Gris Teixeira


O senhor dos seguros


Gris Teixeira. Evolui no sector segurador ao ponto de ser uma referência nesta área na Região. Depois de se reformar, encontra tempo para dedicar uma parte do dia ao seu clube de sempre: o Nacional.

Depois de um percurso escolar normal, Gris Teixeira fica-se pelo sétimo ano (actual 11.º ano). Decide começar a trabalhar.
Inicia a actividade nos seguros aos 19 anos, na João Baptista Marques & C., Sucrs., Lda. (JBM). Estamos em 1958. Uma empresa onde o seu pai, José Teixeira, é sócio e tem como parceiro a poderosa Leacock. Em parte, a ligação fica a dever-se à origem do avô, da África do Sul, que, contudo, é filho de um madeirense que emigra para aquele país e acaba por ser morto no meio de lutas internas que lhe são alheias. É uma empregada negra que foge com os dois filhos para a Zambézia. Mais tarde é o governo inglês que toma conta deles. Um deles é o seu avô. Avô que ainda chega a fazer o serviço militar na Índia a defender os interesses de Sua Majestade. Apesar de não saber falar inglês, sabe a sua descendência madeirense. Por isso, volta à Madeira. E casa com uma madeirense. Revela-se uma pessoa muito interessada pelo turismo. O turismo que chega de barco.

O “professor” José

Entre os seus filhos conta-se José Teixeira, o progenitor de Gris Teixeira, que reconhece no pai a pessoa que melhor o prepara para a vida. Até no campo da empresa seguradora, que a Leacock decide criar em conjunto, precisamente pelo reconhecimento do seu dinamismo. É então que nasce a João Baptista Marques.
O espírito jovem de Gris Teixeira, contudo, quer mais. O tio e padrinho, João Gris, que não tem filhos e gosta muito de João Gris Teixeira, convida-o para um novo desafio. Pondera. Mas acaba por aceitar.

Em Lisboa na gráfica

Entre 1961 e 1966 vai para o continente, para Lisboa, para trabalhar numa empresa de artes gráficas: a “Gris Impressoras e Editorial Verbo”. Uma empresa de familiares. Tem origem no bisavô Henry Gris, que chega a Portugal em 1887. Enquanto lá trabalha, o tio decide enviar o sobrinho a um curso em França para aperfeiçoar os conhecimentos no sector.
Depois de regressar começa a trabalhar. Durante o período em que lá trabalha é chefe de planeamento.
A ligação à família Gris dá-se quando o pai conhece em Lisboa a rapariga que viria a ser a sua mãe.

O regresso

Durante este período, o tio morre. Surgem alguns problemas entre familiares e a estrutura societária da empresa. E, como o pai fica desgostoso, em 1961, quando decide deixá-lo no Funchal, entende que é hora de voltar à terra natal.
Em 1967 regressa à Madeira, a convite da então Companhia de Seguros Comércio e Indústria, a maior seguradora da altura. Retoma a actividade nos seguros. Passa a ser o elo de ligação entre a empresa nacional e a João Baptista Marques.

Progressão na carreira

No ano da revolução de Abril, em 1974, passa a ser o gerente da João Baptista Marques.
Em 1975, o pai retira-se. Tem a penosa tarefa de reformar o pai. O que acontece de forma pacífica.
Em 1977 é promovido a director de serviços da Comércio e Indústria.
Em 1980, quando se dá a nacionalização da Indústria, tem de constituir uma empresa para tratar da carteira de seguros. Funda a Gris Teixeira e Co., juntamente com o pai, apesar de já estar reformado. Deixa a sede da empresa para a Comércio e Indústria. A nova aposta centra-se numa empresa de mediação de seguros. A primeira na Madeira.

Instituto de Seguros

Nesse mesmo ano surge o Instituto de Seguros de Portugal (ISP). Gris Teixeira faz parte, desde início, da Comissão Instaladora, em representação da Madeira. Ainda hoje lá está.
Prepara-se a fusão das companhias. A Comércio e Indústria, de que faz parte, funde-se com a Bonança, União e Ultramarina. É encarregue de fazer a fusão das empresas na Madeira e nos Açores. Fica com a responsabilidade dos interesses das companhias nas regiões autónomas. O nome que ganha é a Bonança, que ainda hoje existe. Integra o portfólio de empresas do grupo BCP. Fica ligado à Bonança até à pré-reforma, que a deixa como director.

Na génese do Banif

Em 1981 funda a sociedade EMG, uma empresa de gestão imobiliária. Um projecto que não resulta.
Em 1984 faz parte do conselho de gerência do Fundo de Colheitas da Madeira, que surge por inerência da função que desempenha no Instituto de Seguros de Portugal.
É por essa altura que participa, pela Bonança, no processo que transforma a Caixa Económica do Funchal no Banco Internacional do Funchal: o Banif, que está a comemorar 15 anos de existência.
Gris Teixeira recorda um jantar que há no hotel Reid’s Palace onde é fomentada a hipótese de a seguradora ser accionista do futuro banco. Por isso, diz, com orgulho, que também contribuiu para o surgimento da instituição hoje liderada por Horácio Roque. Mais tarde, a empresa acabaria por ser accionista dos hotéis dos comendadores Horácio Roque e Joe Berardo.
Chega a representar a Bonança no Conselho Consultivo do Banif.

A retirada

No prosseguimento do seu percurso profissional temos que, há alguns anos, a Gris Teixeira compra a João Baptista Marques.
Mais tarde, há cerca de quatro anos, funde-se com outra corretora local: a Universal, cujo nome acaba por prevalecer. Gris Teixeira é um consultor.
Chegado a 1999 entra na pré-reforma da Bonança., depois de trabalhar praticamente nos seguros.
Mentaliza-se para a saída uns cinco anos antes.
Hoje, recorda o tempo em que começa a trabalhar com o pai. Antes de ir para lá trabalhar pergunta qual é o horário. A resposta é começar quando o pai entra e acabar quando ele sai. Para seu azar, a casa dos pais fica mesmo ao lado da empresa. Mas isso não o demove e vai trabalhar. Apesar de ser filho único e muito querido do pai, dentro da empresa é mais um empregado. Até no aspecto salarial começa por baixo. Essa realidade também contribui para mudar de ares e ir trabalhar até Lisboa.

Figura carismática

Hoje reconhece que o pai procedeu bem, apesar de, na altura, não gostar. Prepara-o para a vida, fazendo-o sentir que as dificuldades contribuem para uma melhor preparação.
Durante a actividade ao longo dos anos, trabalha entre as 9 e as 18 horas. Isto, contudo, não é linear pelo que passa metade do tempo fora da ilha. Seja nos Açores, no continente ou no estrangeiro. E aí há que aproveitar bem o tempo, independentemente de ser de dia ou de noite.
Ao olhar para trás reconhece que conhece algumas dificuldades nos primeiros tempos de trabalho. Nada que não ultrapasse e faça de Gris Teixeira uma figura carismática da Madeira e um relevante profissional no sector dos sectores na Região Autónoma da Madeira.

Formação

Durante a sua actividade, Gris Teixeira participa em muitos cursos de formação e estágios no país e no estrangeiro. Contacta com pessoas sonantes do ramo segurador e aprofunda cada vez mais o seu conhecimento.
Diz que a Bonança, para além do papel no sector segurador, apoia muito os clubes de futebol, assim como desenvolve iniciativas culturais da ilha.
Actualmente, mantém diariamente a ligação ao Fundo de Colheitas. Mensalmente tem reuniões de acompanhamento.
Além de tudo isto, tem mais tempo para se dedicar ao seu Clube Desportivo Nacional. Passa muito tempo no clube da sua paixão. Está sempre com a equipa.
Reconhece que o clube tem um grande presidente e que se encontra no lugar onde deve estar.
A nível de “hobbies” gosta do mar. Em jovem chega a praticar futebol na equipa das listas brancas e negras. É ponta esquerda.

Escritores, só antigos

No domínio das leituras, gosta muito da literatura portuguesa. Mais dos escritores antigos.
Considera que os actuais, por vezes, não os compreende, como acontece com Saramago.

Novas tecnologias

Em relação às novas tecnologias, não são bem o seu forte. Reconhece que têm grandes potencialidades, embora não substituam a racionalidade do homem.
Não obstante, o progresso não pára.
Hoje, admite que chegaram muito rapidamente e que, por isso, teve alguma dificuldade em se adaptar. Esse factor contribuiu, em parte, para se reformar. 

2003-01-17

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