Estêvão Neves


Um empresário Modelo


Estêvão Neves começa cedo a trabalhar. Ganha experiência. O curso de Comércio complementa.
A dada altura, decide soltar as amarras e comandar o seu próprio barco. Hoje é um empresário de sucesso.


Estêvão Neves está matriculado no terceiro ano do curso comercial da Escola Industrial e Comercial do Funchal, actual Escola Secundária de Francisco Franco. Pede ao pai para começar a trabalhar e estudar à noite.
Começa a trabalhar antes de fazer 14 anos, a 17 de Setembro de 1962.
Transita para o curso nocturno. O trabalho vai até às 19. As aulas arrancam às 19.30 horas, até às 22.30.
Estêvão Neves trabalha no escritório da empresa de construção civil e materiais de construção “João Augusto de Sousa”, que, na altura, é uma das grandes da Madeira.
Passa por várias funções, sempre na área das vendas de materiais de construção, madeiras...
Chefia uma equipa no escritório, no Largo da Saúde, no Funchal. Considera que é uma autêntica universidade, onde aprende muito no mundo dos negócios. Os números têm cada vez menos segredos para si.

A hotelaria

Ali fica até ser chamado a cumprir o serviço militar obrigatório, em 1970. Nessa altura tem o curso geral de Administração e Comércio completo. Posteriormente faz os processos preparatórios para o acesso aos estudos técnicos no continente.
Tem a particularidade de poder conjugar o serviço militar com o trabalho, já que fica na Madeira. Não perde o ordenado.
Durante este período é convidado para um novo desafio, na hotelaria. Assim que sai da “tropa”, a 15 de Março de 1972, ingressa, logo no dia seguinte, no hotel D. Pedro, em Machico, que está a abrir na ilha. A ligação à unidade da família Saviotti surge com as vendas de materiais na sua anterior empresa para a unidade de quatro estrelas.
Estêvão Neves ingressa na área do economato. Fica responsável pela área de compras.
A opção por um curso superior fica na gaveta. Stefan Saviotti convence-o a optar pela promissora carreira na hotelaria.
Com a maior das franquezas, chega junto de Fernando Gouveia, da “João Augusto de Sousa”, a 15 de Março, e diz que quer mudar. Do outro lado ouve palavras de incentivo para progredir dentro da própria empresa. Mas quer experimentar a mudança.
Mesmo assim, o pai não fica muito convencido com a troca de uma empresa grande e promissora, na altura, para aquele hotel distante, ao tempo, a cerca de 45 minutos de carro particular do Funchal.
Hoje reconhece que o passo é ousado.

Experiência no continente

Aprende muito na hotelaria, em diversas áreas.
Passa pelo Dom Pedro de Vilamoura. Com o modelo do hotel da Madeira faz a abertura da unidade do Algarve em Março/Abril. Por ali fica um mês.
Chega a estar igualmente um mês, em Maio de 1976, na Póvoa do Varzim, quando o grupo passa a explorar o hotel Vermar.
A 21 de Agosto de 1976 sai. Reconhece que deixa uma carreira pela frente no grupo Dom Pedro, onde aprende muito com Stefan Saviotti. Tem a porta aberta para ir para o Algarve.

O Casino Park Hotel

Mas está decidido. A 1 de Setembro de 1976 começa a trabalhar no Casino Park Hotel, no Funchal. Fica na mesma área, a trabalhar nas compras e no aprovisionamento.
Por ali está cerca de cinco anos, com a administração de José Barreto.
Casa em 1977 e compra um apartamento T2 na Travessa de São
Luís.
A dada altura sente que tem duas soluções: continuar na hotelaria a trabalhar por conta de outrem ou soltar as amarras e trabalhar para si, ser senhor do seu percurso.
Sabe de comércio. Conhece os segredos de comprar e vender. Vários cenários surgem na sua frente: montar uma firma de materiais de construção ou aplicar a seu favor a experiência mais recente com os produtos alimentares e outros.

O grande passo

Decide estabelecer-se em 1982. Cria a empresa Estêvão Neves. Sabe que se avizinha um mar de sacrifícios.
Opta por fazer um pequeno armazém de produtos alimentares. No edifício onde vive, aproveita o espaço de que o apartamento no rés-do-chão usufrui para o concretizar. Não paga qualquer renda. Ainda hoje lá está o armazém.
Começa a trabalhar com produtos alimentares.
Ainda em 1982, arranca com a rede de frio que aluga mais abaixo na Travessa do Nogueira. Importa carne.
Em Novembro desse ano abre um talho em Machico.
Não tem muitos encargos.
Vende o carro particular. Dá para comprar uma carrinha de distribuição.
Dois anos mais tarde, compra o terreno em Santa Quitéria, no Funchal.

O primeiro “cash & carry”

Em 1986 constrói no terreno um novo armazém, e já com rede de frio.
Dois anos depois faz o primeiro “cash & carry” na Madeira, no piso superior do edifício de Santa Quitéria. Desactiva o armazém na Travessa de São Luís. O mesmo acontece com a rede de frio, que entrega aos proprietários.
Vende o talho.
Concentra todos os serviços em Santa Quitéria.
A nova aposta assenta na constatação de que crescer mais na área da distribuição, nos moldes em que desenvolve o negócio, obriga a grandes investimentos.
Além disso, tem uma grande concorrente: a “Socarma”. Entende que é altura de mudar a filosofia do negócio. A ida ao estrangeiro, a algumas feiras, mostra o caminho.

A mudança
 
Aposta no “cash & carry”, a partir de 3 de Outubro de 1988. O cliente passa a ir directamente ao local de compra, onde vê o produto e fica a saber o preço mais vantajoso. Depois, pode levá-lo.
Em 1991 abre o segundo “cash & carry” Estêvão Neves, em Água de Pena. Ainda hoje é a maior área comercial coberta de armazenamento. Ali é colocado igualmente o armazém central.
Estêvão Neves apercebe-se de que, com o êxito na estrutura de “cash”, tem de crescer. As duas unidades são insuficientes.
Uma saída para o retalho surge no horizonte.
Em Julho de 1992 compra a “Socarma”. A ideia é deixar a “Estêvão Neves” com os “cashes” e a “Socarma” ocupar-se da distribuição.
Mas, até Julho do ano seguinte, não consegue implementar a componente da distribuição com a estrutura pesada da “Socarma”.

Agir rapidamente

Tem de agir rapidamente, num ano de ligeira crise internacional.
Decide acabar com a “Socarma”. Integra tudo na empresa mãe.
Entre os muitos imóveis, fica com o armazém de moagem na Cancela, onde vem a implantar o supermercado “Modelo”, e com um terreno em Santa Quitéria, que vem a dar origem ao MadeiraShopping.
Outro imóvel, que é propriedade de uns accionistas da “Socarma”, fica na Ponta do Sol. Depois de comprado, fecha o armazém. Acaba por dar lugar ao que é hoje um dos três hotéis de Estêvão Neves: o Baía do Sol.
Hoje reconhece que, se não toma a decisão de fazer a integração da “Socarma”, dificilmente consegue dar a volta.
Depois de encerrar o armazém na marginal da vila da Ponta do Sol implanta o terceiro “cash”, a 11 de Dezembro de 1993, na Ribeira Brava. É para servir toda aquela zona da ilha e ainda para absorver parte do pessoal que trabalha no armazém encerrado.
Em 1994, com os três “cashes” factura cerca de nove milhões de contos. Um bom resultado. E a prova de que faz a melhor opção.
Mas depressa Estêvão Neves se apercebe de que tem de fazer nova aposta. As redes de supermercados facturam mais, onde se inclui uma de âmbito nacional.

A Sonae

Por isso mesmo, vai ao continente. Aborda a Sonae. Fala de projectos para a Madeira na área de supermercados, que não domina, e onde o grupo de Belmiro de Azevedo “vende” experiência.
Faz um acordo de “franchising” com a Sonae para usar a marca “Modelo” nos supermercados.
Abre o primeiro “Modelo” a 11 Abril de 1996, no Centromar, no Funchal. Nesse mesmo ano, a 19 de Junho, abre outro na Cancela.
Por essa altura, começa a transformar o “cash” da Ribeira Brava. A 15 de Outubro de 1996 abre como “Modelo”. Nesse ano adquire um terreno onde vem a implantar mais um nos Viveiros, no Funchal, e um “cash”.

A marca Neves

Em 1999 termina o acordo de “franchising” com a Sonae. Chega a equacionar lançar os supermercados com a marca Neves. Decide-se por uma parceria. A Sonae fica com 51% e a gestão, Estêvão Neves com 49%. Todo o património imobiliário fica na “Estêvão Neves, SA”, tal como acontece com todos os edifícios das diversas empresas do grupo.

O MadeiraShopping

Mais tarde faz um acordo com a Sonae Imobiliária. Em 2001 abre o MadeiraShopping, onde volta a implantar um “Modelo”.
Em 2003 estabelece uma parceria na área dos “cashes”. Passa a usar a marca “Ellos cash & carry”. Estêvão Neves fica com 50% na empresa Estêvão Neves — Comércio grossitas, na Madeira, e a GCT com os restantes. E, no continente, fica com 10% do capital do grupo GCT. Passa a ter assento no Conselho de Administração.
Em consequência deste projecto está a implantar na Madeira as “M. Fresco” e “Frescos & Co.”, que pretende revitalizar os pequenos retalhistas da Região.

Hotéis próprios

Paralelamente a toda a esta actividade comercial, Estêvão Neves decide regressar à hotelaria a 1 de Janeiro de 1998. Agora como empresário cria a ENotels. Hoje tem três hotéis e projectos grandes em carteira.
No entanto, procura um parceiro para este negócio, que pode passar mesmo pela entrega da gestão. Quer tudo definido nos próximos quatro/cinco anos.
No domínio dos “hobbies”, Estêvão Neves gosta de ler. “Devora” notícias de economia.
Também gosta de andar a pé, onde aproveita para reflectir.
Gosta de fazer férias, nunca mais de uma semana seguida.
Hoje em dia, no universo do grupo tem cerca de 900 colaboradores.
Em relação ao relacionamento com as novas tecnologias, está ciente das potencialidades. Por isso, dá todo o apoio para o incremento nos investimentos nesse domínio.
A nível pessoal utiliza os computadores, mas deixa essa área para quem os domina mais.

2003-08-29

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