Henrique Fernandes


Do alemão ao mundo das viagens


Henrique Fernandes. Amante da disciplina tem no turismo uma das suas grandes paixões. Seguidor da “pontualidade alemã” (alguns minutos antes da hora marcada), não esconde a sua sede de aprender e de ir cada vez mais longe. Um projecto que, no entanto, pretende ser sustentado e devidamente ponderado.
Chega a ser professor, mas não é bem o que queria para fazer carreira.
O gosto pelo alemão, que surge na escola, abre a porta do turismo que jamais deixou, a par do qual, quando pode, põe em prática um dos seus “hobbies”.


Passa a adolescência e a juventude a acompanhar o pai nos negócios de vinho. Mais tarde consegue mesmo ser viticultor, embora a escala reduzida.
Faz a escola primária nos Salesianos, que considera ter dado a melhor educação possível dentro do sistema de ensino da altura.
A secundária, até ao antigo quinto ano (actual 9.º) é igualmente feita na referida escola, lá no alto do Funchal.

O ás do xadrez

Dessa altura guarda as melhores recordações da camaradagem e os colegas de xadrez, de que é campeão escolar em 1974. A única vez que consegue brilhar no mundo do desporto.
Ainda está a fazer o liceu, para os então 6.º e 7.º (actuais 10.º e 11.º), quando se vê forçado a empreender um “stand by”. Os seus irmãos estão a cumprir o serviço militar e deixam o negócio da família desapoiado. Henrique Fernandes é a salvação. Vai dar uma ajuda ao pai. Durante um ano fica à frente dos negócios.
Mais tarde consegue voltar ao liceu.
Recorda que compra os livros necessários e decora um: o de alemão. Sabe-o todo de uma ponta à outra, embora reconheça que grande parte das palavras não faz a mínima ideia do que representam na língua de Camões.

Henrique alemão

Perante este prodígio de memória, com assimilar do significado do que interioriza, não se torna difícil ser o melhor aluno na língua germânica. E mais que isso, ganha a alcunha de “Henrique alemão”.
A base de latim ganha nos Salesianos ajuda na compreensão do alemão.
Nesses últimos anos do secundário enfrenta alguns levantamentos estudantis. Faz parte de associações de estudantes. Diz que as pessoas já podiam começar a falar e, com os seus 15/16 anos, quer evidenciar-se como pessoa.
Com o conhecimento adquirido com o alemão, acaba por optar pela área de germânicas.

Guia intérprete

O ingresso na universidade estava no horizonte, mas, com a necessidade de ter de trabalhar para conseguir o seu pé-de-meia, opta por um curso ministrado na Madeira: o de guia intérprete. Além disso, tira partido do seu forte alemão num destino turístico onde os clientes da Alemanha têm um peso significativo.
Estuda na Academia de Línguas da Madeira e faz o curso na Escola de Hotelaria.
Logo que acaba, consegue emprego sem dificuldade.
Nas oportunidades viaja por essa Europa fora. Aproveita o Inter-rail, que permite andar de comboio por esses países todos da Europa, a preços bastante acessíveis. A língua alemã e as outras aperfeiçoam-se e os conhecimentos ampliam-se. Guarda gratas recordações das seis ou sete viagens que faz nestes moldes, onde consegue fazer inúmeros amigos e amigas.

Vida de “milionário”

A brincar, diz que consegue ter uma vida de milionário sem o ser. Pode tomar o pequeno-almoço em Espanha, almoçar em Paris e jantar na Bélgica.
Não sendo amante de fotografia, regista no seu próprio arquivo as imagens das viagens: a cor das malas, de gentes; o cheiro das gares; os sons que as pessoas fazem nos comboios…
De regresso à Madeira, volta a trabalhar como guia intérprete. Tem muita aceitação nos mercados alemão e inglês porque são línguas que domina perfeitamente. No italiano também dá uns toques. Os turistas é que são poucos.

Rumo aos Açores

A vida evolui. É proposto ir trabalhar para os Açores como guia intérprete oficial. Curiosamente, com a Neckermann, um operador turístico alemão, que, mais tarde, acabaria por estar directamente ligado na Madeira.
Aceita o desafio. Vai para as ilhas de Nemésio. O circuito passa por quatro ilhas: São Miguel, Terceira, Faial e Pico.
Antes de partir compra todos os livros disponíveis sobre os Açores. Até então conhecia tanto as ilhas como a localização das estrelas no céu. Contudo, não havia muitas publicações.
Durante duas semanas mergulha na informação e, no final, dá consigo a falar sozinho com tanto querer saber o mais possível.

Regresso à Madeira

A primeira vez que chega aos Açores pega no grupo de alemães e, dentro de um autocarro, que nem microfone tem, fica a meio, para se fazer ouvir. No meio de fumos do velho veículo consegue deixar a ideia de que não está ali, tal como os turistas, pela primeira vez.
Lá fica durante duas temporadas. Regressa ao Funchal.
Passa por diversas agências. Começa pela Star. É convidado para a Blandy, para ser representante do operador alemão Airtours.
Mais tarde vai para a Intervisa, com a empresa Catur.
A Catur acaba por se formar no Funchal e Henrique Fernandes faz parte dos quadros.
Mais tarde muda para a Euromar como chefe de agência. Lá fica durante quatro anos, onde recorda experiências muito agradáveis com os colegas e os donos da empresa.

A grande aposta

Enriquece profissionalmente de tal maneira que considera que, por mais que pensasse em fazer outra coisa, só havia um caminho a seguir: o turismo.
Depois, desde há cerca de oito anos, sai e fica com a responsabilidade de dar corpo a toda a programação da Neckermann, na altura. Neckermann que passa posteriormente a C&N (Condor & Neckermann) e mais recentemente a Thomas Cook. Para o efeito, abre então na Madeira a Algarve Tours. Uma empresa que nasce no Algarve e que completa oito anos este mês.
Paralelamente a tudo isto, cria uma empresa no Porto Santo: a Dunas Viagens & Turismo. Trata-se de um projecto a que dá corpo com amigos, agora sócios. Tem uma filosofia simples: dar corpo a um projecto de viagens e turismo, na importação e exportação na ilha. Tem o condão de ser a maior agência de viagens da “Ilha Dourada”, com viaturas próprias.

Spring Car

Há cerca de um ano cria uma nova empresa: a Spring Car – Viagens e Turismo. Nasce vocacionada para a área do turismo. Henrique Fernandes considera que tem presentemente os autocarros mais modernos e confortáveis no sector na Região. São os escandinavos Scania, com carroçaria portuguesa de Alfredo Caetano, filho de Alfredo Caetano, que é irmão de Salvador Caetano.
Neste momento, a frota da Spring Car é composta por quatro autocarros de 53 lugares e três carrinhas (a caminho da quarta), que prestam apoio aos clientes.
É uma empresa de Henrique Fernandes e da esposa, também ligada directamente ao turismo (é guia intérprete), que está a crescer lentamente, dentro da estratégia delineada. Tem o condão de ser a primeira a receber alvará para realizar os fins para que foi criada.

Crescer

Nos seus horizontes estão saltos maiores, como a hotelaria. E mesmo expandir para fora do arquipélago. Mas o empresário diz não querer dar o passo maior que a passada. Além do mais, entende que os tempos não são os mais propícios para novos empreendimentos, se não estiver aliado a um grupo.

Leituras que actualizam
Empresário a evidenciar uma grande dinâmica no seu comportamento, não causa espanto o facto de trabalhar diariamente, em média, oito/dez horas.
Num mundo em constante mudança, Henrique Fernandes não descura a aprendizagem contínua.
Lê mais jornais estrangeiros do que nacionais para manter sempre um contacto permanente com a língua. Isso acontece com o jornal alemão com uma das maiores tiragens: Frankfurter Allgemeine Zeitung, o Finantial Times, em alemão, entre muitos outros, onde se incluem, inevitavelmente, os de turismo.

Os jornais locais

Não obstante, não deixa de ler os dois principais jornais da Região: Jornal da Madeira e Diário de Notícias, o que faz logo pela manhã. Lê ainda o Público e o Expresso.
A nível da Internet, consulta-a algumas vezes. Inclusivamente, está a fazer um “site” para uma das empresas. Entende que quem não estiver na Internet fica pelo caminho.
Nas leituras dedica igualmente tempo à parapsico-fisiologia (em traços gerais, dedica-se ao comportamento do homem), embora diga não existir muita diversidade em Portugal.

A paixão pelas armas

Quanto a “hobbies”, Henrique Fernandes dedica algum do seu tempo à colecção de armas. A mecânica que as caracteriza e a conduta da explosão da pólvora dentro das munições fascina-o. Por isso mesmo diz que, se não tivesse enveredado pelo turismo, gostaria de ter ficado na investigação criminal.
Tem algumas pequenas séries de armas modernas. As maiores colecções são demasiado onerosas.
A paixão pelas armas vem de pequeno. Desde a altura em que brinca aos “cowboys”. Nesse tempo, as armas são em madeira. É Henrique Fernandes que as inventa e as vende aos parceiros e adversários.
Mais tarde, quando tem possibilidade, compra armas de verdade e obtém todas as licenças necessárias.

A precisão do tempo

Quando pode treina o tiro ao alvo num clube da especialidade na Madeira.
Outro “hobby” são os relógios. A sua mecânica está, de novo, na base deste desejo, assim como pela precisão do tempo. Diz que o relógio o ajuda a perceber que há tempo; o tempo que passa e não volta mais.
Neste âmbito dedica especial atenção, basicamente a modelos da mesma marca: a Omega.

Andar a pé

Um outro “hobby”, ou talvez mais um exercício, é o que procura fazer frequentemente com a família, com passeios pelas serras e levadas da Madeira.
Além de tudo isto, ainda guarda tempo para ouvir música clássica. Gosta de se deixar invadir pelo sentimento prático romântico. 

2002-05-31

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