Carlos Estudante

O gestor que gosta de ser professor

Carlos Estudante. Nasce em Torres Novas. Filho de um oficial do Exército, reside, por isso, grande parte da vida em Lisboa. É na capital que faz a maior parte do percurso estudantil.
Estuda no Liceu Gil Vicente, onde é um aluno mediano, até chegar à hora de ir para a universidade, onde tira boas notas.
É dos poucos alunos que faz testes psicotécnicos no então 5.º ano, para saber qual o perfil e tendência. Na altura, os resultados apontam para três saídas: Matemática, Gestão ou Medicina.

por: Paulo Camacho

Desde sempre quis ser matemático. Tem um grande fascínio pelos números. A primeira tentativa de entrar na faculdade é precisamente para tentar satisfazer esse seu desejo.
Faz o exame de admissão. Mas tem de fazer com matérias como a Matemática e Física e Química. Não gosta destas últimas, mas a entrada na Faculdade de Ciências passa inevitavelmente por elas.
Tem um 17 em Matemática. Contudo, nas outras ficou-se por um quatro. A média torna-se fraca. Resultado: não consegue entrar.

Trabalhador estudante

A solução encontrada é escolher a Gestão.
No início das aulas conhece em Lisboa a estudante madeirense de Direito, Conceição, que é desde esses tempos sua mulher e que hoje é secretária regional dos Assuntos Sociais na Madeira.
Entre 1971 e 1975 decide trabalhar e estudar. Durante três anos não conhece o sabor de um fim-de-semana sossegado. É sempre a estudar.
Nesse período tem à sua responsabilidade as áreas de procuradoria, alojamento e alimentação dos serviços sociais da Universidade Técnica de Lisboa. A mesma onde estuda. Considera uma boa experiência.
Faz o curso de Gestão. Depois surge o de Ciências Sociais e Políticas.
Na altura, o fantasma da guerra colonial paira no horizonte. A continuidade nos estudos superiores permite adiar o recrutamento para África.

A Madeira

Carlos Estudante consegue chegar até perto do 25 de Abril de 1974, que o apanha na recruta. Contudo, apesar de não querer muito a vida militar, a verdade é que ela não o amedronta em virtude de ter um pai oficial do Exército, tal como um irmão e ainda um tio na Marinha.
Entretanto, a mulher concorre ao hospital na Madeira. Carlos Estudante deixa o serviço militar e também vem para a ilha, que já conhece. Conhece da altura em que por aqui passa durante uma viagem de barco feita com os pais no regresso de Angola, onde cumpre uma missão. Uma missão que leva Carlos Estudante a viver um ano naquele imenso território e onde faz o 6.º ano no Liceu Salvador Correia, em Luanda.

O sr. professor

Não obstante, antes de vir para a ilha, tem oportunidade de ficar na Brisa – Auto-estradas de Portugal. Mas opta pela Madeira.
Carlos Estudante começa por ser professor no Liceu Nacional do Funchal, hoje Escola Secundária de Jaime Moniz. Dá aulas de Introdução à Política e Introdução à Economia. Sobre a primeira matéria recorda as dificuldades. Por não haver bibliografia disponível. O suporte é o que traz dos seus cursos.
Integra três conselhos directivos da escola e dá apoio a um quarto.
Dá aulas entre 1975 e 1981.

Educação

A 23 de Março de 1982 passa a ocupar o cargo de director de Serviços de Estudos e Planeamento da Secretaria Regional de Educação. Vai montar o departamento onde tem como colega o dr. António Prazeres.
Em 1987 depara-se com um desafio. É proposto para exercer as funções de director do Centro de Formação Profissional. Aceita o desafio. Acumula com o cargo anterior durante um ano e meio.
Encontra uma instituição com muito por fazer.
Empreende uma reestruturação profunda para que a formação profissional passasse a ser considerada.

180 graus na procura

Diz que a estratégia resulta plenamente. Se na altura os alunos que saem com os cursos de um ano encontram dificuldade de colocação, porque as empresas não os querem, depois de dois/três anos, o processo é inverso: as empresas são as primeiras a telefonar a saber de mais alunos. Sente-se satisfeito porque isso representa o reconhecimento pela qualidade da formação que passa a ser feita.
Em 1988 é criada a aprendizagem em regime de alternância, com cursos de três anos.

Os quadros de apoio

No ano seguinte, com a entrada do primeiro Quadro Comunitário de Apoio, Carlos Estudante é encarregue de fazer a reformulação dos programas de formação profissional e coordenar os de emprego na Região. O I QCA tem lugar a partir de 1990 e vai até 1993.
É constituída a Unidade de Gestão do primeiro Quadro.
Em 1992 dá-se a junção do Emprego com a Formação Profissional. Carlos Estudante é nomeado director regional de Emprego e Formação Profissional em 1993.
Paralelamente exerce a função de gestor do Fundo Social Europeu. Na altura, o único técnico superior que tem neste campo é o eng. Rafael Carvalho. Não há apoio informático. Tudo é feito à mão para enviar para Lisboa e à Comissão Europeia. Quando a paridade do ecu muda, os mapas vão para o lixo. Têm de ser feitos outros. Novamente à mão.

O Planeamento

Em 1997 é convidado para director regional de Planeamento. Aceita. Por inerência dos cargos é, entre outras funções, representante do Governo Regional em comissões como a interministerial para o Emprego e outra do Fundo Social Europeu.
Durante o seu percurso, faz deslocações frequentes a Lisboa para negociar nomeadamente o II QCA. Há semanas que vai duas vezes.
Há momentos em que tem de fazer autênticas maratonas. Mesmo pela noite dentro.
Não está arrependido de todo o seu percurso porque considera que sempre fez o que gosta.

ADERAM

Entretanto, é criada a Agência de Desenvolvimento Regional da Região Autónoma da Madeira – ADERAM. Estamos em Fevereiro de 1999. Dá-lhe igualmente muito prazer criá-la. Carlos Estudante é seu presidente até 2001.
Nesse ano deixa a Direcção Regional de Planeamento e passa a ser gestor do Instituto de Fundos Comunitários, criado a 1 de Outubro desse ano. Coloca-se então a questão de poder ser incompatível ser gestor e presidente da ADERAM, na medida em que a associação se candidata a apoios comunitários.
Carlos Estudante fica só como gestor da instituição, até 9 de Julho de 2002. Nessa altura fica a ser gestor do INTERREG e volta a ser novamente presidente do Conselho de Administração da ADERAM.

Universidade

A juntar a esta sua actividade profissional, todos os anos é convidado pela Universidade da Madeira para dar aulas durante um semestre. É uma área de que gosta. Dá aulas de Planeamento Estratégico e Política de Gestão aos finalistas de Gestão.
O ano passado, num novo curso de Enfermagem, deu Sócio-Antropologia.
Aliás, Carlos Estudante diz claramente que gosta de ser professor universitário porque encontra alunos com outra mentalidade e vontade de estudar.
Durante todo o seu percurso procura manter-se sempre informado e estuda bem os “dossiers” que tem sob a sua alçada.
Uma das suas características é preparar-se sempre muito bem para a apresentação de determinados programas, no sentido de as pessoas poderem compreender tudo sem problemas.

A freguesia

No percurso profissional, Carlos Estudante ainda encontra tempo para ser presidente da Junta de Freguesia de São Pedro, no Funchal, durante quatro anos. Considera ter sido um tempo muito útil que lhe mostra a dificuldade de ser autarca. Hoje ainda é presidente da Assembleia de Freguesia de São Pedro.
Encontra tempo igualmente para colaborar na cooperativa de habitação “A Nossa Casa”, da qual é presidente do Conselho Fiscal.

O Rotary Club

Outra actividade que desenvolve é a de ser rotário. Entra no Rotary Club do Funchal pela mão de Rui Marote, hoje vereador da Câmara Municipal do Funchal, que é seu padrinho para a entrada.
Hoje Carlos Estudante é presidente daquele organismo internacional que tenta minorar, na medida do possível, o mal alheio. No seu ano de presidente rotário tem um programa ambicioso que se norteia por dois objectivos: educação e saúde, que pretende empreender juntamente com as entidades oficiais.

Ajudar o próximo

“Por muito pouco que façamos, se conseguirmos poder fazer bem, nem que seja a uma pessoa, considero que é um passo dado com grande satisfação na vida.”
No domínio dos tempos livres gosta muito de ir ao cinema, o que faz com frequência. É um hábito que procura manter.

Ler muito

Outro dos seus “hobbies” é ler. Lê tudo. Os que são por obrigação, como sejam os de gestão. Contudo, os que gosta de ler com prazer quando vai para cama ou numa poltrona são de outras áreas variadas. Tem uma certa atracção por tentar conhecer mais um pouco do que é desconhecido. Isto porque entende que, cientificamente, é muito curioso. Diz que o conhecimento é das coisas melhores que o ser humano pode ter.
Neste campo diz que não estamos a preparar os jovens para raciocinar. E o erro está na escola. Não entende como se pode passar de ano com menos de um a Matemática, que considera a única ciência exacta. A esta disciplina junta a Filosofia e a língua do país, que é o Português. Além de livros, lê muito revistas e jornais. Gosta também de procurar informação na Internet. 

2002-09-06

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