Luigi Valle

O “opinion leader” chamado Luigi

Luigi Valle é uma figura muito conhecida na Madeira. As suas opiniões são ouvidas com atenção pela vivência e pelo conhecimento que tem do sector do turismo. É o que comummente se chama “opinion leader”.
Nasce no Funchal em 1950.
Estuda e forma-se em Lisboa.
Começa a trabalhar e hoje divide-se por inúmeros “Luigis”, tantas são as tarefas que desempenha.


Nasce no Funchal, Madeira, em 1950. É filho de mãe madeirense, Maria Luísa d’Almeida Sousa Rodrigues Valle, e pai italiano, Emanuele Valle, que vem para a ilha investir na indústria conserveira, à qual a família está ligada há muito tempo.
A mãe é filha do governador militar na Madeira, que já havia sido governador civil nos Açores.
Estamos a referir-nos a Luigi Valle, que estuda até ao então 7.º ano (hoje 11.º ano) em diversas escolas do Funchal, entre Ilhéus, Salesianos, Lisbonense e Liceu de Jaime Moniz.
Em 1969 vai para Lisboa tirar um curso superior. Faz a faculdade sem perder uma única cadeira.

“Verão quente”

Só não acaba na altura certa porque se dá o 25 de Abril de 1974, o ano em que deve acabar o curso. Como são saneados praticamente todos os professores do instituto onde tira o curso superior, vê-se impossibilitado de terminar. Tem de esperar 18 meses para acabar a última cadeira. Passa em Lisboa o chamado “Verão quente”, o que não é nada agradável.
Acaba o curso a 17 de Novembro de 1976. Passa os últimos tempos em sobressalto com ameaças constantes de contra-revoluções, com as pessoas a dizerem que têm de fugir, ao que Luigi Valle pergunta sempre: «Para onde?».

Regresso à Madeira

Para a última cadeira precisa de, pelo menos, um 18 para conseguir a média de 15 ou 16 no curso de Finanças no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras — ISCEF, que, depois, passa a Instituto Superior de Economia.
Regressa à Madeira a 25 de Novembro, apesar de ter a intenção de ficar na capital a trabalhar, não só na área da sua licenciatura como noutros domínios.
Chega à ilha, onde o espera trabalho nos Estabelecimentos Moro, nas duas fábricas do pai.
É igualmente convidado para leccionar no liceu.

O prof. Luigi

Em Dezembro já trabalha nas referidas fábricas (no Amparo e na Ponta da Cruz, no Funchal) e, logo a seguir, torna-se professor de Matemática.
Durante dois anos acumula as funções de director das unidades fabris com a de docente. Considera uma experiência interessantíssima.
Dá aulas de manhã, das 8 às 10, e repete o leccioamento à noite, das 19 às 22 horas.
Durante o dia está na fábrica.
Os fins-de-semana são passados a preparar as aulas e a corrigir pontos.
Dois anos depois é convidado para director da empresa de serviços Cienta. Conhece António José Correia de Jesus. Ali fica durante 24 meses.
Em 1981, com Correia de Jesus, Francisco Costa e Dionísio Pestana forma duas sociedades: a Previsão e a EPDM (Empresa de Processamento de Dados da Madeira).
Trabalha directamente na Previsão até 1986, período em que mantém uma ligação estreita à fábrica (na altura é só uma).
Neste mesmo período, entre 1981 e 1986 é coordenador do Gabinete de Estudos e Planeamento do Turismo.

O amigo Dionísio

Desde 1978 até 1983 é presidente do Conselho Fiscal da M&J Pestana, o embrião que passa a ser hoje a “holding” do Grupo Pestana. É nessa altura que conhece Dionísio Pestana, o dono do grupo.
Em 1983 passa para director financeiro desta empresa, onde fica durante três anos, altura em que é convidado por Dionísio Pestana para ser administrador da M&J Pestana, em substituição de Ricardo Camacho, e administrador da ITI, que acabara de ser comprada.

A opção

Tem de optar.
Deixa a Previsão, em termos de tempo inteiro, assim como sai do gabinete de estudos da Secretaria Regional de Turismo, que considera ter sido uma experiência muito interessante. Interessante por ter entrado na problemática do turismo, vista numa outra perspectiva. Fica a conhecer as visões pública e privada.
A partir de Setembro de 1986 é administrador do Grupo Pestana e passa a ser presidente do Conselho de Administração de algumas sociedades.

A lista de Valle

Luigi Valle é presidente do Conselho de Administração da Djebel-SGPS, S.A., da ITI — Sociedade de Investimentos Turísticos na Ilha da Madeira, S.A., e da Hotéis Atlântico — Sociedade Imobiliária e de Gestão de Hotéis, S.A..
É administrador de Carlton Palácio – Sociedade de Construção e Exploração Hoteleiras, S.A., de M&J Pestana — Sociedade de Turismo da Madeira, S.A., e da SDM — Sociedade de Desenvolvimento da Madeira, S.A..
Por outro lado, é sócio-gerente dos Estabelecimentos Valle (Conservas da Madeira), Lda., da Viva Travel — Agência de Viagens e Turismo, Lda., da E.C.F.P. — PREVISÃO — Empresa de Contabilidade e Formação Profissional, Lda., da E.P.D.M — Empresa de Processamento de Dados da Madeira, Lda., e da Sociepra — Sociedade Importadora e Exportadora de Produtos Alimentícios, Lda..
É ainda Vogal da Mesa da Assembleia-Geral da Sociedade Turística Palheiro Golfe, S.A..

Estimulante

Apesar de tanta responsabilidade, Luigi Valle diz que o tempo que trabalha no Grupo Pestana tem sido extremamente estimulante na medida em que no seu seio «é difícil ter dois iguais».
Conhecido por trabalhar bastante, desperta em cada dia para um grupo em constante crescimento e diversificação.
Diz que, ao contrário de outros trabalhos, onde, depois de atingir a velocidade de cruzeiro, tudo se torna monótono, tem o privilégio de, em cada vez que atinge aquele patamar, se deparar com novos desafios. E aí «começamos praticamente de novo». «As áreas que já estavam praticamente em velocidade de cruzeiro dão como que um trambolhão, obrigando a um repensar, reestruturar, ou outra atitude qualquer».
Luigi Valle recorda que isto mesmo aconteceu em 1988, quando o grupo decide ficar com o Casino da Madeira. Nessa altura, juntamente com Dionísio Pestana, tem de partir do zero. Isto porque está subconcessionado, pelos antigos proprietários do ITI, a uma sociedade libanesa-americana.

Experiências interessantes

Desde então, o Casino da Madeira tem proporcionado ao grupo uma experiência «interessantíssima», muito diferente da hotelaria, onde já havia uma experiência a remontar a 1972, e, inclusive, conta com apoios de cadeias internacionais como a Sheraton.
Outras experiências que considera relevantes surgem no seu percurso profissional, como o alargamento do grupo para o continente, com os investimentos no Algarve, em Lisboa e no Porto, e a entrada da ITI na Bolsa de Valores de Lisboa, em 1987. Uma acção que acaba de culminar na saída da sociedade das cotações para permitir ao Grupo Pestana reestruturar-se.
Mentiras sistemáticas
Sobre esta questão da Bolsa recorda o percurso sinuoso durante o qual surgiram «mentiras sistemáticas» de algumas pessoas a que chamaram de «interesses minoritários na ITI». Diz que esta situação está totalmente resolvida e cem por cento a favor do grupo, havendo até um reforço de um entendimento do público e do mercado dentro de algum tempo.
Recorda que, internamente, nunca houve dúvidas do que faziam. Não obstante, acusa alguns jornais do continente de terem um «comportamento indigno que magoou muito as pessoas ligadas ao processo».

O Brasil

Em suma, em relação a este período, recorda-o como muito complicado, com o grupo a necessitar de atenções redobradas para reparar notícias que não eram verdadeiras. Um tempo que diz poder ser utilizado a fazer acções mais nobres.
Posteriormente, surgem os investimentos no Brasil, onde são aplicados, nesta fase, perto de 12 milhões de contos.
É um mercado emergente para o grupo que obriga a atenções redobradas e a um olhar atento pelo que se desenrola no Brasil, o que não acontecia antes.
Isto para não falar dos investimentos hoteleiros em Moçambique e, na perspectiva de outros, em partes diferentes.

O privilégio

Perante tudo isto, Luigi Valle diz que tem o privilégio de trabalhar junto de Dionísio Pestana, no Pestana Carlton Park. Luigi Valle está no segundo andar e o patrão do grupo precisamente no mesmo enfiamento no andar de cima.
Esta situação permite um relacionamento ainda mais estreito entre os dois ao ponto de Luigi Valle ser considerado o “braço direito” de Dionísio Pestana.
Luigi Valle realça que Dionísio Pestana deposita nele uma grande autonomia e responsabilização, que contribui para que «possamos desenvolver».
«Se o presidente do grupo não transmitisse confiança em quem colabora consigo directamente, não teríamos crescido desta maneira.»
Refere que o Grupo Pestana se tem desenvolvido, em primeiro lugar, com a perspicácia empresarial do próprio presidente e, por outro lado, devido à confiança que deposita em pessoas como ele, que permitem que as coisas andem. «Só com uma grande confiança mútua é que podemos progredir».

Trabalhar bem

Além do mais, diz que o cargo que ocupa faz com que tenha como aspirações trabalhar bem. Não está em concorrência com ninguém nem com receio de ser ultrapassado. Por isso mesmo, sublinha que trabalha completamente à vontade. Um à-vontade que surge, precisamente, devido à liberdade para poder desenvolver.
Sobre esta matéria, lembra mesmo uma tirada de Raul Solnado que se queixa de o pai o ter obrigado a ser bombeiro voluntário.
Transpondo para a sua situação sublinha que, se quer ter as funções e a responsabilidade que tem, «só as pode assumir porque quer. Se assim não for, não há dinheiro que pague».
Não é de espantar que diga que acorda sempre bem-disposto e com muita vontade de trabalhar.

Fazer o que é preciso

Em relação ao tempo médio de trabalho diário, diz que não o tem. Trabalha o que precisar. Não tem horários. A sua preocupação é ter o trabalho feito.
Tem a particularidade de se fechar para se concentrar num assunto a necessitar de mais atenção. Nessas alturas pede às secretárias para não o interromperem, o que é cumprido na íntegra.
Por gostar de trabalhar de manhã, algumas vezes está no escritório às sete da manhã a tratar de assuntos delicados. A sua entrada “oficial” no escritório acaba por ser mais tarde, altura em que diz “cheguei”. Está pronto para tratar das questões correntes, que considera ser extremamente absorvente.

A ACIF

Além das empresas, Luigi Valle é presidente da Mesa de Hotelaria da ACIF-CCIM há 14 anos. Considera ser um trabalho gratificante. Em primeiro lugar por ter a confiança dos hoteleiros nos últimos 14 anos.
Além disso diz que é fundamental, quando se assume uma função como esta, ser independente.
Apesar de estar integrado no maior grupo hoteleiro da Madeira e de Portugal, realça que tanto defende uma pousada no Porto Moniz ou noutro local como o faz em relação ao maior hotel do Grupo Pestana.
Este posicionamento contribui para que, ao longo destes anos, nunca nenhum colega de Mesa tenha saído. Os que o fazem é para exercer outras funções no seio da Associação.
Reconhece que o Grupo Pestana lhe dá um grande suporte mas entende que o trabalho que tem feito nestes 14 anos é seu.

A revisão do CCT

Durante este período, fica com pena de ainda não ter concretizado um desejo antigo: a revisão do Contrato Colectivo de Trabalho na hotelaria, que considera caduco e ultrapassado.
Sobre esta matéria, entende que a ACIF e o sindicato ainda não se entenderam para poder ser feita uma modernização do contrato.
Outro ponto que gostaria de ver soluccionado tem a ver com a Sociedade de Promoção Exterior. Por agora diz não falar mais porque o processo está nas mãos do presidente do Governo Regional.
A nível associativo esteve durante dois mandatos ligado à Associação dos Hotéis de Portugal, em representação do Grupo Pestana, e, agora, faz parte da direcção da Associação Portuguesa de Casinos, em representação do Casino da Madeira.
No domínio empresarial, Luigi Valle é ainda sócio-gerente de duas empresas no sector das conservas: Estabelecimentos Valle (Conservas da Madeira) e Sociepra. 


2002-07-19
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