João Santos


O homem do cimento


O primeiro emprego é numa agência de viagens. Mas depressa entra no Governo. Desde então nunca mais deixou de estar ligado ao mundo da construção. É, por duas vezes, director regional. Está na base da criação da Cimentos Madeira e é hoje presidente do Conselho de Adminsitração do grupo, que já tem outras empresas.


João Santos faz a primária na escola dos Ilhéus, o secundário, no liceu. É um aluno médio que associa os estudos à prática do futebol. Chega a jogar na equipa do Sporting da Madeira, quando milita na primeira divisão regional.
A dada altura, é chamado a cumprir o serviço militar obrigatório, durante 30 meses. Tem a sorte de não ir para o ultramar. Fica no continente.
Depois, João Santos vai para a faculdade, para o Instituto Superior de Ciências do Trabalho e Empresas, onde tira o curso de Organização e Gestão de Empresas. Termina-o em 1978.

Entrada no Governo

Regressa à Madeira. Tem uma passagem, muito curta, pela agência Ferraz, com ligações familiares.
Em Fevereiro de 1979 entra para o Governo Regional como técnico superior, na Secretaria Regional da Economia.
Dos primeiros serviços que tem no Governo um é o apoio à construção civil da Madeira. Entre outras funções tem a questão do abastecimento de materiais de construção, nomeadamente do cimento, que, naquele início de democracia, começa a ser problema. A Região Autónoma da Madeira inicia então o crescimento e o desenvolvimento, onde a construção tem um papel de destaque.
Em termos concretos, o serviço onde trabalha presta apoio técnico, económico e financeiro. Na prática, está dado o pontapé de saída para o contacto que mantém hoje com esta área.
No início dos anos 80 é nomeado pelo Governo Regional para a comissão administrativa na Cooperativa Agrícola do Funchal.
Consegue, assim, conciliar a parte pública com a privada, que tem mais a ver com a sua formação.

Director regional

Em 1981, é convidado para director regional do Comércio e Indústria. É secretário regional do Comércio e Transportes Miguel de Sousa, antigo colega de liceu e de faculdade, que acompanhará por mais de uma década.
Aceita o novo cargo. Faz com muita agrado e motivação. É uma experiência relevante na sua vida, que lhe permite um contacto ainda maior com a economia regional.
Por força do cargo é representante da Região no Conselho Nacional de Qualidade, o que lhe permite uma maior sensibilidade para esta questão, sobretudo numa terra que tem o turismo como principal actividade económica.
O apoio prestado inicialmente vai diminuindo ao mesmo tempo que a economia se desenvolve, com as empresas a encontrarem o seu mercado.
Mantém-se, contudo, a questão do cimento.

A solução do problema

Nesse âmbito, João Santos está ligado à solução de um problema que ajuda a responder ao crescimento e ao desenvolvimento na construção no sentido de encontrar ligações públicas e privadas, concretamente entre o Governo Regional e as duas empresas cimenteiras que corporizam o sector cimenteiro nacional: Cimpor e Secil.
É dessa comunhão de interesses que se inicia o processo de construção da Cimentos Madeira. Em 1984, é constituída a empresa. Cumulativamente, é nomeado gerente e director executivo por parte do Governo na fase inicial da empresa.
Nesse mesmo ano, Miguel de Sousa passa a ser vice-presidente do Governo Regional. João Santos é convidado a ser director regional de Finanças. E aceita. É uma altura em que se começam a lançar as bases do acordo de reequilíbrio financeiro entre Lisboa e a Madeira. Não existem ainda os fundos comunitários e as transferências do Orçamento de Estado são difíceis.
João Santos considera ter sido uma experiência que exige muito trabalho, mas, ao mesmo tempo, enriquecedora.

Na empresa a 100%

Mantém-se no cargo até Agosto de 1986, altura em que a empresa Cimentos Madeira começa a necessitar de um apoio mais efectivo.
No fundo, João Santos pode colocar em prática tudo aquilo que estuda na faculdade e é o seu desejo. Passa, então, a estar mais ligado à gestão empresarial.
Não obstante, ao mesmo tempo que Miguel de Sousa permite a desvinculação, pede que continue seu adjunto, O que acontece até deixar todas as funções governativas.
É ainda em 1984 que deixa as funções administrativas anteriores na Cooperartiva Agrícola. A partir dessa altura, passa a estar ligado apenas através do Conselho Fiscal.

A primeira descarga

Para termos uma ideia da importância da criação de uma empresa cimenteira na Madeira, atentemos ao seguinte: em 1978, a Região consome cerca de 60 mil toneladas/ano. Hoje está nas 550 mil toneladas (com a presença de mais uma outra cimenteira na ilha).
Os trabalhos para erguer a empresa, na foz da ribeira dos Socorridos, em Câmara de Lobos, duram 16 meses. As instalações são inauguradas a 6 de Dezembro de 1985, um dia em que atraca, pela primeira vez no terminal próprio, um navio graneleiro com cimento, para descarregar directamente nos silos erguidos.
A construção dos silos da Cimentos Madeira e a ensacagem permitem responder ao desenvolvimento de uma forma moderna e racional e contribuem também para parte do que hoje é a região autónoma.
Ao longo dos anos, a empresa cresce. É pioneira em diversas vertentes, como o início do negócio do betão pronto no Funchal.
Hoje, a Cimentos Madeira é grande e tem um conjunto de empresas no seu universo. É uma empresa com certificação de qualidade. Qualidade que leva o grupo a criar um laboratório que presta serviços às empresas do grupo e ainda a quem o solicite.

Preocupações ambientais

Em 1987, a empresa faz uma “mini” Cimentos Madeira no Porto Santo, antevendo o crescimento do mercado. Neste ano, a capacidade de ensilagem é aumentada.
A Cimentos Madeira tem na sua estrutura accionista o Governo Regional, com 43% do capital, e as duas cimenteiras, com os restantes 57% (43% da Cimpor e 14% da Secil).
Sob a sua responsabilidade tem cerca de 130 pessoas no universo do Grupo Cimentos Madeira.
A empresa Cimentos Madeira tem instalações em três partes: Socorridos, Caniçal e Porto Santo, com uma capacidade global de 30 mil toneladas (cerca de 20 dias de consumo).
Desde sempre, a empresa tem procurado associar, em primeiro lugar, os interesses económico-financeiros aos ambientais. Daí que considere que a empresa que dirige é um bom exemplo do que se deve fazer no cuidado com o ambiente, principalmente numa região que aposta fortemente no turismo.
Neste âmbito, diz que quem for à Cimentos Madeira, nos Socorridos, só sabe que se movimenta cimento porque vai lá comprar.
A comprovar o que afirma, a empresa ganhou este ano, com os seus jardins, o terceiro lugar no concurso “Funchal cidade florida”. Anteriormente havia ganho uma menção honrosa.

Acompanhar as grandes

A ligação às duas cimenteiras e, particularmente, à Cimpor, criada em 1976, tem permitido conhecer, desde 1979, todo o processo de gestão e de internacionalização.
João Santos participa em inúmeras reuniões em Portugal e no estrangeiro, onde conhece quase todas as fábricas que a Cimpor tem espalhadas pelo Mundo.
Igualmente gratificantes têm sido as acções de formação. Faz muitas. Destaca duas, que considera marcantes: uma é o programa de alta direcção de empresas, feito pela Associação de Estudos Superiores de Empresas, ligada ao Instituto de Estudos Superiores de Empresas, com a duração de seis meses, feito em 1988, dez anos depois de terminar o curso.
Uma década mais tarde, volta a fazer outro, na Madeira, na Universidade Católica: o PAGE — Programa Avançado de Gestão.
Ainda hoje continua a participar em acções de formação.
Considera que os conceitos teóricos são aprendidos na universidade, mas a vida evolui constantemente, pelo que ninguém pode estagnar. Uma evolução que o faz particularmente defensor de uma maior cooperação entre empresas no sentido de superar alguns constrangimentos.

Desporto

João Santos mantém-se ligado a outras empresas. É presidente, por exemplo, do Conselho Fiscal do IDE — Instituto de Desenvolvimento Empresarial.
É também presidente do Conselho Fiscal da Associação de Dirigentes Desportivos da Região Autónoma da Madeira, da qual é presidente Rui Marote.
No meio do seu percurso profissional, João Santos desenvolve uma experiência, que considera enriquecedora, no Clube Desportivo Nacional. É vice-presidente numa direcção predidida por Nélio Mendonça. Está ligado à área financeira.
O desporto sempre fez parte da vida do gestor. Depois do futebol inicialmente, hoje pratica ténis com amigos todas as semanas no Savoy. Um gosto que se prolonga nos dois filhos, Martim e Nuno, praticantes desde há muito da modalidade. A ligação ao futebol mantém-se, mas como adepto dos seus clubes de eleição: o Nacional e o Sporting Clube de Portugal.
João Santos é presidente da Associação de Ténis da Madeira, desde a altura em que é criada. Desde então tem sido seu propósito dar cada vez mais melhores condições à prática de ténis na Madeira. Exemplo disso é a construção de um compelxo de ténis no Papagaio Verde, em São Martinho, que vai permitir à Madeira voltar a ter torneios de ténis, desta feita em muito melhores condições. Inclusivamente ter eliminatórias da Taça Davis, que ainda não ocorreu, precisamente por não haver condições. Além disso, tem prestado apoio à Sociedade de Desenvolvimento do Porto Santo, que constrói alguns “courts” de ténis.
Na altura em que estiverem concluídas as instalações, em meados do próximo ano, é sua intenção passar a pasta da direcção a outra pessoa.
Em matéria de “hobbies”, João Santos privilegia o desporto, particularmente o ténis. Também gosta de ler, ouvir música e ir ao cinema.
Gosta igualmente de viajar. Faz férias, uma parte no Porto Santo e outra noutro local, procurando conciliar sempre a sua realização em família. Mas também procura conciliar com as deslocações de trabalho.
João Santos é utilizador diário da Internet e usa frequentemente o correio electrónico.



2003-11-14
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