João Carlos Gomes

Tempo para leis, INATEL e Assicom

Tem na advocacia a sua grande actividade. Contudo, João Carlos Gomes é um homem dos sete instrumentos. Além de causídico, é secretário da direcção da Assicom e delegado do INATEL na Madeira.
Pelo caminho fica um estágio no continente que o faz percorrer o país, a função de deputado na Assembleia da República durante dois meses e o cargo de director do “Notícias da Madeira”, que deixa antes de sair o primeiro número.

A sua primeira escola é a da Apresentação de Maria, no Funchal. Muda para uma outra na Achada, dos professores Pedro e Conceição, para fazer a primária, que a anterior não permitia. Por estar adiantado na idade em relação ao ano escolar, muda novamente. Desta vez para o colégio Luís de Camões (hoje inexistente).
O preparatório recebe-o no antigo “Batalhão”. É uma escola que vive em paralelo com um quartel. Lembra-se de ver chegar alguns madeirenses mortos da guerra do ultramar.
Ali fica nos 1.º e 2.º anos (actuais 5.º e 6.º anos de escolaridade).
Passa para o chamado “seminário menor” nos seus 7.º e 8.º anos.
O 9.º ano já é feito no Liceu Nacional do Funchal (actual Escola Secundária Jaime Moniz). Por essa altura abre o Cine Santa Maria, a poucas centenas de metros da escola. João Carlos Gomes, que anda na parte da tarde, perde-se a ver filmes na nova sala e nos matraquilhos. Resultado, no fim do ano marca passo e tem de ver o mesmo filme das aulas. Tem de repetir o 9.º ano, o que faz novamente no liceu.

Universidade

O ano seguinte já é feito na APEL, na área de Ciências, tal como o 11.º ano. Quando passa para o actual 12.º ano, vê que está na área errada. Decide não ir. Pede autorização ao secretário regional e ministro da Educação para frequentar os 10.º e 11.º anos ao mesmo tempo na área de humanísticas. Tem de fazer exames de dois em dois meses. Faz e consegue passar no ano seguinte para o 12.º.
Terminado o secundário candidata-se à universidade no curso de Direito. É o único curso a que concorre. Entra em Coimbra.
Quando conhece o resultado, está no Porto Santo e deixa-se ficar com o clima ameno da ilha. A terra dos estudantes não o cativa. Prefere a cosmopolita Lisboa.
Entretanto, uma amiga diz que vai candidatar-se à Universidade Livre. Fernanda Cardoso pergunta a João Carlos Gomes se está interessado. Responde afirmativamente e pede para o inscrever. Assim acontece.
Faz exame e entra juntamente com a sua amiga.
Vai para a Universidade em 1983, para a Lisboa que conhecia de táxi, dos passeios que dá com a família.
Estuda e aproveita a vida da capital.

A cisão

Quando está no terceiro ano, dá-se uma cisão entre a administração e os professores. O governo é conivente. De uma surgem duas: as universidades Lusíada e Autónoma. João Carlos Gomes vai para a Lusíada, uma universidade que fica mais longe do que a central Livre. Além disso, não gosta muito da nova instituição. Perde um exame.
Pede para repeti-lo na Autónoma. Autorizam. Fá-lo e passa para o quinto ano.
É o 13.º licenciado a sair da Universidade Autónoma, quando termina o curso em 1988.

Estágio pelo Alentejo

Ao contrário dos seus conterrâneos não quer vir para a Madeira. Considera que cinco anos é pouco tempo para viver em Lisboa.
Pede ao pai para se manter na capital e fazer lá o estágio. Tem luz verde. Consegue realizar o estágio com o assessor do então Presidente da República Mário Soares, Victor Ramalho, ex-secretário de Estado do Trabalho. Posteriormente viria a ser igualmente assessor do primeiro-ministro António Guterres e novamente secretário de Estado.
Victor Ramalho tem pouco tempo para apoiar João Carlos Gomes nas primeiras práticas. E como é o único estagiário com carro, quando tem julgamentos fora de Lisboa, incumbia-se de os fazer, tal como permite a lei, até determinado valor.
João Carlos Gomes recebe as indicações sobre os trâmites a seguir no processo como advogado e lá vai por esse país fora.
Compra um mapa de Portugal e faz julgamentos em Moura, Beja, Ferreira do Alentejo, Grândola. Por vezes, sai de Lisboa bem cedo para chegar a tempo aos julgamentos. Recorda esse tempo como aventuras que o deixam contente. Contente porque, paralelamente, lhe permite conhecer o país, sobretudo o Alentejo, onde o causídico tem muitos clientes.
Ali fica dois anos, apesar de o estágio ser de um ano e meio. Começa em Outubro de 1988 e acaba em Setembro de 1990.
Nessa altura pondera sobre o caminho a seguir. Decide vir para a Madeira viver.

O Parlamento nacional

Em 1990, antes de partir para a Madeira, o dr. Jorge Pereira, deputado do PSD em São Bento, convida João Carlos Gomes a integrar a Comissão Política da JSD. Sempre ligado à JSD e ao PSD desde muito cedo, decide aceitar, embora a sua prioridade seja dar satisfação à vida pessoal e profissional com o exercício da advocacia.
Não obstante, quando vem para a Região, para além de desenvolver as actividades profissionais referidas, colabora bastante nas actividades da JSD quando é presidente Miguel Albuquerque. Daí ter integrado a lista do PSD para as eleições legislativas de 1991, da qual também fez parte a sua amiga e colega Fernanda Cardoso.

A Assicom

Numa das suas viagens para a Madeira, encontra a bordo o madeirense Jaime Ramos.
Já na Região, diz-lhe que vão decorrer eleições na Assicom. Refere que como o pai de João Carlos Gomes é um homem da construção civil, faz gosto de ter um jurista na direcção. Diz claramente que conta com ele.
Já tinha ideia do que era a Assicom. Desse modo, em Março de 1991 vai para a Associação da Indústria e da Construção da Região Autónoma da Madeira, onde ainda está como secretário da direcção.
E, apesar de a Madeira ter falta de quadros, nunca se candidata a qualquer departamento do Governo. Ao invés, dá aulas. É professor durante sete anos. Ensina de manhã. À tarde exerce advocacia, nuns anos. O invés, noutros.
Lecciona Direito e Introdução ao Estudo do Direito e Administração Pública, na Escola Secundária de Francisco Franco, nos Salesianos, na APEL e em cursos financiados pelo Fundo Social Europeu.
Dá por si a trabalhar desde cedo atá à noite entre 1990 e 1997.
Não obstante, tem um interregno durante este período, quando está dois meses na Assembleia da República como deputado. Entre fins de Setembro de 1992 e princípios de Dezembro.
A saída dá-se depois de uma remodelação no Governo central, quando é nomeado ministro dos Negócios Estrangeiros Durão Barroso, actual primeiro-ministro. Nessa altura, sai do governo o madeirense Correia de Jesus, até então secretário de Estado das Comunidades.
Como é suplente do governante, tem de deixar o lugar para o efectivo deputado da Madeira pelo PSD.

Delegado do INATEL

Em 1993 é chamado ao gabinete do secretário regional Brazão de Castro. Antes de entrar, o governante refere que tem uma coisa para dizer e que João Carlos Gomes não pode negar.
Apanhado de surpresa, ouve o dr. Brazão de Castro perguntar se sabe o que é INATEL. João Carlos Gomes diz que tem uma ideia.
É dito que o responsável pela instituição na Madeira tem uma certa idade e está de saída.
Assim, faz gosto de o ter a dirigir o INATEL.
João Carlos Gomes questiona até que ponto iria preencher o seu tempo a proposta. Do outro lado ouve como resposta que o então presidente iria almoçar consigo para dissipar todas as dúvidas.
Fica de dar resposta no dia seguinte. Fala com a família, sobretudo com o pai, o grande conselheiro.
Decide aceitar. Lá está desde Maio de 1993 como delegado do INATEL na Madeira. Apesar das mudanças de governo, independentemente do partido que lidere os destinos do país, e eventuais alterações na direcção do INATEL, nada disso é extensível à Região porque o delegado é nomeado pela direcção nacional, depois de ouvido o governo. Há um estatuto dentro do INATEL, de acordo com a autonomia da Madeira.

Gerir o tempo

Muitas pessoas amigas perguntam onde consegue tempo para empreender tantas actividades. João Carlos Gomes diz que nunca pensou fazê-las todas de uma vez, mas dá por si no meio delas. Por isso aponta que a solução é uma questão de saber gerir o tempo e trabalhar muitas horas.
Não está arrependido porque salienta trazer uma riqueza de conhecimentos muito grande, sobretudo ao nível do relacionamento humano.
Na Assicom tem ligações a conjuntos de empresários dinâmicos que, por sua vez, empregam um sem-número de trabalhadores. Ali encontra empresários que pensam em construir e ganhar dinheiro, e ali são empreendidas as negociações para as convenções colectivas.
Por seu turno, no INATEL está ligado a casas do povo, grupos folclóricos, grupos de teatro, associações desportivas, recreativas e culturais, com o turismo sénior...
Isto para além da advocacia.
A juntar a estas actividades, um dia de Outubro de 1999, em conversa com Jaime Filipe Ramos, é convidado para director do “Notícias da Madeira”. Aceita mais este desafio. Até porque o considera aliciante e gostaria de o desenvolver.
Está ligado ao projecto de implantação e contribui, juntamente com a administração, para fazer o novo jornal. Dá o seu melhor.
Quando o jornal está para sair, apercebe-se que não pode ser um bom director se não tiver mais tempo do que aquele que lhe parece ser necessário no início. Entende que não pode enganar quem nele confia e diz claramente que não pode deixar de ser advogado.
A administração compreende mas pede para continuar. Faz-lhes ver que não é bom para o projecto nem para si continuar uns meses e depois sair.
Acabam por compreender e é escolhida alternativa.
Não obstante, continua ligado ao projecto em virtude de continuar a ser advogado do jornal da Rua dos Netos.
A este propósito recorda que tem tido outros convites para diferentes cargos mas deixa claro que tudo o que colocar em causa a sua continuação como advogado é muito renitente em aceitar. O que não obsta a que diga que um dia possa mudar de ideias.

Férias retemperam

Para retemperar as forças, tem de sair da Madeira três/quatro vezes por ano em viagens de férias, apesar de não gostar muito de andar de avião. Este ano já fez um passeio pela Europa e no próximo mês faz um cruzeiro pelos fiordes, durante uma semana. O que não dispensa igualmente são umas férias no Porto Santo. Em Setembro.
O somatório das viagens faz com que conheça muitos lugares do Mundo. Um mundo que o conhece de telemóvel desligado.
Na prática, viajar é um dos seus “hobbies”.
Por gostar de conversar, outro dos seus “hobbies” é estar com os amigos, sobretudo nos fins-de-semana. Neste âmbito, dá-lhe um grande prazer chegar ao fim-de-semana e jantar fora.
Além disso vai frequentemente à casa de férias da família nas Carreiras, onde não consegue estar um dia inteiro.
Outros momentos de lazer consegue-os a ler biografias de grandes figuras e livros de História, assim como ouvir música.

Internet

A nível do trabalho tem uma carga horária média entre as 10 horas da manhã (quando não tem julgamentos mais cedo) e as 20/21 horas.
Almoça na casa dos pais, no Caniço, mas demora pouco tempo. Pouco mais de meia hora.
Apesar de não ser muito dado às novas tecnologias (resistiu algum tempo ao telemóvel), utiliza a Internet como ferramenta de trabalho. Consulta-a para ver notícias.
O correio electrónico é utilizado na medida do necessário. 


2002-06-28
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