Francisco Sousa e Silva


Do Madeira Hilton à TAP na Alemanha


Francisco Sousa e Silva começa a trabalhar na hotelaria no então Madeira Hilton. Mas os seus sonhos são maiores e altos. O mundo da aviação fascina-o. Sai do hotel que o queria manter nos seus quadros e fomentar a sua progressão para entrar na TAP Air Portugal.
Os tempos conturbados de 1975 fazem borregar a rota desejada para a altitude de cruzeiro.
Deixa a transportadora. Vai para a terra da mulher: a Suécia.
Estuda a língua do país e, depois, procura trabalho. A Varig abre-lhe as portas, mas acaba por ficar na TAP, que desperta na Escandinávia.
Seguem-se Paris e Frankfurt.


Nasce na freguesia de Santa Maria Maior, na Madeira. Vive a juventude entre o Funchal e o Estreito de Câmara de Lobos, de onde é natural a maior parte da família e onde tem a casa dos avós, onde passa férias.
Francisco Sousa e Silva estuda e é um aluno médio. Passa pelo Externato Nuno Álvares, mais conhecido por Caroço, e pelo Liceu Nacional do Funchal, hoje Escola Secundária Jaime Moniz, no Funchal.

Na guerra

Mais tarde, com o país em guerra nas então províncias ultramarinas, não consegue evitar o serviço militar. E, pior que isso, vai para a Guiné, considerado o palco de guerra mais temido e perigoso entre todos. Lá fica quase dois dos três anos e meio de “tropa” que tem de cumprir.
Acabada a guerra para si, regressa. A família quer que continue a estudar. Mas depois do serviço militar perde o interesse.
Nos seus planos imediatos consta uma paragem de seis meses na Madeira sem fazer nada. Mas, ao fim de dois meses, depara-se com a maior parte dos amigos a trabalhar ou a estudar.
Nas conversas no Café Funchal incentivam para que encontre igualmente um trabalho.

O 1.º emprego

O primeiro emprego de Francisco Silva é no hotel Madeira Hilton, hoje Madeira Palácio.
É entrevistado pelo “front office manager” que lhe oferece dois mil escudos por mês.
Considera pouco e transmite essa opinião ao seu superior. Do outro lado ouve como resposta que está a ser pago para que lhe ensinem uma profissão.
Lá aceita o ordenado.
Reconhece que aprende muito no cinco estrelas ao nível de serviços, relações públicas, vendas, entre outros factores importantes. No cômputo global diz ter sido uma formação interessante na cadeia internacional Hilton, onde, essencialmente, é incutida uma disciplina profissional que as escolas não dão, onde aprende a equilibrar as obrigações e os direitos.

Voar mais alto

Mas Francisco Silva quer voar mais alto. Procura outra ocupação.
Na altura, a TAP já tem uma grande imagem de excelência e vê na companhia uma oportunidade para viajar, o que, como a maior parte dos madeirenses, gosta de fazer.
Neste sentido concorre à TAP. Consegue entrar.
No Madeira Hilton sente alguma pressão ao nível da direcção para ficar. Aliciam com maior formação no Canadá. A ideia é clara: querem que continue na cadeia hoteleira. Para tanto quase triplicam o ordenado.
Mas está decidido. O mundo fascinante da aviação cativa-o e deixa o Madeira Hilton para entrar na transportadora nacional.
Os primeiros tempos na TAP são de aprendizagem. Faz reservas e trabalha no aeroporto. Encontra a mulher com quem acaba por casar.
Entretanto, está em 1975, um ano quente que sucede ao da revolução de Abril.
Junto com a mulher, sueca, que conhece na Madeira durante umas férias, com quem vive na ilha durante um ano e meio, decide sair para evitar a confusão em que encontra o país.

A Suécia

A TAP enfrenta uma das piores situações de sempre, com uma grande predominância política em todas as decisões da empresa. Não satisfeito com o desenrolar dos acontecimentos, pede uma licença sem vencimento e, ao mesmo tempo, deixa uma carta com pedido de demissão, para a TAP escolher.
O seu chefe tenta demovê-lo a não deixar a empresa. Diz que a TAP está a gostar do seu trabalho.
E, tal como acontece com o Madeira Hilton, as suas decisões estão tomadas.
Faz uma experiência na Suécia em 1976. Alguns meses depois, recebe uma carta da TAP a dizer que lhe concedem licença sem vencimento durante um ano.
Os primeiros quatro meses são passados a aprender intensivamente o sueco.
Depois disso, sente-se à vontade para procurar trabalho.

Na rota da TAP

O “bichinho” da aviação continua e consegue um lugar na Varig, depois de ver um anúncio num jornal escandinavo.
Apresenta-se e imediatamente lhe dizem que começa a trabalhar na semana seguinte.
Entretanto, a TAP, que sabe onde está o seu colaborador, procura alguém para aquela área do norte da Europa. Recebe um telefonema.
De um momento para o outro, fica com a possibilidade de escolher entre a Varig e a TAP. Naturalmente, escolhe a TAP. Nem chega a trabalhar na companhia de aviação brasileira.
Durante três/quatro anos, faz um processo de aprendizagem do mercado na Suécia. Está em Estocolmo, onde a TAP tem um escritório de representação “off-line” (para onde a companhia não tem voo). Passa por diversos departamentos até que fica responsável pelas vendas. A missão do escritório é alimentar o voo de Copenhaga.

A Escandinávia

O mercado sueco está em crescimento e a TAP tem intenção de voar também directamente para Estocolmo.
O que mais lhe custa na Suécia é a escuridão dos dias pequenos. O frio, esse, segue o ditado do país que diz não existirem maus climas mas sim maus vestimentas.
A partir de 1986 passa a ser o responsável por todo o mercado sueco e finlandês.
Por três vezes, a TAP lança o repto para que Francisco Silva ingresse na “carreira” de delegado.
Mas, como tem a família na Suécia e tem oportunidade de fazer formação em marketing no país, vai adiando.
Durante o período em que lá está, chega a ser representante da comunidade madeirense da Escandinávia. Uma função que deixa de poder cumprir devido a novos compromissos profissionais noutros países, como à frente verá.
Após várias insistências, coloca como condição que tenha o contrato de delegado a partir da Suécia, numa altura em que os delegados são baseados em Portugal.

Mudança para Paris

Assim, finalmente, em 1996/1997 são aceites as suas condições para ir como delegado para França. Ali fica desde 1997 até há cerca de um ano.
Desenvolve em terras gaulesas um trabalho importante na TAP que passa pela reestruturação da organização no país da companhia. Está super dimensionada para os interesses da empresa.
Para Francisco Silva, contitui um grande desafio, na medida em que deixa uma delegação pequena para ocupar uma das maiores da TAP. Além disso, apanha o processo com o Qualiflyer.
Hoje a delegação está muito mais leve.
Durante o período em que lá está, passa por duas mudanças de escritório, precisamente por causa do Qualiflyer. Há a criação de sinergias, centralização de “call-centers” e do “under one roof” (um conceito onde todas as companhias estão debaixo do mesmo tecto), que abrange as transportadoras Qualiflyer, como a Swissair (hoje Swiss), a Sabena, a Australian Airlines, a AOM, a Air Liberté. Francisco Silva é responsável pelo “under one roof”. Isso faz com que viaje por toda a França, mesmo até para escritórios que nada têm a ver com a TAP.
É um tempo que recorda com satisfação, apesar de a aliança se ter desfeito.
Passam quatro anos e meio. Francisco Silva diz que são muitos anos para estar na delegação em França, onde, em média, um delegado fica dois anos e meio/três.

Alemanha

É então que surge um novo convite. Desta vez é para a Alemanha. Aceita, e lá se encontra há cerca de um ano e meio.
Sobre o desafio que tem neste país, diz ser muito interessante na medida em que é preciso melhorar as vendas, reestruturar e adaptar a organização ao novo desafio.
Com o novo cargo, Francisco Silva é responsável pelos mercados alemão, austríaco e países do Leste europeu.
Neste momento revela que estão ser criadas sinergias com outras companhias para fazerem a alimentação dos voos TAP.

Destino de qualidade

Presentemente existem três voos directos diários entre cidades alemãs e Lisboa. São voos que permitem ligações para a Madeira. Há mesmo um avião pela manhã que permite ao passageiro chegar ao Funchal antes do meio-dia, depois de partir de Frankfurt, onde está sedeado Francisco Silva. O mesmo se passa no sentido inverso.
«E não é por ser madeirense, mas a Madeira é um destino importante para a TAP».
Por isso mesmo, está a ser feita uma promoção especial de Portugal e do destino Madeira.
Aliás, diz mesmo que nas delegações onde trabalha a Madeira é sempre vista como um destino de qualidade. Uma qualidade que viu reforçada na última vez que esteve na ilha, o que acontece três anos depois de cá ter estado. Vê uma evolução a nível das estruturas, das estradas, das localidades e da qualidade em geral do destino. «Como madeirense sinto um orgulho muito grande em reconhecer esta realidade. A Madeira já tinha qualidade, mas com as novas infra-estruturas deu um grande salto».
Francisco Silva diz que, presentemente, existem indicadores que dão conta de uma recuperação do mercado, que o ano passado não esteve muito bem.
Quanto à utilização das linhas regulares por parte dos operadores turísticos, diz que há um “mix” entre a utilização dos voos TAP e outras companhias e das que operam no regime “charter”.

Livros e Internet

No domínio da actualização, Francisco Silva lê muitos livros da especialidade, no domínio da gestão e do marketing. Com a experiência internacional e o domínio de línguas que tem, lê muito em sueco, inglês, e português.
Considera importante estar sempre bem informado no sentido de conseguir encontrar sempre as melhores formas de motivar as pessoas.
Além disso, lê os jornais portugueses, suecos, o Finantial Times, entre outros, e utiliza diariamente a Internet com este e outros propósitos. Recorre frequentemente a esta ferramenta para consultas e até para se documentar antes de fazer apresentações.
A nível do trabalho médio diário chega ao escritório entre as nove e as nove horas e meia e sai entre as 20 e as 21 horas.
Em Paris, o regime de trabalho é mais duro, entre as sete da manhã e as 23 horas.
Apesar de ter estes horários, diz que gosta de delegar, com responsabilidade, porque acredita nas virtudes de trabalhar em equipa. «É importante trabalharmos em equipa e senti-la motivada». Não obstante, reforça que há sempre a necessidade de acompanhar a equipa e, depois, fazer o seu próprio trabalho, assim como manter os contactos necessários.
A contribuir para este tempo que dedica diariamente ao trabalho está o facto de a família continuar a residir em Estocolmo, onde vai todos os fins-de-semana. Por isso, tem tempo para se dedicar profundamente ao trabalho.

Hotéis para o desporto

Quanto a “hobbies”, além da leitura e dos computadores, gosta de praticar desporto.
Na Suécia aprende a competir consigo próprio.
Faz alguns corta-matos e maratonas. Hoje corre, mas sem o “stress” de se preparar para as grandes corridas.
Todos os dias de manhã, antes de tomar banho, faz meia hora de ginástica.
Quando viaja, procura sempre escolher um hotel que reúna as condições que lhe permitam fazer ginástica e praticar desporto.
Sem ser em negócios, vai de férias uma a duas vezes por ano.

Paulo A. Camacho

B. I.
Nome: Francisco Manuel de Sousa e Silva
Data de nascimento: 1947-05-17
Naturalidade: Santa Maria Maior, Madeira
Estado civil: Casado
Filhos: 1 


2002-07-05

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