João Carlos Abreu


A arte de fazer Turismo com Cultura.

João Carlos Abreu começa na Star. Abre o inovador restaurante Romana, na Zona Velha. Passa pelo hotel Lidosol e, depois, pelo Sheraton.


Nasce em São Pedro. Mas cedo muda para a Rua de Santa Maria, na Zona Velha da cidade do Funchal, de que tanto gosta e ajuda a notabilizar-se.
Começa os estudos numa escola primária existente na Rua de Santa Maria, onde reside. Os pais defendem que os filhos devem frequentar as primeiras aulas junto das pessoas daquela zona da cidade.
Hoje, João Carlos Abreu considera que todos são muito humanos por isso mesmo. Por contactarem com colegas que, pela sua simplicidade, evidenciam a humildade, a honestidade e a lealdade. São factores que marcam o seu carácter e forma de estar na vida.
Estas características acabariam por guiar os irmãos para profissões com estes denominadores comuns. Um irmão mais velho de João Carlos Abreu cursa Medicina; a irmã, também mais velha, segue Enfermagem. E o próprio envereda pelo jornalista. São profissões ao serviço dos outros.
Na altura de deixar a primária, João Carlos Abreu opta pela então Escola Industrial e Comercial do Funchal (hoje Escola Secundária de Francisco Franco). Lá encontra bases muito fortes que mais tarde lhe são muito úteis. Por exemplo, o direito comercial é útil quando faz um curso de gestão de empresas, no norte de Itália.
Além disso, a instituição fica conhecida pela componente prática dos cursos, além do desporto que, para João Carlos Abreu, contribui para uma formação mais sólida e ainda por preencher o tempo da melhor forma.
Durante a sua infância e juventude, passa muito tempo no Almirante Reis, a Meca do futebol desse tempo na Madeira, e do glorioso Marítimo. Fala muito com Alexandre Rodrigues, um histórico do clube “verde-rubro”. Diz que o Marítimo vive dentro de cada um de nós.
Cresce a ver os barcos de outros mundos na baía. Chega a ir com os rapazes da mergulhança e com os bomboteiros, em canoas, até aos paquetes que ficam ao largo com turistas. Aquela gente, com outras vivências, fascina-o.
A dado momento da sua vida, ajuda numa comissão reguladora criada durante a segunda guerra mundial. O pai é chefe. A acção centra-se na racionalização dos alimentos.
É igualmente por influência do pai que entra no jornalismo. Redactor principal do Jornal da Madeira, o pai, Manuel Gomes Abreu, leva-o para a administração do periódico.

“Good morning”

Nessa altura é director o dr. Agostinho Gomes, e o chefe de redacção, o padre Jardim Gonçalves. É este último que o leva para a redacção. Nutre por ele uma grande admiração.
A determinada altura escreve um artigo sobre o mr. Stone. É um americano com uma grande figura que vive na Madeira, no hotel Bela Vista, onde hoje está o Pestana Carlton Madeira.
João Carlos Abreu nunca fala com este simpático cidadão, de uma cultura invulgar. Mas a forma de estar do americano, que, todos os dias, passa pelas pessoas e dá um respeitoso bom dia, entende por bem escrever um artigo intitulado “Good morning mr. Stone”.
O artigo agrada ao sr. Stone. Convida João Carlos Abreu e pergunta se ele está interessado numa bolsa para ir estudar para fora. Para Louvain, na Bélgica, numa escola de jornalismo. Encontra algumas dificuldades e parte para Roma. Entre 1962 e 1964 estuda na cidade do Coliseu. Chega em Agosto. Os alunos ainda estão de férias. Pouco sabe de italiano.
Há uma escola de beneditinos de jornalismo. É a escola de ciências políticas e sociais.
Por essa altura está a decorrer o Concílio Ecuménico. Considera outra grande escola. Lá estão os grandes teólogos do Mundo.
João Carlos Abreu mergulha na imprensa italiana. Lê para si em voz alta. Vai igualmente para a rua perguntar onde ficam as ruas que já conhece. A ideia é ouvir falar com insistência o italiano, que hoje bem conhece.

Roma

Conhece um jesuíta brasileiro, o padre Almeida, que o apoia muito.
João Carlos Abreu tem uma carteira de jornalista aceite no Vaticano e uma outra internacional, adquirida já na capital italiana.
Os contactos com jornalistas do país e de outras partes do globo abrem-lhe o mundo.
João Carlos Abreu alarga o âmbito das suas leituras e aproxima-se dos teólogos e das pessoas sabedoras do que se passa no mundo da Igreja e à sua volta. Conhece quase tudo o que se passa no seu seio. Enriquece-se culturalmente. Os limtes impostos pela ilha há muito que foram ultrapassados.
Mais tarde, decide regressar à Madeira.
João Carlos Abreu surge na ilha com um espírito inovador. Ajuda a dar uma nova abordagem no jornalismo na Região.
Contudo, a caminho da ilha, por barco, depara-se com o acidente do “Lakonia”.
João Carlos Abreu vem de Nápoles no “Corrientes”, um barco argentino, que, depois de escalar em Lisboa, é o primeiro a chegar junto ao barco que está em chamas no Atlântico. Um dos passageiros a bordo do navio que arde é Richard Blandy, falecido recentemente.
Pelas 23 horas já vê ao longe o grande clarão das labaredas que pintam o escuro da noite. Diz que é o belo-horrível a meio do mar.
Depois de chegar ao Funchal é solicitado pelas agências de informação internacionais, como a Reuters, para escrever sobre o acidente que vê.
Fica na Madeira durante algum tempo.

A Star e o JM

Depois, parte para Inglaterra. Vai para os arredores de Londres, a sul. Trabalha como empregado de mesa num hotel onde estão muitos estudantes que ali estão para aprender inglês. Fica por terras de sua majestade cerca de nove meses.
Entretanto é convidado a regressar a Roma. Algum tempo depois volta à Madeira. O pai adoece.
Chega ao Funchal e está para abrir a Star, que trabalha com a American Express.
João Carlos Abreu diz que os jornalistas do seu tempo, tal como hoje, são mal pagos. Por isso procura um complemento.
Entra para a agência de viagens Star e continua no Jornal da Madeira. Tal como o jornalismo, considera ser uma oportunidade de comunicar e estar em contacto com o mundo exterior.
Fica na agência até às 18 horas. Pelas 19/20 horas, vai para o jornal, onde fica até cerca da uma/duas horas da madrugada.
É uma altura em que surgem muitos cruzeiros na Madeira. A agência tem a seu cargo uma boa parte da operação em terra.
À frente da agência está Paulo de Matos, que João Carlos Abreu reconhece ser um grande técnico de turismo. Já o conhecia da Europeia.
Em conjunto, onde também se encontra Teresa Matos, a esposa, inovam todos os dias numa indústria a implantar-se com mais intensidade na Madeira.
Um dia transformam a praia do Gavinas para receber em grande os turistas finlandeses.
Nessa altura, não existem muitos restaurantes. A animação é pouca.

A Romana

Assim, em 1969 abre um restaurante: a Romana, na Zona Velha da cidade do Funchal. É uma pedrada no charco.
Começa com uma casa velha que aluga e transforma. A mãe cozinha. Cedo tem de ampliar o restaurante para uma casa do lado.
Tem o condão de fazer emergir uma zona da cidade condenada por Fernão de Ornelas. Algumas casas da Zona Velha têm argolas vermelhas a vaticinar demolição certa. A ideia é fazer uma cidade nova no berço da capital. Chega a andar com amigos a retirar, de martelo, as argolas condenatórias. Uma noite é preso.
Chega a receber cartas anónimas ameaçadoras. Mas continua.
João Carlos Abreu chama a atenção. Jornalistas locais e de várias partes da Europa falam da Zona Velha. Cada vez com maior insistência. Tudo isso faz com que o projecto de Fernão de Ornelas não tenha seguimento.
A área velha da cidade ganha, inclusivamente, um prémio: o “Pomme d’Or”.
Para promover ainda mais a zona onde cresce, orgazina uma festa de antiguidades. E uma festa da cerveja.
O restaurante é um sucesso. Está cheio com um ano de antecedência. Em vez dos números tradicionais nas mesas, coloca o nome de ruas e praças de Roma que tão bem conhece como os seus dedos e aprecia.
Com antecedência, as pessoas reservam para a rua ou praça da Romana onde querem comer na próxima viagem à Madeira.
Abre igualmente o Portão, na Zona Velha.
E, a um determinado momento, surge um novo convite. É de uma empresa internacional, de Lausana, na Suíça, que quer vir para a Madeira montar um grande negócio de flores.
A ideia é tê-lo na Madeira como administrador, juntamente com Paulo de Matos.
A Star possibilita que vá fazer um curso intensivo de gestão de empresas à Suíça.
O curso é uma junção de disciplinas alemãs, americanas e italianas. João Carlos Abreu é uma experiência nova em que a empresa de importação e exportação aposta.
Os professores vão à própria empresa, onde entra às oito e sai pela meia-noite.
Considera o curso interessante. Em cada mês tem de fazer tanto como durante um ano numa escola normal.
À frente da empresa está uma senhora. Muito racional. Nada emocional. Trabalha muito e, como tem de comer em casa deles, onde está a ficar, só dão a João Carlos Abreu uma alimentação muito reduzida. A justificação é que, para produzir, tem de comer pouco. Dizem que é assim que se faz aos cavalos. Contudo, sente-se cada vez mais fraco.
No final do curso faz uma espécie de tese no mercado das flores. Os indícios de fraqueza acentuam-se e cai de cama. Adoece. O médico aconselha a regressar a Portugal. Não querem ter responsabilidades. Quase dizem que tem um cancro.
Está muito magro.
Lembra-se de chegar ao Aeroporto de Lisboa e encontrar madeirenses que ficam espantados.
Já na Madeira faz uma espécie de “check-up” para atestar o seu estado de saúde. Lembra-se de uma radiografia aos rins, que quase toda a gente desmaia a fazê-la. Mas, apesar de debilitado, aguenta-se.
No fim de tudo, os médicos chegam à conclusão de que tudo não passa de uma consequência da fome.
Algum tempo depois, os caroços que tem no corpo desaparecem. Recupera.
A empresa suíça acaba por não vir para a Madeira, apesar de ter estado registada.
Depois, fica sete anos na Star. Chega a receber um convite para ir para a Meliá na Itália. Ao chegar a Roma, não tem uma recepção muito calorosa do director-geral, um espanhol que tem atitudes xenófobas. Vem embora, apesar de o presidente do conselho de administração, um italiano, manter de pé o convite que lhe endereça. Conhece João Carlos Abreu como guia durante uma visita que faz anonimamente.
Ainda se mantém no jornalismo.
Um dia, Carlos Ornelas Monteiro convida-o para ser director-geral do então novo hotel Lidosol (hoje são apartamentos de habitação), no Funchal.
Um dos sócios é Aníbal Trindade, que lhe deixa gratas recordações. É ele que introduz na Madeira os suecos. E também quem proporciona que conheça Maria Lamas.
Ali fica durante dois anos.

O Sheraton

Um dia, durante a festa da cerveja que organiza na Zona Velha, um dos primeiros directores do Sheraton, brasileiro, tem oportunidade de estar naquele ambiente. Gosta da dinâmica.
Quer conhecer João Carlos Abreu. Convida-o a trabalhar no hotel. Mas este declina.
Entretanto, esse director vai embora. Para o seu lugar vem um grego.
Um dia, vai fazer uma reportagem do hotel, uma cerimónia onde também está o comendador Manuel Pestana, o dono do hotel em construção.
Recebe novo convite. O novo director diz que o hotel precisa de alguém como director de relações públicas. Mantém o desinteresse. Até que, perante insistências, vai trabalhar, só a meio tempo. Daí a dias está a tempo inteiro.
Os primeiros tempos não são fáceis. Depara-se com contratempos no Sheraton.
Pedem para concorrer a um prémio internacional da cadeia no domínio das relações públicas. Não quer. Já recebera outros dois sem que tivesse dado conhecimento.
Referem que o papel de João Carlos Abreu é relevante. Não há quem tenha feito teatro, folclore, um jornal interno e que ainda conseguisse salvar a cidade velha. E, a ganhar o prémio, seria bom para a Madeira.
Começam as intrigas e as campanhas internas contra João Carlos Abreu.
Até que um dia pega nos prémios e, numa reunião de direcção, entrega-os. Diz que não precisa da Sheraton para nada. Vai-se embora. Acentua que o facto de ser solteiro lhe dá a possibilidade de sair pela porta fora quando bem entende.
Daí a cinco dias vão buscá-lo a casa. Organizam um grande jantar de homenagem. Fica novamente.
Recorda-se de um episódio que se passa no Sheraton.
Um jovem entra no hotel e alguém diz a João Carlos Abreu que não sabe o que vem fazer para ali. Em reposta, refere que essa pessoa ainda irá fazer muito pelas pessoas e pela hotelaria. E tornou-se verdade. Trata-se de Dionísio Pestana, filho de Manuel Pestana, o dono do hotel. Hoje é o maior holeiro da Madeira e do país. João Carlos Abreu não esconde que nutre pelo empresário uma grande admiração pelo seu desempenho empresarial e ainda pelo lado humano que reconhece no filho único do comendador.


“Percursos no Miramar”

João Carlos Abreu

O sonho adiado de ser missionário

Se começasse a vida de novo, teria certamente partido para as missões, com o intuito de ajudar os mais necessitados.

Alberto João Jardim forma governo na Madeira. Muito se fala da ida de João Carlos Abreu para o Turismo. Não acontece logo.
Um dia, o presidente do Governo incumbe o secretário Crisóstomo de Aguiar de o convidar a ir para o governo. E assim acontece. Deixa o Sheraton e vai para o Turismo. Inicialmente, para a animação.
Recebe um convite para uma empresa espanhola. Mas nega. Tem o compromisso no governo da Madeira, que quer manter.
Posteriormente, é nomeado director regional do Turismo. Nessa altura, vende a Romana.
Diz que a vida é feita de etapas. Faz e parte para outra. Por isso, não voltava a ter um restaurante.
Entretanto, é criada a Secretaria Regional do Turismo e Emigração. João Carlos Abreu passa a ocupar o cargo.
É o primeiro secretário para o Turismo, a Emigração e, mais tarde, para a Cultura. Sem a Emigração.
Continua a ser o secretário regional do Turismo e Cultura do Governo Regional da Madeira.
Mas o percurso de João Carlos Abreu poderia ter sido outro.
Revela publicamente que há muitos anos gostaria de ter ido para as missões. Se o tivesse conseguido, ficaria muito satisfeito.
Em Roma chega a estar na Opus Dei. Diz que gostaria de ter feito uma grande missão em África, a ajudar os mais necessitados. Humildemente, diz que talvez não reúna condições para ser um missionário. Isso não invalida que gostasse de ajudar numa missão.
Há poucos anos, 10 ou 12, esteve disposto a partir, para concretizar o seu desejo.
É uma época da sua vida de muita reflexão. Chega a falar com um director espiritual, um padre. Coloca o problema. Do outro lado, ouve que é melhor ficar no meio da sociedade a dar-se aos outros, em vez de partir para uma missão em África para ajudar desfavorecidos.
O sonho é adiado. Hoje, refere, contudo, que a sua idade, 67 anos, não se compadece para esses desafios.
À sua maneira, tem procurado ajudar os outros sempre que pode. Sem alaridos.
Não obstante, João Carlos Abreu sente-se magoado com o mundo da inveja e da mesquinhice do homem.
Recorda que sempre procura servir com entusiasmo, mas lamenta que isso, por vezes, esbarre com os outros. Além disso, diz que sempre procura servir com lealdade. E isso também esbarra nos outros.
Desabafa e diz que os corruptos devem viver com uma certa angústia. E, ao contrário deles, vive com uma grande paz.
Apesar de não estar arrependido do percurso, se começasse de novo, teria começado por viver mais tempo noutro país. Tem muito orgulho em ser madeirense e português, mas não gosta da coscuvilhice da ilha.
O facto de ter vivido algum tempo fora deste ambiente permite-lhe viver na Madeira noutro espaço. Não compreende como se pode fazer mal aos outros.
Não guarda rancor de quem lhe faz ou quer mal. Mas isso não impede que se lamente da maldade que lhe fazem.

Ler, escrever e viajar

Como “hobbies” gosta muito de ler. Adora viajar e beber a cultura de outros locais e gentes. Não gosta de o fazer sozinho. Prefere ir em grupo, pelo enriquecimento que proporciona.
Não toma notas das viagens nem tão-pouco tira fotografias para recordar. Traz recordações.
Além de ler, também é escritor, sobretudo de poesia. Não escreve por sistema. Pega na caneta apenas quando lhe apetece e tem tempo. Como resultado, tem livros e trabalhos publicados e muitos prémios literários conquistados.
Só não faz mais porque tem uma vida profissional e social que ocupa muito do seu tempo.
Também gosta de ver bom cinema. Boas películas. Nada de tragédias ou filmes que o deixem triste.

A casa-museu

Neste momento, prepara-se para abrir um novo núcleo museológico. A casa chama-se Universo de Memórias de João Carlos Abreu. É a história da sua vida.
João Carlos Abreu faz uma doação à Região de parte do seu espólio, entre as quais se conta uma colecção de 800 cavalos, uma das suas grandes paixões. Não tem mais porque não tem espaço. Trata-se de uma paixão que nasce pela elegância, dedicação e carácter acentuado de lutador e heróico.
Além disso, tem uma colecção diversificada. Destaque para a colecção de gravatas. São cerca de mil em exposição.
O edifício, situado junto ao Museu das Cruzes, oferece ainda um auditório e uma casa de chá de apoio.
Pelo conhecimento que têm do gosto de João Carlos Abreu, muitas pessoas oferecem cavalos. E gravatas. Uma amiga rica de Itália comprou um dia uma gravata por 200 contos, a favor da luta contra o cancro. Depois mandou-a ao amigo madeirense. Mas também compra muitas e oferece igualmente imensas. Por isso, não causa admiração que ainda tenha largas centenas em casa.
A casa-museu deve abrir em Março ou Abril do corrente ano.

Mais iniciativas

João Carlos Abreu diz ter pena que outras pessoas não tenham feito o mesmo com o seu espólio, por entender que a Madeira precisa de mais unidades com estas características.
A nível das novas tecnologias, como a Internet e o correio electrónico, reconhece o seu valor, mas não as usa. Ainda escreve à mão.
Uma nota final para referir que João Carlos Abreu, pela posição que ocupa e, acima de tudo, pelo percurso profissional que tem e qualidades humanas de que dispõe, é convidado inúmeras vezes para fazer conferências internacionais, para falar do turismo e da cultura da Madeira. Não faz mais porque não tem tempo. 


2003-02-14
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1 comentário:

  1. Fantástica biografia. Baseada claro, numa extraordinária história de vida!

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