Duarte Pitta Ferraz


O gestor “nómada”


Duarte Pitta Ferraz nasce na Madeira. Contudo, grande parte da sua vida e profissão é desenvolvida nos quatro cantos do Mundo. Depois de Angola, continente português, EUA e Canadá, é convidado para um projecto na Madeira, onde fica cerca de quatro anos e meio.
Seguem-se outros desafios.


Nasce na Madeira, no seio de uma família com sete irmãos. Duarte Pitta Ferraz faz uma parte do curso comercial, na então Escola Industrial e Comercial do Funchal.
A dada altura da sua vida, deixa a ilha com os irmãos para se ir juntar ao pai, que parte antes para abrir o Banco Comercial de Angola, e à mãe, que o acompanha.
É em Angola que tira o bacharelato em Contabilidade completo no Instituto Comercial.
Chega o tempo de cumprir o serviço militar, que faz em Angola. É alferes do serviço de administração militar. Entra em 1973. Passa a revolução com farda. Participa em várias acções, entre as quais uma assembleia do MFA no palácio do governo.
Fica na tropa até à guerra civil, até Agosto de 1975. É a altura em que a guerra surge do mato para as cidades. Os militares portugueses não têm preparação para guerrilha urbana.

Curso de Direito

Regressa a Portugal. Estuda Direito, à noite.
Durante os cinco anos de formação, trabalha durante o dia na “Black & Decker”. Começa como número dois do departamento de crédito. Sai como “chief planning officer” da empresa.
A saída acontece quando termina a formação académica. Chega a fazer o estágio de advocacia com o dr. Guilherme Silva. Mas pede a suspensão da profissão para percorrer outros caminhos.
Para o currículo conta ainda o facto de ser revisor oficial de contas.

A “Arthur Andersen”

O passo seguinte leva-o à “Arthur Andersen”. Entra em 1980. Faz uma carreira na empresa de consultoria relativamente rápida. É promovido a director em Junho de 1984. Fica responsável pela divisão de impostos do escritório de Lisboa. Escritório que, com uma equipa, constrói do zero, por ser uma área pouco trabalhada em Portugal e onde a empresa passa a dar um enfoque especial.
A juntar a esta aposta de Duarte Pitta Ferraz, há a salientar a candidatura que faz para uma carreira diplomática. Concorrem cerca de 400 pessoas. Entram 42. Duarte Ferraz é o primeiro a desistir da carreira, depois de ter conseguido o difícil acesso.
Em parte, a desistência fica a dever-se ao facto de a esposa perceber que, por ter um perfil muito enérgico e pró-activo, iria aborrecer-se depressa com a carreira. Uma carreira que sempre sonha alcançar, em parte por um seu bisavô ter sido diplomata.
Outro argumento é o de ter de mudar de casa de cinco em cinco anos. Curiosamente, a partir dessa altura, passa a mudar de habitação, em média, a cada ano em meio. Até hoje, já mudou de casa 26 vezes.

Aposta nos Estados Unidos

Um dia surge o desejo de sair de Portugal. Vai para os Estados Unidos da América. É uma decisão que toma ao sentir instabilidade política no país e uma situação económica que, na altura, vê com algum cepticismo de poder haver recuperação.
Como reconhece ter ambição profissional, decide apostar na estabilidade da terra das oportunidades. Vai com a esposa e o filho.
Concorre a três empresas que entende serem as que melhor correspondem ao perfil desejado. Consegue ficar em todas.
Há a hipótese de ir para a “Arthur Andersen”. Mas, por pressão de Lisboa, não abrem a porta naquele lado do Atlântico, que deixam aberta em Lisboa.
Pelas escolhas que se depara, opta por ir trabalhar para a “Philip Morris”, na altura, a sexta ou sétima maior empresa industrial norte-americana.
Vai para a sede da empresa, em Nova Iorque, na Park Avenue, número 100.
Fica na área de auditoria, com responsabilidade por quatro países da América do Sul.
Passados sete meses, é promovido a director de auditoria para projectos especiais. Faz a ligação ao Conselho Fiscal da empresa. Tem a responsabilidade da área de impostos da empresa.

O gigante “General Foods”

Outro tempo passa. Recebe mais projectos dentro da função que tem. São dados três anos para os elaborar. Mas, ao fim de nove meses, já os tem praticamente concluídos.
Pede ao vice-presidente para fazer outras coisas, o qual aceita o repto. Pergunta-lhe o que quer fazer. Diz-lhe que gostaria de uma área internacional da empresa.
Um mês depois, o superior chama-o. Refere que não tem lugar para onde pretende. Mas mostra interesse que vá para a “General Foods”, uma empresa acabada de adquirir pela “Philip Morris”. É a maior do ramo alimentar nos EUA. Constitui uma compra difícil, com os quadros da nova empresa a não aceitarem bem os novos donos. Durante um ano, a “mãe” tenta geri-la ao seu modo. Mas não funciona.

Missão para recuperar

Assim, a solução passa por enviar cinco pessoas da casa-mãe para a “General Foods”. Duarte Pitta Ferraz é uma delas. Vai com a responsabilidade pela auditortia para a América do Norte. Inclui os EUA e o Canadá. Segue com indicações muito precisas do que há que fazer para recuperar a empresa.
São dois anos e meio de grande desafio, de grande satisfação e tensão com as diferenças de cultura que encontra, onde os colaboradores se preocupam mais com eles próprios do que com a empresa.

A distinção da “Philip”

Já na nova “General Foods”, recebe ainda um prémio da “Philip Morris” denominado “Chairman Special Achievement Award”. Um prémio que, todos os anos, distingue os 15 empregados ou equipas que tenham feito um trabalho acima do esperado entre os cerca de 200 mil do universo do grupo. Diz que não faz sentido recebê-lo. Já não faz parte da empresa. Contudo, são unânimes ao considerar que, se há alguém que merece, é Duarte Pitta Ferraz. Por isso, e pelos tempos que por lá passa, guarda para sempre a tabaqueira no seu coração.

Insistência

Em relação ao país, reconhece um grande potencial onde é dado valor a quem o tem.
Ainda nos EUA, por três vezes é convidado pelo presidente da “Arthur Andersen” para regressar a Lisboa. Por três vezes diz que está bem em “terras do tio Sam”. Mas, na terceira, depois de um encontro em Nova Iorque, conta a proposta à esposa, Margaret, natural do Algarve. Em resposta admite que talvez não seja má ideia. Fica surpreendido. Mas ouve como justificações as saudades das ruas emblemáticas de Lisboa.

Regresso a Lisboa

Liga ao presidente da “Arthur Andersen”. Pede que venha a Portugal falar com o presidente para a Europa, que estará em Lisboa, numa dada sexta-feira. Apanha o avião e aterra em Lisboa. Acordam as condições. Regressa com a família à capital. Além do filho, Duarte, nascido em Portugal, vem também com a filha, Maggy, nascida nos EUA.
Está em Lisboa um ano.
Depois, é nomeado director do escritório do Porto. Tem 15 consultores. Quando sai, dois anos depois, tem 62. Já dá lucro, quando o “breakeven” é apontado para quatro.
Regressa a Lisboa.
Na altura, o BCP acaba de adquirir a Cisf. É abordado para ir trabalhar para a área dos serviços financeiros.
Considera um desafio interessante. Mas, novamente, tem de convencer o presidente da “Arthur” que lhe espera um novo desafio. E sai. Entra na Cisf. Participa no projecto de fusão da Cisf em banco de insvestimento.
É director de banca de empresas na Cisf.
Posteriormente, já no Grupo BCP, é coordenador de empresas Sul no BCP. É uma altura em que é feita uma reestruturação profunda da rede de empresas e do “corporate” do grupo.

Director na terra natal

Posteriormente, recebe o convite para vir para a Madeira, para ser director do BCP na Região. Considera uma experiência muito enriquecedora em termos profissionais. E pessoais. Tem oportunidade de reencontrar amizades antigas e conseguir outras novas. Os filhos encontram na ilha as suas raízes. Hoje assumem-se madeirenses. No fundo, estão ligados por laços familiares a Severiano Ferraz, antigo presidente da Câmara e tretravô de Duarte Pitta Ferraz. Inclusivamente, a esposa tem uma grande paixão pela ilha.

A Grécia e a Turquia

Chega a altura para um novo desafio. Vai para Lisboa, para o BCP, para um projecto na área da tesouraria. Segue-se um outro, na Grécia. Segue para o “Novabank”, onde é administrador delegado, e para a Turquia, para o “Bank Europa”, onde é administrador executivo. Por ali fica cerca de dois anos. Na Grécia encontra um banco de retalho com 62 sucursais e boa captação de fundos, a necessitar de crescer. Quando sai passa para 110 sucursais. Durante os primeiros meses aprende grego. Hoje entende um pouco daquela língua tão diferente.
Considera a experiência grega e a turca muito interessante. Consegue incutir sempre bom relacionamento entre os profissionais dos dois Estados com atritos históricos.
Deixa os países do fim da Europa e regressa a Portugal. Actualmente é director coordenador do “private banking” doméstico, uma rede dedicada a clientes com patrimónios muito elevados. Na prática faz gestão de fortunas. Está baseado em Lisboa.
No intervalo da Grécia e da Turquia, ainda está ligado a um projecto internacional, a convite do “JP Morgan”, para participar num consórcio bancário para a reconstrução do Iraque. O projecto tem um período de vida curta. Pedem-lhe que coloque a equipa a funcionar. Está integrado num grupo de trabalho com o Ministério dos Negócios Estrangeiros para esse fim. Visita a Jordânia, Israel e a Palestina. O Iraque chega a estar previsto. Mas, com o deteriorar da situação, é decidido não arriscar. No fundo, visa prestar apoio às empresas portuguesas que queiram participar na reconstrução do Iraque.

Golfe e leituras

Em termos de “hobbies”, gosta de golfe, que não pratica tanto quanto gostaria. Tem um EGA de 15,2.
Chega a jogar ténis e hóquei em patins. Tem um gosto especial pela pintura. Compra e colecciona obras de arte desde há muito tempo.
Lê muito, informação técnica ligada à profissão, outra para estar sempre ao corrente dos mercados e ainda sobre a gestão de pessoas.
Além destas leituras, tem uma paixão especial pelas bibliografias políticas.

Apoio da família

É utilizador diário da Internet. Utiliza-a como ferramenta de trabalho e de consulta, tal como faz com o correio electrónico. São factores inovadores que vieram ajudar, mas que também considera colocarem grande pressão nas pessoas, pela rapidez que proporcionam.
Durante o seu percurso dá muitas conferências e palestras por esse Mundo fora e recebe várias condecorações, entre as quais a Cruz de Mérito da Cruz Vermelha Portuguesa. Além disso, chega a fazer parte de conselhos fiscais de empresas, como Hertz, ITT, Páginas Amarelas, Hotel Sheraton, DDB e ABB.
Gosta de viajar, em negócios e em lazer.
Uma nota final para um factor que Duarte Pitta Ferraz considera preponderante para conseguir aceitar todos os desafios profissionais que teve: o apoio com que sempre contou e continua a ter da família.
Uma outra para sublinhar o seu modo de gerir. Tem um especial enfoque na urgência de resolver os trabalhos e na sua concretização de forma empenhada. Para tal, procura reunir sempre à sua volta equipas coesas que permitam levar os projectos a bom porto.

BI

Nome: Duarte Manuel Ivens Pitta Ferraz
Data de nascimento: 20-4-1951
Naturalidade: Monte, Funchal
Estado civil: Casado
Filhos: 2 (Duarte e Margaret)

2004-01-02

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