João Luís Lomelino

O gestor dos desafios

João Luís Lomelino dá os primeiros passos no mundo laboral ainda antes de fazer o curso. Começa no BES. Faz a tropa e a licenciatura. Várias empresas percorridas, é hoje presidente do CEIM.


Tem uma infância normal. Começa a estudar na Escola de São Filipe, no Funchal. Entre os colegas que tem nos dois anos que ali estuda, encontra-se Carlos Pereira, actual presidente do Marítimo.
Muda para o Lisbonense. Ali faz as terceira e quarta classes. Consegue grandes amigos. Guarda-os até hoje.
Posteriormente vai para o liceu. Ali fica até ao sétimo ano, actual 11.º.

O primeiro emprego

Perde a Matemática no último ano. Resultado: tem de ficar um ano a fazer uma única cadeira. Por isso mesmo, o pai decide encontrar uma ocupação para João Luís Lomelino: um estágio no Banco Espírito Santo, na secção de estrangeiros.
Hoje, recorda esse período com muita nostalgia. O que poderia ser um castigo resulta numa experiência que não mais esquece. Guarda daí grandes amizades.
Acompanha João Luís Lomelino, Francisco Tavares, que ali está por “castigo” idêntico.
Encontra ali uma escola de trabalho e de disciplina. Prepara-o para o futuro. Entra às 9 e sai às 18 horas, com intervalo para o almoço.
Durante este período consegue convencer o director do banco, Ramos Lopes, a reactivar a equipa de futebol da instituição. Consegue. Forma a equipa. Convida pessoas, algumas que não jogam futebol há anos. Passa a entrar em torneios.

A tropa

Em Outubro de 1974 começa a cumprir o serviço militar obrigatório. A boa nota que obtém no curso evita que seja chamado a ir para o ultramar, que está na euforia das independências.
Está seis meses em Tavira. O resto é feito na Madeira, no RIF, actual RG3. Cerca de um ano e meio.
Termina o serviço militar obrigatório em 1976.
A cadeira de Matemática já tinha sido feita enquanto trabalhava no banco.

Curso de Gestão

Vai estudar para Lisboa, para o ISLA — Instituto de Línguas e Administração. Tira o curso de Gestão de Empresas.
Durante o tempo em que estuda na capital, trabalha, em “part-time”, nos serviços administrativos de um laboratório de análises clínicas, em Lisboa, do médico madeirense Saul Figueira.
Terminado o curso, em 1981, regressa à Madeira.

A Aliança Atlântica

Começa a trabalhar na empresa Aliança Atlântica, na altura, representante da NCR, quando começa a desenvolver-se a informática na Madeira. É representante igualmente dos móveis Longra.
Por ali fica cerca de dois anos, mais nas áreas administrativa e de contabilidade.
Ganha novamente uma grande experiência.

Montar o “raspa-raspa”

Deixa a empresa para aceder a um convite inovador: instalar o Jogo Instantâneo na Madeira — o “raspa-raspa”, um projecto ligado a uma empresa Colares Pereira, sediada em Lisboa.
Pedem a João Luís Lomelino para ser o representante na Madeira.
Faz os estudos económicos para a implantação do jogo, em estreita colaboração com Lisboa.
Tudo está preparado para arrancar. Há um contrato com o Banif. Até que surge um contratempo: a Santa Casa de Misericórdia de Lisboa tem o monopólio do jogo e faz o processo entrar num grande impasse. Durante dois anos, tem de andar em tribunais.
É então que surge a proposta de uma parte do jogo reverter em favor dos municípios. Chega a participar nas primeiras reuniões da Associação de Municípios da Madeira. Iria ser o responsável da Associação.
Mas João Luís Lomelino está cansado do andamento e do impasse.

A Insular de Moinhos

Para ajudar, recebe um convite que não pode recusar. O amigo Luís Camacho diz que o pai, Ricardo Camacho, precisa de alguém para a área comercial na Companhia Insular de Moinhos.
Candidata-se à vaga. É aceite.
Começa a trabalhar como adjunto da administração de Ricardo Camacho, que diz ter sido um grande professor.
Assiste e colabora na transferência das instalações para a Zona Franca. Por ali fica cerca de cinco anos. Sai como director comercial.

A Bitrans

Um dia está no Funchal e, em conversa com Ricardo Sousa, à altura responsável pela Bitrans, diz que terá de deixar a gerência da empresa para abraçar um novo projecto na Empresa de Navegação Madeirense.
Como tal, anda à procura de um gerente para a empresa. E, numa esquina do Funchal, faz uma proposta irrecusável.
Fica confuso. Está numa das maiores empresas da Região. Mas, como nunca tem por hábito estar muito tempo num mesmo lugar, entende que é altura de um novo desafio.
Pensa seriamente na proposta.
Como é bem tratado na Insular, entende ser justo conversar com Ricardo Camacho e explicar o que se passa. Do outro lado, ouve palavras de incentivo para seguir em frente.
Decide aceitar a proposta.
Em 1988 entra como gerente na Bitrans. Por ali fica durante 12 anos. Durante este período chega a receber um convite de Gris Teixeira para entrar para a Bonança. Faz os testes e passa. Mas não quer deixar a Bitrans.

Convite para o CEIM

Casado e com filhos, considera já não ter grande espírito para grandes aventuras. Mas surge um novo desafio na sua vida. Um convite complicado, pelo desconhecimento, e honroso, ao mesmo tempo. O vice-presidente do Governo faz o convite para ser o representante do Executivo, como presidente, no Centro de Empresas e Inovação da Madeira, no Madeira Tecnopolo.
Faz um acordo com Luís Miguel Sousa, do grupo Sousa, a quem agradece, e parte para o novo desafio, onde já está há três anos.
É uma área completamente diferente da anterior. Dos transportes parte para a área das novas tecnologias e da formação de novas empresas, que lhe dá um gosto imenso.

Empresas familiares

Curiosamente, João Luís Lomelino nunca quis trabalhar nas empresas familiares, como a Corama e a Unibasket. Sempre teve o desejo de, a nível empresarial, estar independente em relação à família. Além disso, o irmão José já lá está.
Não obstante, com a morte do pai, passa a ser sócio-gerente, não-executivo, da Corama, e sócio da Unibasket e da Cutipol, um projecto de qualidade mais recente.

O valor do desporto

Paralelamente a esta actividade, tem uma vida desportiva intensa. Considera o desporto um complemento excepcional aos estudos e ao trabalho. Isto para além de proporcionar grandes amizades e camaradagem. É uma componente incutida pelo pai, que tem procurado transmitir aos filhos.
Em jovem joga futebol no Marítimo, onde é campeão em juniores. Joga com Eduardinho. Pratica igualmente atletismo. Chega a jogar futebol e fazer provas nos Barreiros.
Faz parte dos órgãos sociais do Marítimo na presidência de António Henriques. Ainda fica algum tempo com Rui Fontes, de quem é amigo de infância.
Regressa com Carlos Pereira.
Nos primeiros anos da década de 90 é presidente do Clube de Ténis da Madeira, que praticamente não existe. O convite parte de Pity Borges. Nem número de contribuinte tem.
Monta o clube e por ali fica cerca de dois anos. Considera que cumpre a sua missão. Passa a pasta a Carlos Pereira. Ainda na componente desportiva, Francisco Santos convida-o para integrar os quadros sociais do Clube Naval do Funchal. É secretário da Assembleia-Geral do clube náutico.
Hoje, tem como “hobbies” principais jogar ténis. Pratica desporto, para o qual é sensibilizado desde novo pelo pai, três vezes por semana, cerca de duas/horas por dia.
Tem um grupo de veterenos, chamado “old boys”, que joga no Savoy há 30 anos. Faz competição, mesmo a nível nacional.
Gosta igualmente de viajar, o que vê como lazer e cultura. Normalmente faz férias em Fevereiro na neve com um grupo de amigos há cerca de 12 anos.
A juntar a tudo isto, às sextas-feiras, reúne-se com um grupo de amigos chamados “Bad Jocker”, o que acontece há já longos anos.
Lê muito, uma leitura diversificada. Livros começam a ser cada vez mais difícil, pela multiplicidade de informação que tem de assimilar constantemente noutras fontes.
No que se refere à Internet, diz-se completamente rendido às suas potencialidades.
Em relação à carga horária diária, não liga muito às horas de trabalho. Entende que se deve medir o trabalho pela produtividade e não pelo tempo.



2003-09-19
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