Fátima Lopes


A estilista com lugar em Paris

Fátima Lopes nasce na Madeira, que é pequena para si. Vai para lisboa, conquista o país e o mundo da moda.

por: Paulo Camacho


Nasce numa cidade cosmopolita: o Funchal. Cedo começa a criar. Idealiza a roupa para as suas bonecas. Mais tarde faz o mesmo para si. O gosto pelo desenho surge com naturalidade, e bem cedo.
Faz a escola na Madeira. Entra no mercado de trabalho, no turismo, onde trabalha durante quatro anos em turismo numa agência de viagens. Viaja pelo mundo. E é precisamente numa das viagens que conhece uma pessoa que vem a ser sua sócia.
Ainda na Madeira, não passa despercebida, pela forma como usa o cabelo, pela maquilhagem e pela roupa que já aponta para o despertar que mais tarde a leva aos píncaros da moda.
A ilha que a vê crescer é pequena para o alcance dos seus sonhos.
Assim, com a oportunidade de abrir uma loja em Lisboa com a amiga, parte de malas prontas para a capital. Abre uma loja multimarcas. Vende de tudo, roupa, acessórios, “marroquinarias”, sapatos e por aí adiante. São marcas importadas que compra em Itália, França e Inglaterra e que comercializa, em exclusivo, em Portugal. São marcas que chegam ao país pela primeira vez.
Fátima Lopes vai à origem. Escolhe e compra as roupas para a Versus, a sua loja na Avenida de Roma, uma das duas tem em Lisboa.
Acontece que, no meio das constantes viagens ao estrangeiro, Fátima Lopes leva vestidas roupas desenhadas por si. Chamam à atenção.
Duas marcas internacionais, a Copain Copine, de Paris, e a Gossip, de Londres, especializada em vestuário em pele, pedem à estilista madeirense para desenhar uma colecção para cada uma delas. Fátima Lopes é a criadora dos modelos que depois são comercializados com as respectivas marcas francesas e inglesas.

A ideia de criar para si

É então que, de repente, uma luz se acende. Pensa que, se pode desenhar para terceiros, é sinal que o seu valor é reconhecido. Está na hora de criar as suas próprias roupas e deixar de vender as que outros criam.
Cria a marca Fátima Lopes e começa a criar e vender unicamente roupas da sua autoria e com a sua marca.
A aposta surte efeito. Fátima Lopes depressa se impõe. Hoje é uma das mais conceituadas estilistas portuguesas. O seu valor ultrapassa as fronteiras nacionais. Conquista Paris.
Passa a fazer parte da elite das estilistas internacionais. É uma das 95 criadoras e criadores do Mundo inteiro que conseguir integrar a Federation Couture (Federação de Costura), um passo que a leva à “cidade luz” duas vezes por ano, para a apresentação das novidades da moda nas duas estações Primavera/Verão e Outono/Inverno.

Roupa vendida na Madeira

Fátima Lopes sente-se bem em Paris. E nota igualmente que a imprensa internacional reconhece o seu valor. Em cada passagem de modelos, dá por si a desmultiplicar-se em mil e uma entrevistas nas mais diversas línguas, wue domina desde o tempo em que trabalha com o turismo na Madeira.
A crítica internacional aceita-a e aclama-a. Em Portugal diz que não se passa bem assim. Como refere, em primeiro lugar, não vê profissionais competentes e experientes para analisar o seu trabalho.
Fátima Lopes tem duas lojas em Lisboa e mais uma no “El Corte Inglés”. Tem ainda lojas em Aveiro, no Porto, em Guimarães, em Coimbra (a abrir a 30 de Abril) e em Viseu (a abrir em Setembro). Fora de Portugal tem uma em Paris, num dos locais mais nobres da costura na cidade serpenteada pelo Sena.
Em relação à Madeira, não tem intenção de abrir uma loja Fátima Lopes. Pelo menos não o admite abertamente. As suas roupas são comercializadas no Funchal, na loja da irmã, a “Zéquitas”, situada junto à igreja de São Pedro, na Rua do Surdo.

Da roupa a outros produtos

E da roupa passa a colocar a sua veia criadora noutros produtos, tudo fruto de convites feitos por grandes fábricas. No caso da loiça foi a portuguesa Spal; nos óculos, a Astro Óptica; nas jóias, nasceu do biquíni de diamantes que desenhou há algum tempo. A empresa belga que patrocinou a criação daquele que deve ser o mais caro biquíni do Mundo convidou Fátima Lopes para fazer uma nova empresa no sentido de concretizar uma nova colecção de joalharia.
O biquíni foi feito para um desfile. Hoje é um ícone da colecção de joalharia à venda em Portugal e no estrangeiro.
Outra faceta da estilista surge igualmente nos batons. São feitos no Japão e surge nessa área depois de um patrocínio que teve em 2002 na maquilhagem para o desfile de Paris. A partir daí entendem fazer um batom ligado a Fátima Lopes, comercializado nas suas lojas.
Fátima Lopes reconhece que existe um interesse crescente em ligar o seu nome às marcas, pela possibilidade de negócio que possibilita.
Neste momento, Fátima Lopes está começar a desenhar têxteis lar, para uma colecção para casa com lençóis, edredões, loiças e por aí adiante. Vai nascer uma nova empresa: Fátima Lopes Home. O projecto é abrangente. Surge de um convite da Spal e de um conjunto de fábricas nacionais, algumas associadas à própria empresa de loiça nacional.
A “designer” é Fátima Lopes e o negócio é criado e desenvolvido pelas diversas fábricas.

Gosto pelo sossego

No domínio dos “hobbies”, diz não ter tempo. Não dispensa viajar. Tem um gosto especial por sair e conhecer o mundo.
Durante muito tempo não faz férias para trabalhar. Mas, depois, com a empresa em velocidade de cruzeiro, encontra tempo para sair.
Fátima Lopes vive numa casa integrada no requintado complexo turístico da Penha Longa, entre Cascais e Sintra. Está rodeada de um imenso manto verde que, conforme salienta, faz lembrar a sua Madeira. À sua volta tem ainda um campo de golfe.
Quanto ao tempo de trabalho diário, não tem uma média estimada. Tudo porque tem o condão de estar sempre desperta para idealizar.
Normalmente, opta por ficar em casa de manhã e trabalhar num estúdio em casa. Mais tarde, sem o trânsito infernal do IC-19, vem para Lisboa, para a sua loja no Bairro Alto, na Rua da Atalaia. Está perto do Largo Luís de Camões, a cinco minutos da baixa.
Ali tem o seu “ateliê”, onde as mãos de habilidosas costureiras realizam aqulio que Fátima Lopes cria em qualquer lugar e a qualquer hora. As suas roupas provocantes são vendidas nas suas lojas espalhadas pelo país e em Paris. E são também aquelas que vestem.
Apesar de ser muito conhecida e aparecer nas revistas, diz que não gosta muito de sair. Prefere ficar em casa sossegada. Ou a criar.

2003-04-25

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