicialmente faz um curso de Inglês. Contudo, leva na bagagem uma ideia encoberta que, na prática, é o principal motivo que o leva a optar por estudar em Londres: entrar no mundo da música. «Queria era tocar».
Estamos em 1967. Luís Jardim começa a tocar um ano depois. Até hoje.
Evolui na música, que estuda, e aprende os segredos das gravações.

A Banda Rouge

Entre 1973 e 1977, Luís Jardim tem uma banda em Inglaterra: chama-se “Rouge”. Com ela chega a vender cerca de quatro milhões de discos. O último albúm que faz para para a CBS, que era a Sony antigamente, é editado em 1981.
Embora só depois de deixar a banda se intensifique mais, a verdade é que, mesmo durante o tempo em que toca com o grupo, já acompanha os grandes músicos do Mundo para fazerem os seus discos. Há concertos onde é abordado directamente para trabalhar nos álbuns de diferentes cantores.

O peso das influências

As suas influências musicais, com fortes traços brasileiros e americanos, como o “soul” e o “jazz”, fazem com que Luís Jardim surja na cosmopolita cidade londrina com características que não existiam.
Além disso, a sua maneira de tocar e forma de pensar muito latina introduzem uma onda inovadora na Inglaterra e permitem-lhe a abertura de portas para fazer discos e “tournées” com cantores que nos habituámos a conhecer dos discos.
A promoção “Boca-orelha” vai dando provas de que é um dos melhores meios de fazer chegar longe o seu valor. Aos poucos, as pessoas começam a descobrir no madeirense Luís Jardim um grande potencial. Um potencial ao qual se destaca ainda o facto de trabalhar bem e depressa.
Entre muitos outros, nomes como Tom Jones, Leo Sayer, David Bowie e Rolling Stones, com quem começa a trabalhar em 1969, são cada vez mais familiares para o músico, que um dia decide deixar a Madeira à procura de um mundo grande, à medida da sua ambição.

Os nomes sonantes

Depois dos trabalhos com os “grandes”, a presença de Luís Jardim com nomes sonantes no mundo da música nunca mais pára.
Nunca trabalha em exclsuivo para ninguém, com algumas excepções periódicas, como quando faz “tournées” de um ano com Tina Turner, George Michael, Rod Stewart...
Luís Jardim toca vários instrumentos. Os que mais gosta e que o tornam mais conhecido são bateria, baixo, percussão, guitarras. De resto, toca um pouco de tudo.
Sublinhe-se que, quando deixa a banda inglesa, estuda nos Estados Unidos, no Colégio de Barkley, onde faz um curso.

A vida empresarial

A entrada no mundo empresarial da produção começa cedo, com uma experiência, a convite de um dos grandes produtores do mundo, Trever Hom, que chega a tocar na sua banda.
Um dia, este produtor, dono da companhia de discos ZTT, convida-o para produzir uma das músicas dos Frankie Goes to Hollywood, para o qual está a fazer um álgum. Por sinal, um dos grandes sucessos do grupo, chamado “Relax”.
Ainda com essa empresa, chega a trabalhar com quatro ou cinco artistas, entre os quais Grace Jones.
Produz, mas não é o que mais gosta de fazer. É músico. Criador de músicas. Compositor. No fundo, é o que quer fazer.

Não se arrepende

Mais recentemente trabalha com a estrela do momento Robbie Williams. Faz alguns concertos em Inglaterra e pequenas “tournées”. Quando o convida para fazer a “tournée” de um ano, que arrancou recentemente em Lisboa, Luís Jardim declina. Diz que já não tem idade para isso.
Refira-se que Luís Jardim já trabalha com o cantor desde o tempo dos Take That, a “boysband” onde Robbie começa a dar os primeiros passos na música.
Hoje, cerca de 36 anos depois de sair da Madeira, não se arrepende minimamente de o ter feito.
Actualmente, continua a fazer um pouco de tudo: tocar, compor e produzir no seu próprio estúdio em Londres, o “Rouge Recording Studio”. Além disso, tem uma companhia de produção, porque, como diz, não gosta de colocar os ovos no mesmo cesto.

Os “Ídolos”

Presentemente, é também presidente do júri do programa de televisão “Ídolos” em Portugal, que o prende ao nosso país até Janeiro. Contudo, durante todo este período que está “preso” a Portugal, vai frequentemente a Londres e a outros locais realizar trabalhos. Trabalhos para os quais também tem convites para concretizar com artistas portugueses.
Durante a sua carreira, Luís Jardim já foi co-autor com Hans Zimmer e Mick Jagger e gravou com Michael Kamen, John Barry, George Fenton, Chris Gunning, John Duprez, Craig Armstrong, Luis Enriquez Bacalov e Stephen Endelman, entre outros.
Luís Jardim diz que continua amigo de quase todos os músicos com quem trabalha, principalmente dos que conhece há mais tempo, como acontece com os Rolling Stones.
Com uma vida baseada numa das mais cosmopolitas cidades do Mundo, para já, não tem ideia de regressar à Madeira. Admite que, a acontecer, será quando deixar a actividade, porque, neste momento, diz não conseguir fazer a sua carreira a partir da Madeira. Uma actividade que o leva a deixar pouco tempo em Londres. Uma boa parte é feita em estúdios nos EUA, na Holanda e na Bélgica, em Espanha e Itália.
Por isso, não tem horários. Não tem fins-de-semana. Quando há trabalho, tem de o fazer. Diz que não se pode planear a música.
Admite ter “hobbies”, embora diga que não tem tempo para fazer quase nenhum. Gosta de futebol. Mas raramente vai ao estádio. Também gosta de ténis.
Normalmente, nada, uma/duas vezes por semana, em Inglaterra. Considera que um ilhéu dificilmente pode deixar de nadar.
Agora o que faz é andar nos cavalos na casa que tem na Grécia, de onde é natural a sua esposa. Na família todos fazem equitação. Reconhece que não é a sua especialidade, mas gosta de andar a cavalo.
Costuma concretizar este “hobby” quando vai de férias no mês que gosta de fazer naquele país.
Também procura vir à Madeira, uma a duas vezes por ano.
Gosta de ler, leituras de temas verdadeiros. Lê meio livro por dia antes de dormir. Aí umas 100/150 páginas.
Gosta igualmente de cinema.

Pensar em inglês

Luís Jardim pensa em inglês. Tem muito mais anos de Inglaterra do que de Madeira.
Contudo, sublinha que mantém passaporte português. Considera-se patriota.
Sobre algumas críticas que o apontam como um duro no “Ídolos”, diz que é tudo uma questão de mentalidade. Recorda que, em Inglaterra, as crianças começam a aprender música na escola. E, quando alguma não tem queda, os professores dizem directamente que aquele não é o seu caminho logo no primeiro ano. Dizem que existem muitos outros a seguir.
Tem um relacionamento estreito com computadores, Internet e correio electrónico, que usa diariamente e a toda a hora.



Com quem já trabalhou

Artistas

Paul McCartney, David Bowie, Tina Turner, Mick Jagger, Brian Ferry, Steve Winwood, Elvis Costello, Seal, Cher, Grace Jones, Annie Lennox, Björk, James Brown, Ray Charles, Goldie, Tom Jones, Errol Brown, Olita Adams, Eric Clapton, Gary Barlow, Tanita Tikaram, Mark Morrison, Yazz, Adamski, Terence Trent D’Arby, Claire Martin, Michael Crawford, Elaine Page, Sam Brown, Allison Moyet, Andrea Adams, Robbie Williams, Gareth Gates, Gwen Stefani, entre outros.

Bandas

Rolling Stones, Tears For Fears, Madness, Bush, Lighthouse Family, Simply Red, Boyzone, Wet Wet Wet, Soul II Soul, The Bee Gees, Prefab Sprout, Simple Minds, The Pretenders, Frankie Goes To Hollywood, East 17, T’Pau, Steps, The Pasadenas, ABC, Pearl, Catatonia, Flowered Up, James Taylor Quartet, The Art Of Noise, The Orb, Was not Was, Massive Attack, Incognito, Symposium, Asia, The Silencers, The Charlie Watts Tentet, Shalamar, Duran Duran, entre outros.

Artistas estrangeiros

Angelique Kidjo, Cheb Mami, Kadja Nin, Mauranne, Axelle Red, Francis Gabrel, Alejandro Sanz, Presuntos Implicados, Meccano, Salif Keifa, Johnny Kleg, Mori Kante, Nina Hagan, Rui Veloso, João Pedro Pais, ACA, Baaba Maal, Filipa Giordano, Eros Ramazzoti, entre outros.

Produtores

Trevor Horn, Steve Lipson, Nellee Hooper, George Martin, Chris Neal, Langer /Winstanley, Steve Lillywhite, Don Was, Phil Ramone, Howie B, Rolo, John Kelly, Paul O’Duff y, entre outros.



Director musical de:

Diana Ross, Mariah Carey, Celine Dion, Elton John, Julio Iglesias, Tom Jones, James Ingram, Al Jarreau, Luther Vandross, Cindy Lauper, Michael Bolton, Darryl Hall, Gloria Estefan, Barry Manilow, Michael Jackson, entre outros.

Produção e misturas

Glass (RCA), Anne Pigalle (ZTT), Jai Wolf (EMI), Bruno (EMI), Prince Hoenloe (Polygram), Rouge (Sony), Amazonia (Polygram), Instinct (ZTT), Sandy Reed (WD), Dannii Minogue (WD), Gerry True (DJM), Ana (Polygram), Frankie Goes To Hollywood (ZTT), entre outros.

Produção de bandas sonoras
de filmes

“A Fish Called Wanda”, “Rain Man”, “Thelma & Louise”, “Bird on a Wire”, “Beyond Rangoon”, “Don Juan deMarco”, “Running Out of Luck”, “Woman on Top”, “Gladiator”, “The Four Feathers”, “The Bone Collector”, “The Chicken Run”, “Crimson Tide”, “El Dorado”, entre outros.



2003-11-28
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1 comentário:

  1. A Tuna Académica de Coimbra foi fundada no ano de 1888 e a ela pertenceram várias gerações de estudantes da Universidade de Coimbra entre os quais cito os cantores Luís Goes, José Afonso e João Barros Madeira.

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