Duarte Correia

O "senhor" Tui em Portugal


Duarte Correia. Através de investigações conclui que o operador turístico alemão “Tui” dá indicações de liderança no mercado alemão e demonstra apetência para aquisições noutros países da Europa.

por: Paulo Camacho


Duarte Correia faz a pré-primária no Colégio da Apresentação de Maria, no Funchal. Depois vai para os Salesianos, onde fica seis anos. Dali sai para o liceu (actual Escola Secundária Jaime Moniz). Ali estuda até ao quinto ano (actual nono).
O passo seguinte leva-o à Escola Industrial e Comercial do Funchal (actual Escola Secundária de Francisco Franco). Tudo por causa da área de contabilidade, economia e finanças que quer seguir.
Termina o sétimo ano (actual 11.º).
Entra na Universidade Livre, em Lisboa.

O ISCTE

Logo de início enfrenta algumas convulsões na instituição. Como resultado, regressa à Madeira ainda durante o primeiro período.
Volta à escola industrial para fazer o 12.º ano.
Concorre ao ISCTE — Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa. Entra e faz a licenciatura de cinco anos em Gestão de Empresas.
Em 1987 é-lhe oferecido um emprego no Funchal, depois de ter concorrido a duas empresas de auditoria no continente: “Deloitte & Touche” e “Ernst & Young”.

O primeiro emprego

Mesmo assim, opta por vir para Madeira. É o que sempre quis fazer e onde tem a família e os pais.
Ingressa na “João de Freitas Martins”. Faz um estágio de três/quatro meses.
Fica com a responsabilidade da área de turismo na empresa dirigida pelo seu amigo João Welsh.
Nessa altura são feitas alterações na empresa e executados alguns investimentos internos.
Duarte Correia abraça o projecto, que considera diferente e aliciante.
Contudo, procura desenvolver um projecto de expansão na área de turismo em nome da João de Freitas Martins.

A Tui

Através de investigações conclui que o operador turístico alemão “Tui” dá indicações de liderança no mercado alemão e demonstra apetência para aquisições noutros países da Europa.
Na prática, apercebe-se do efeito da globalização que, mais tarde, se acentua.
Em suma: Duarte Correia reconhece que a Tui é o parceiro ideal a ter no turismo.
Assim, juntamente com o presidente do conselho de administração da empresa, João Welsh, faz uma visita à sede do operador alemão, em Hanôver, na Alemanha. Na bagagem diz que leva um projecto que visa levar a JFM a fazer parte de um grande operador, de um grande parceiro, de um grande grupo.
Diversas circunstâncias levam a Tui a desinteressar-se. Voltam para casa sem qualquer negócio.
Entretanto, por essa altura, no continente, a “Miltours” chega a acordo com a Tui, para o Algarve.
A Miltours, por dificuldades, acaba por vender parte do capital ao operador alemão, que fica com 40% do seu capital.
Perante isto, a Tui acaba por dizer que não abre mais a porta ao negócio com a João de Freitas Martins. Refere que já tem um parceiro para o Algarve e para todo o Portugal.

A Miltours

Mais tarde, a própria Miltours, por indicação da Tui, contacta Duarte Correia, para a abertura de um escritório da empresa no Funchal.
Duarte Correia aceita o desafio. Não como funcionário, mas como parceiro.
Juntamente com a Miltours, em 1991, compra a “Via Galo”, da família Bachmeier, que tem uma excelente relação com o grupo Tui.
Duarte Correia fica com 10% da empresa, a família Bachmeier com 15% e a Tui e a Miltours com 75%.
O negócio desenvolve-se. Do zero, a Miltours passa a ser uma das agências de referência no mercado regional.
Nos finais dos anos 90, surgem problemas na administração da Miltours nacional.
Atendendo à “performance” da “Miltours Madeira”, à gestão e à estrutura humana da empresa na Região, Duarte Correia é convidado para potenciar a fusão entre a Miltours (que tem a Tui atrás) e a “Portimar” (que tem a “Olimar”, também alemã).

Miltours e Portimar

Nessa altura tem a intenção de juntar as duas empresas alemãs líderes de mercado.
Mas surgem algumas incompatibilidades em termos de accionistas e o negócio acaba por se gorar. Existem divergências no grupo de trabalho Portimar/Miltours.
Mas, atendendo ao facto de a Tui fazer o “takeover” dos restantes 50% da Miltours em Portugal, é pedido a Duarte Correia para assumir o comando do grupo em Portugal. Isto, apesar de não ter cumprido o objectivo a que se propõe: juntar as duas empresas, que considera ser benéfico para o grupo e para o mercado.
Assume a presidência da Miltours nacional.
Desenvolve um trabalho insistente nos mercados de exportação e importação, embora guarde sempre uma mágoa pela não concretização do acordo Miltours/Portimar.

Mudar para o Algarve

A nova missão leva-o a ter de se mudar para o Algarve, onde está sedeada a Miltours.
E, quando parte para o sul do país, ainda não sabe qual o desfecho do negócio para a fusão. A Miltours está sedeada em Faro, mais a Este, e a Portimar, em Portimão, mais a Oeste do extenso litoral algarvio.
Por isso, não sabe bem onde é melhor fixar residência. A melhor opção é ficar a viver no meio. Entre as duas sedes.
Dá-se o caso de a mulher trabalhar na Madeira para o Grupo Pestana. E, por isso mesmo, sabe que o hoteleiro madeirense Dionísio Pestana tem uma casa em Alcantarilha, onde vai algumas vezes. Fica sensivelmente a meio caminho entre as duas sedes.
Duarte Correia depressa entra em contacto com o empresário. Pergunta se está interessado em a vender. De imediato, Dionísio Pestana disponibiliza a casa, onde fica cerca de seis meses a ver para que lado havia de ir.
Até que o o negócio não se concretiza com a Portimar.
Nessa altura depara-se com duas soluções: ou compra a casa de Dionísio Pestana ou vai viver mais perto de Faro.
Mas a família já está habituada à casa e aos arredores. Acaba por comprar a casa.
Demora cerca de 45 minutos para chegar ao escritório em Faro. Não tem paragens, é sempre a conduzir. No trajecto, na via do Infante, aproveita para contactar todos os escritórios no país.

Sem tempo

Feito um primeiro balanço do tempo que está no Algarve, Duarte Correia lamenta-se de não ter tempo para criar mais amizades. O pouco que resta é absolutamente dedicado à família, composta pela mulher e pelos três filhos. Um cão é companhia imprescindível.
Neste sentido, a nível de “hobbies”, gostaria de entrar no mundo do golfe, já que está num grande destino da modalidade na Europa, com os seus 25 campos. Alguns deles propriedade do Grupo Pestana. Mas o tempo de trabalho, para já, é muito absorvente. As tacadas que dá têm de acertar mas é nos negócios.
Admite que venha a conseguir jogar golfe quando a “Tui Portugal” atingir uma dimensão que hoje ainda não tem ou passar a ter um estatuto de que igualmente não desfruta presentemente.

Muito trabalho

Hoje em dia é presidente do conselho de administração e é o executivo da empresa. Isso traduz-se num consumo de tempo excessivo. Mas tem de ser.
A actividade da empresa está diversificada por três sectores: o receptivo de clientes, a exportação de clientes e autocarrista, através da empresa Transfar.
E, neste período de transição de uma média para uma grande empresa, considera que todo o esforço é pouco no seio do grupo de trabalho, de que se orgulha. Diz mesmo que valoriza muito os recursos humanos. Entende que a empresa pode existir, mas sem o material humano nada feito.
E, no fundo, considera que o sucesso da sua equipa é também o seu.
Presentemente, Duarte Correia ainda continua a ser presidente do Conselho de Administração da Miltours. Mas, a partir de 1 de Dezembro, passa a ter o mesmo cargo mas da Tui Portugal, que surge no lugar da Miltours, e na qual Duarte Correia tem 8% do capital social, e o Grupo Tui, 92%.
A Tui Portugal (ainda Miltours) tem filiais em Albufeira e Portimão, no Algarve, no Porto, em Lisboa, nos Açores e na Madeira. No global, trabalham 350 pessoas, 50 das quais na Madeira.

Informação no Grupo

Em relação à actualização de conhecimentos, Duarte Correia lê muito a imprensa especializada. Além disso, no seio do grupo existem debates e conferências sistemáticas. Não há mês em que não haja uma iniciativa desta natureza em qualquer ponto do globo. Pode ser um debate ou uma conferência, sobre uma matéria específica. A última que participa é em Berlim, na Alemanha, e a penúltima, no Cairo, no Egipto.
No domínio das novas tecnologias e Internet, diz que se está a adaptar.
Em relação ao correio electrónico, conta com o apoio das secretárias pois tem como lema responder sempre que recebe uma mensagem. E isso ocupa muito tempo, o que, paradoxalmente, não acontece com o correio tradicional.

Quinta do Monte

Paralelamente à actividade profissional, Duarte Correia é cônsul da Áustria na Madeira desde 1998. Trata-se de uma tarefa que tira algum tempo. Mas é feito com gosto.
Além daquele país, devido a um acordo com a Suíça, representa também os cidadãos do país helvético na Madeira.
A juntar à actividade na Tui Portugal, desde há cerca de dois anos, Duarte Correia está ligado ao processo de recuperação da Quinta do Monte. Um negócio que surge, em parte, devido à sua ligação directa com a Áustria, o país onde nasceu o imperador Carlos I, que viveu na Madeira, precisamente nesta quinta.
É uma aposta clara na diversificação dos seus investimentos.
Neste projecto, o empresário associa-se ao hoteleiro Luís Camacho. Concorre ao concurso para ficar com a exploração. E ganha.
Neste momento, já decorrem os trabalhos no terreno para a concretização do projecto.
Desde essa altura desenvolvem contactos com as pessoas que dispõem de informação sobre a quinta no sentido de recuperar o empreendimento o mais fielmente possível.
Nesta fase, está a ser feito um trabalho de desmatação do terreno, para depois recuperar.
Quando estiver pronto, terão os famosos jardins da quinta prontos a receber os madeirenses e os turistas no início do próximo ano.

Novo projecto

Posteriormente vai recuperar, com rigor, as diferentes casas da quinta e recriar a vivência do imperador. A ideia é abrir a casa-mãe em 2004.
Duarte Correia diz que esta aposta está a correr bem, embora com algumas dificuldades.
Mesmo assim, diz que não vão parar por aqui os investimentos na hotelaria. Hotelaria onde já tem uma sociedade com o Grupo Camachos, com o hotel de quatro estrelas Madeira Regency Cliff, no Funchal.
Duarte Correia revela ter um novo projecto hoteleiro de qualidade para o norte da ilha da Madeira, no qual conta com outro parceiro de negócio. Espera que esteja aprovado até ao primeiro trimestre de 2003.

O grande apoio

E, no meio de toda esta actividade, o empresário não esquece o apoio imprescindível que tem tido da mulher ao longo da sua carreira. Admite que o sucesso da carreira que tem se deve em primeiro lugar ao seu mérito pessoal, mas também ao apoio que tem recebido da mulher e à compreensão dos filhos, que estudam na Escola Internacional do Algarve, uma das instituições de referência da região. «Contar com este apoio é o melhor que pode acontecer a qualquer empreendedor», remata Duarte Correia. 

2002-11-15

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