José Teothónio


Na Madeira pela qualidade

José Teothónio deu-se no 11.º ano com disciplinas para cursar Medicina. Mas esse não é o caminho que pretende seguir. Está mais voltado para as áreas da economia e da gestão.
É um gestor experiente, com um percurso rico antes de optar por vir viver e trabalhar com o Grupo Pestana na Madeira onde encontra a qualidade de vida que procura. Chama-se José Teothónio.


Vive em Beja até aos 17 anos, onde nasce e de onde são naturais os pais e grande parte da família.
Aquela idade marca a saída do Alentejo para Lisboa, para fazer o equivalente ao 12.º ano de escolaridade e, depois, tirar um curso superior.
Não obstante, José Teothónio deu-se no 11.º ano com disciplinas para cursar Medicina. Mas esse não é o caminho que pretende seguir. Está mais voltado para as áreas da economia e da gestão.
No entanto, para seguir os seus desígnios, depara-se com um problema para o qual existem duas hipóteses: voltar para trás e fazer as disciplinas necessárias desde o 9.º ano ou entrar para uma universidade privada. A segunda opção ganha. Vai para a Universidade Católica por permitir dar acesso ao curso de Gestão sem ter de voltar para trás. Apenas tem de fazer exames de Matemática e de Inglês.

O H

Não obstante dá-se um ligeiro contratempo pelo H que tem no seu nome Teothónio, herdado do avô espanhol. Na altura de aportuguesar nomes, tiram o H do bilhete de identidade. Quando pretende fazer a matrícula na Católica, o nome da cédula não condiz com o BI e lá tem de ir a Beja com o seu H tratar de o colocar no devido lugar.
Ultrapassado este contratempo, entra para a Universidade Católica onde faz o ano zero, o tal equivalente ao 12.º ano. Faz o curso completo. Depois lá continua até 2000 como assistente e, mais tarde, como regente das cadeiras de Contabilidade Analítica e Controlo de Gestão. Só quando decide vir para a Madeira, há cerca de dois anos, é que corta as amarras com a Católica e com o ensino, que também ministra noutras instituições.

O IPE em 20 dias

Não obstante, pelo caminho, desde que acaba o curso em 1987, tem outras ocupações. Logo nesse ano recebe um convite do Professor António de Sousa, que havia sido seu docente no último ano. Tinha vindo há pouco tempo dos Estados Unidos da América, onde fez o doutoramento, e está como administrador do IPE. Está a lançar toda a área financeira do instituto e tem uma série de ideias inovadoras para o afirmar. Para concretizar estes objectivos, convida José Teothónio e dois seus colegas.
Fica entusiasmado com o primeiro emprego e com o trabalho inovador que tem pela frente.
Não obstante, antes mesmo de começar, durante as férias que antecedem a entrada no mundo laboral fora da universidade, vê no telejornal a nomeação do Prof. António Sousa para secretário de Estado.
O tempo passa. A 1 de Setembro apresenta-se no IPE e, como o “pai” da inovação já lá não está, ninguém sabe o que dar para José Teothónio fazer. Por lá fica uns 20 dias a ler documentos. Ao fim desse tempo adoece. Tem de ir para casa. Lá fica cerca de um mês.
Quando volta, apercebe-se que não é bem o que projecta para a sua vida. Ainda fica algum tempo numa divisão alimentar: a Nutrinveste, que mais tarde é comprada pelo Grupo Mello. Mas acaba por sair para abraçar outro projecto.

A Lanidor

Em 1982 vai para a Lanidor, uma cadeia de lojas portuguesa, que está a lançar um “franchising” no país.
Na altura tem 14 lojas, a maior parte para a venda de lãs. Não comercializa muita confecção. Entra como sócia uma nova empresa, que produz fibras acrílicas. O objectivo subjacente é entrar na confecção para concretizar uma integração vertical. Daí querer desenvolver a cadeia de lojas. Por lá fica dois anos. Abrir lojas próprias Lanidor e, depois, em sistema de “franchising”.
José Teothónio faz as primeiras conferências sobre “franchising”, em paralelo com a Cenoura, que também está a fazer percurso idêntico. Percorre o país e tem oportunidade de vir à Madeira abrir uma loja em 1983, junto ao Lido. É a primeira vez que conhece a Região.

O governo

Ao fim de dois anos, os administradores dizem que as condições propostas no início do seu contrato não poderiam ser melhoradas nessa altura, tal como previsto, apesar de os objectivos terem sido atingidos. Compreendem a situação e, por isso, embora manifestem que pretendem continuar com os seus serviços, deixam a porta aberta, se quiser sair.
Curiosamente, na noite do dia em que ouviu a comunicação na Lanidor o telefone toca em casa. Do outro lado da linha perguntam se está interessado em ir para a Secretaria de Estado das Finanças. É secretário de Estado Elias da Costa. É um seu colega professor na Universidade Católica, com quem fala, mas não tem grande confiança. Reconhece os méritos de José Teotónio.
Como o governo está a lançar o processo de privatizações, precisa de alguém com experiência na área financeira.
O seu colega professor pergunta se está interessado. José Teothónio responde que, por razões que não quer explicar [que se prendem com as conversas que tem durante a tarde], nem quer saber de condições nem de ordenados. Diz logo que aceita o lugar.
Agora tem argumentos válidos para que, no dia seguinte, possa chegar junto dos administradores da Lanidor e dizer que, na sequência da conversa da véspera, os vai deixar. E assim aconteceu.
Já na Secretaria de Estado integra uma equipa que tem sobre a mesa as avaliações feitas às empresas. Por cada sociedade são feitas três avaliações: uma da própria empresa a privatizar e outras duas elaboradas por consultores. Normalmente, um era nacional e outro internacional.

Experiência enriquecida

O trabalho da secção onde trabalha (com quatro especialistas, no total) é o de estudar os três relatórios e efectuar um próprio onde são explicadas as diferenças entre eles, no sentido de propor o preço final para o governo tomar a decisão ao nível do preço assim como o esquema de privatização.
José Teothónio guarda gratas recordações deste tempo. Permite tomar contacto com as técnicas de avaliação das empresas na área financeira, de todos os grandes bancos nacionais e internacionais. Isto para além de ter colaborado nas privatizações do Banco Português do Atântico, Banco Espírito Santo, Rodoviária, Império, Bonança, Banco Fonsecas & Burnay, Banco Pinto e Sotto Mayor, entre outras.
Durante este período passa-se um episódio curioso. Com 26 anos, e já a trabalhar naquele departamento há cerca de um ano, um dia vem à baila, numa conversa com o secretário de Estado, a sua idade. Elias da Costa tem pela frente um jovem calvo e com constituição forte (longe de ser minimanente gordo). Está convencido de ter pela frente, com certeza, um trintão. Mas a idade que houve na resposta à sua pergunta é dita com naturalidade: 26 anos. Do outro lado, Elias da Costa faz uma cara de espanto e nem quer acreditar que tem um colaborador tão novo. Mas a competência fala mais alto que a idade e por lá fica quatro anos.

O Turismo activo

Posteriormente chega ao Turismo, onde ainda se encontra. Muda para a Secretaria de Estado do Turismo, onde tem um seu amigo como secretário: Alexandre Relvas, cuja mulher trabalha consigo na secção de privatizações.
Vai para chefe de gabinete.
Encontra um secretário de Estado muito activo, sedento de estar sempre na vanguarda. Por isso mesmo considera ter sido uma experiência muito enriquecedora.
Começa a trabalhar bem cedo, às sete da manhã. Por vezes é uma hora mais cedo.
Alexandre Relvas queria andar por esse país a conhecer o Portugal vendido ao turista. José Teothónio é companheiro constante de viagem. Diz que, durante os dois anos em que ali está, dá, seguramente, mais de duas voltas a Portugal. Incluindo as ilhas da Madeira e dos Açores. Muitas vezes vem ao Funchal, com o programa a ser feito, quase sempre, num dia. Sai de Lisboa no primeiro avião e chega a tempo de jantar na capital.
Desse tempo recorda o excelente relacionamento que mantém com o secretário regional de Turismo, João Carlos Abreu, e com a directora regional de Turismo, Conceição Estudante. Uma altura em que desenvolvem trabalhos conjuntos.
Todas as semanas, dois dias eram para andar por esse país fora. Vão pouco ao estrangeiro, com excepção de presenças institucionais.
Por outro lado, recorda que Alexandre Relvas gosta de manter contactos estreitos com os operadores turísticos, no sentido de saber como estão a analisar o mercado português.
Em 1995 sai. Entra no Fundo de Turismo, que tem como presidente Castelão Costa, que, curiosamente também está hoje no Grupo Pestana. Ali fica até ao final do ano 2000.
Passa pela revisão do II Quadro Comunitário de Apoio (QCA) e apanha todo o III QCA.
No II QCA havia poucos projectos e recursos para apoiar. Por isso mesmo, era um processo pouco selectivo.
No seguinte, com a evolução do sector, passa a ser mais selectivo.
Durante o período em que lá está, lançam os protocolos bancários. Um sistema que, curiosamente, estará na génese das alterações preconizadas, agora, para o Programa Operacional da Economia.

À procura da qualidade

Entretanto, passam seis anos. José Teothónio entende que é altura de mudar.
Casado desde 1990 ainda não tem filhos. Até Setembro de 1998.
Em 2000 decide, com a mulher, ter um segundo filho.
Contudo, depara-se com vida que não gosta. O filho fica na creche de manhã até ao fim da tarde, e mal tem tempo para estar com ele.
As deslocações do trabalho para casa demoram e a vida começa a estar com demasiado “stress”. Isto porque, além do trabalho no Fundo de Turismo, à noite tem de preparar as aulas que tem de dar nos dias seguintes.
É, definitivamente, uma vida agitada.
Nesse sentido, junto com a mulher, decide que é chegada a altura de ter mais qualidade de vida.
Que fazer? A melhor forma é sair de Lisboa e optar por uma das duas soluções existentes ligadas ao turismo. Beja não se enquadra porque quer estar ligado intensamente ao turismo. Assim, só tem duas hipóteses: Algarve ou Madeira.
Fala com pessoas amigas e vê qual a melhor forma de mudar de ares.
Uma das entidades que contacta é o Grupo Pestana. O seu desejo acaba por se encaixar nos do grupo hoteleiro madeirense que queria a colaboração de José Teothónio no Funchal, onde tem sede.

A Madeira

José Teothónio diz que o entendimento foi fácil e rapidamente muda de malas e bagagens para a Madeira para ser administrador do grupo.
Hoje recorda que, apesar de colocar as duas hipóteses à partida, devido às constantes viagens que fazia à Madeira, sempre esteve mais inclinado para este arquipélago.
Passado este tempo, não tem dúvidas em dizer que a qualidade de vida na Madeira é muito melhor que a de Lisboa. Então para quem tem filhos nem se fala.
Contudo, considera que sair de Lisboa pode provocar a situação de não encontrar um trabalho estimulante. Mas não é isso que acontece com o Grupo Pestana, conforme deixa bem claro. Com a dimensão que tem e o potencial de crescimento que perspectiva, desenvolve um trabalho que diz claramente estar a gostar de fazer.
Realça que, mesmo na capital, na área em que está a trabalhar, dificilmente encontra uma empresa tão aliciante como o maior grupo hoteleiro português.

Benfica e Marítimo

No domínio dos “hobbies” gosta do desporto. Essa é uma das questões que deixa de poder fazer quando vem para a Madeira. O seu lugar cativo no estádio da Luz, do seu Benfica, fica vazio.
Em compensação, quando vem para o Funchal, faz-se sócio do Marítimo e tem igualmente um lugar cativo no estádio dos Barreiros. Vai frequentemente ao futebol, excepto quando jogam os seus dois clubes, porque o seu coração está sempre, em primeiro lugar, com as “águias”. Teme exceder-se em eventuais festejos benfiquistas. Deste modo, prefere ver em casa.
Ainda no domínio do desporto, pratica “jogging”. É um tónico para a sua actividade.
Outro “hobby” que aprecia e pratica é sair com os amigos. Gosta imenso de conversar e jantar fora, uma realidade que consegue concretizar mais facilmente na Madeira.
Sobre o seu Alentejo, lamenta nunca ter tido ninguém que lute por ele no sentido de criar oportunidades de fixação das pessoas. Reconhece o mérito de alguns presidentes de Câmara, mas não chega. Falta a dimensão do desenvolvimento económico. Tal como reconhece que existe na Madeira.
A nível de leituras assume-se como um devorador de jornais. Lê todos os dias os dois principais jornais regionais: Jornal da Madeira e Diário de Notícias (Madeira), um jornal desportivo, o Diário Económico e o Diário de Notícias (Lisboa). Ao fim-de-semana lê quase todos os semanários publicados.
Nos livros, lê sobretudo os técnicos. Um hábito que vem da universidade, quando necessita de prepara aulas.
Da Internet, diz que não é um fanático. Só a utiliza quando necessita de colher alguma formação.
A nível do tempo de trabalho diário diz que, normalmente, entra às 9.30 horas e sai por volta das 19/19.30 horas. 


2002-06-14
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