Duarte Caldeira


Das flores para a vinha

Duarte Caldeira começa a trabalhar no Cadastral.
Paralelamente cria empresas. Começa pelos produtos hortícolas.
Passa para as plantas e flores.
Hoje, a aposta é na produção de vinho de mesa.


Estuda no Seixal. Até à quarta classe (actual quarto ano de escolaridade).
Tem de fazer exame no Porto Moniz. Para onde vai a pé, saltando de pedra em pedra, numa altura em que não há estrada de ligação. Estão a abri-la. Na altura.
Depois, vem estudar para o então distante Funchal. O autocarro leva horas.
Passa pelo Liceu Nacional do Funchal (actual Escola Secundária Jaime Moniz) e pelo Colégio Nun’Alvares, também conhecido por “Caroço”.
Mais tarde, vai estudar para Coimbra com o intuito de tirar um curso que exige o antigo quinto ano (actual nono).
Duarte Caldeira faz o curso de três anos. Logo a seguir, faz um ano de estágio na extinta Junta de Lacticínios da Madeira. Durante o ano de 1962 faz um trabalho sobre a higienização de leito na ilha.
Em 1963, volta à cidade dos estudantes. Para defender o relatório. No final, recebe o diploma de regente agrícola, mais tarde alterado para engenheiro técnico.

O Cadastral

No ano seguinte, recebe uma carta da Escola de Coimbra, manifestando que o Instituto Geográfico Cadastral precisa de regentes agrícolas para a Madeira. Aceita. Começa a trabalhar na referida instituição.
Entra no Instituto em Junho de 1964 e reforma-se do mesmo a 19 de Fevereiro do corrente ano.
Durante este período sai por duas vezes para exercer funções políticas como deputado pelo Partido Socialista na Assembleia Legislativa Regional. Uma primeira vez, no início da democracia, durante 12 anos. E, presentemente. Já vai em três anos como deputado pela mesma força política.
Durante o período em que trabalha no Cadastral desempenha as funções de perito avaliador. Faz a avaliação de terrenos agrícolas. Para fins fiscais. O serviço elabora uma nova matriz predial.
Duarte Caldeira fica na parte agronómica. Há ainda a topográfica.
Começa por Machico. Em 1964. Depois, passa pelo Porto da Cruz, Curral das Freiras, Santa Cruz, Campanário, Camacha, Santana, Faial, Ilha, Porto Santo, por algumas freguesias do Funchal, que estão por acabar, entre outras.
Entretanto, o curso de regente agrícola passa para bacharelato. Quem tem o curso antigo beneficia, de nome, do novo curso, de engenheiro técnico agrónomo.
Em 1966, constitui a primeira empresa, ligada à comercialização de produtos para a agricultura. Principalmente na área dos pesticidas, alguns fertilizantes, sementes... Mantém o negócio durante alguns anos.

O homem da rádio

Ainda em 1966 inicia as actividades radiofónicas. Arranca com o programa sobre agricultura, que vai para o ar uma vez por semana durante meia hora na Estação Rádio da Madeira. Um programa que tem de passar pela censura.
Depois, faz o “Comboio da noite”, que “corre o mundo” e que conta com a participação de ouvintes.
Ainda nos anos 60, chega a fazer o programa “Música para os que passeiam”, para onde os ouvintes pediam músicas.
Considera que a rádio o ajuda a desprender a língua.
Depois do 25 de Abril, volta a ter um programa de agricultura na rádio. Tem um programa semanal, de meia hora, e cinco minutos de emissão diária, de manhã, com informações úteis e rápidas para os agricultores.
Durante uma temporada deixa a rádio, que gosta mais do que a televisão.
Até que é convidado a falar sobre jardinagem.

Horticultura

Em relação aos negócios, um dia, um dos sócios morre. Acaba com a empresa.
Mais tarde, volta a criar duas empresas. Uma na área da produção e outra na da comercialização.
Continua a manter o emprego no Cadastral. Tem a gestão dos negócios, que executa depois das horas de trabalho. E aos fins-de-semana.
Ainda hoje mantém as empresas Moreno e Planteal. A primeira surge com a aquisição de um terreno em Santa Cruz, com cerca de nove hectares.
Hoje tem 8,5 hectares devido à necessidade de estacar uma parte.
Produz, inicialmente, horticultura.
E muito morango. Chega a ser o primeiro produtor na Madeira.
Produz igualmente outros produtos em estufa como o pepino, o tomate, a alface, os pimentos e o feijão verde. Toda a produção é escoada para o mercado regional.
Por essas alturas, faz a primeira tentativa de agricultura biológica na
Madeira. Com o apoio de alemães. Contudo, os produtos necessários e aplicáveis nesse tipo de produção, capazes de combater as pragas e as doenças são poucos, tal como existem hoje em dia.
Além disso, os produtos de horticultura já são relativamente bem pagos. E a biológica teria de o ser ainda mais para ser rentável, porque a produção é menor.
Decide abandonar o projecto que tem o mercado alemão como destino privilegiado. Mas o transporte aéreo encarece o produto. Inviabiliza a produção.
Floricultura
Experimenta a floricultura.
Passado pouco tempo, só tem morangos. As estufas são convertidas para a produção de flores. Flores que até então não são produzidas na Madeira. Ou muito pouco. Como seja o caso dos cravos, das rosas...
Depois, envereda pelos antúrios, orquídeas, sapatinhas, bolbosas, tulipas... E por aí adiante.
Para pôr de pé o novo projecto desloca-se a Canárias em 1969 com o intuito de visitar produções.
Durante 10 dias entra e sai de estufas para saber mais os segredos da produção.
No regresso, chega a escrever durante algum tempo no DN sobre o que aprende.
Ao longo de todo o seu percurso faz muita investigação e experiências. Vai à procura do porquê das coisas. Continua as suas saídas. Vai ao continente, à Holanda, à Bélgica, a Espanha, e anda pelo continente português. Procura conhecer o país, com casais amigos, tanto do ponto de vista cultural como no domínio da sua nova paixão: a cultura do vinho.
A sua sede de conhecimento e troca de experiência ainda continua.
Mais tarde, abre três lojas de flores para fechar o circuito. Com a sua produção, consegue ter uma auto-suficiência na ordem dos 80 a 85%.
Hoje, adianta que existem determinadas flores que compensa mais importá-las que produzi-las.

O vinho

Mais recentemente, juntamente com outros quatro sócios, cria uma empresa para a produção e comercialização de vinhos de mesa.
O projecto arranca no final de 1999, com a primeira plantação de vinha em 2000, aproveitando apoios da União Europeia. São cinco mil metros quadrados. Tem o condão de sensibilizar os produtores locais. Hoje têm 6 mil m2.
A empresa produz as suas próprias uvas e compra-as igualmente a terceiros, o que já acontece em 2002, com a aquisição de cerca de 1.000 quilos de uvas aos sócios e a terceiros.
Este ano ultrapassam as 9,5 toneladas. Em 2004 espera atingir 15 as 20 toneladas.
Da produção deste ano, quatro toneladas destinam-se a vinhos tintos.
As restantes são para brancos. Para o ano será ao contrário.
Duarte Caldeira tem dado apoio directo aos agricultores na elaboração dos seus projectos para a reconversão de vinhas. Vinhas que tem a intenção de se dedicar em exclusivo, deixando a parte da produção e comercialização de plantas e flores, assim como de plantações, para os filhos. Inclusivamente, tem uma filha engenheira agrícola, que trabalha já consigo há cerca de seis anos.
A intenção de deixar esta componente empresarial já foi transmitida aos filhos, dando-lhes, assim, oportunidade para evoluir. E, como há receptividade, agora, a ideia é apostar forte na produção de vinho, que tem pena não o ter feito há mais tempo.
Recordando o seu percurso, Duarte Caldeira não pode deixar de recordar que, desde cedo, sente um carinho especial pela Madeira. Muitas foram as possibilidades de sair e, talvez, como diz, ter voltado rico de África ou do Canadá.

Em matéria de hobbies, Duarte Caldeira refere que, neste momento, é a vinha. Normalmente vai aos fins-de-semana para o Seixal. Para descansar e cuidar das vinhas, o que, costuma fazer aos sábados. A juntar a isso, tem a porta aberta para a família, os amigos, e todos quantos o procuram para um apoio nos mais variados aspectos.
No domínio das novas tecnologias como a Internet e e-mail. Utiliza-as para a pesquisa de conhecimentos. Mais no domínio das flores. Mas também o faz a nível do vinho.

B. I.                 

Nome: Duarte do Carmo
Caldeira Ferreira
Data de Nascimento: 1942-07-16
Naturalidade: Seixal,
Porto Moniz • Madeira
Estado Civil: Casado
Filhos: 2 filhas e um 1 filho (2 netas)

24 DE OUTUBRO DE 2003

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