Carlos Pereira


O empresário empreendedor

Carlos Pereira começa a trabalhar na hotelaria. Passa para os negócios do pai. Com arrojo empreendedor aumenta e diversifica a actividade empresarial. Tem uma vida muito preenchida, onde se destaca a presidência do Marítimo.



Nasce em Santa Cruz, mas cedo vem viver para o Funchal. Tem sete meses. Carlos Pereira passa a viver em Santa Maria Maior. Estuda em São Filipe e na então Escola Industrial e Comercial do Funchal (actual Escola Secundária de Francisco Franco).
Faz o curso de Comércio na escola Jofre Remalho, na Rua da Mouraria, hoje extinta. Estuda à noite e trabalha de dia.
Carlos Pereira começa a trabalhar na hotelaria. Curiosamente, diz que o gosto pelo sector nasce na unidade onde jantámos para falar do seu percurso profissional.
Frequenta o hotel Miramar de então. A mãe tem relações de amizade com o sr. Gartton, dono, na altura, do hotel e padrinho de um seu irmão.

Hotelaria

Trabalha durante anos na hotelaria, em diversas secções e unidades madeirenses como o hotel Atlântico, que dá lugar ao Pestana Carlton Madeira, o Savoy e o Madeira Hilton, depois Madeira Palácio. São uma escola.
Deixa a hotelaria em 1976, na altura, responsável pela contabilidade do hotel Madeira Palácio.
A saída coincide com a morte do pai. Assim, junto com o irmão mais velho, tem de tomar conta da empresa do pai, na área dos materiais de construção e dos transportes. Tem já embarcações de extracção de inertes.
Consegue implementar um desenvolvimento e um crescimento sustentado que permitem diversificar o ramo de negócios.
Em 1977 adquire o primeiro navio na Madeira de propulsão mecânica para extracção de inertes nos mares da ilha, com autonomia de navegabilidade. Trata-se do navio “João Conde”.
Dois anos depois, já individualmente, e separado do negócio da extracção de areias de mar e dos transportes rodoviários de mercadorias, que detém uma grande parcela de mercado, empreende novos desafios.
Impementa uma central de britagem, ainda hoje considerada a maior da Madeira. É a Brimade, uma empresa onde se empenha profundamente. Passa muito tempo na Fundoa a afinar toda a máquina.
Está ligado a esta empresa durante alguns anos. Um dia cede-a à Cimpor, junto com a Cimentos Madeira.
Já com alguma sustentabilidade em várias frentes, Carlos Pereira diversifica os negócios, pelos inertes, areias, britas, imobiliário, com projectos de apartamentos e outros de habitação social, metalo-mecânica, “rent-a-car”, combustíveis, loja de brinquedos, que a mulher dirige, e hotelaria. Há já alguns anos que tem as empresas juntamente com os filhos.

Gerir o tempo

Carlos Pereira ocupa o seu tempo com todas as empresas, um trabalho que reconhece trazer proveitos, mas que também exige muito de si. Um esforço que sabe complementar ao reunir quadros nas empresas que apoiam a sua liderança, juntamente com o filho.
Mantém o costume de passar por quase todas as empresas diariamente, empresas que não estão centralizadas. Desenvolvem-se por Porto Novo, Caniço e Funchal e ainda tem os navios que operam na costa sul da Madeira. Para o conseguir levanta-se muito cedo. E deita-se tarde.
A juntar à vasta lista, Carlos Pereira é ainda presidente do Marítimo, o maior clube de futebol da Região. Um cargo que ocupa e que lhe dá muito prazer.
A acção desportiva começa nos clubes amadores regionais de futebol. Passa por Andorinha, Porto Moniz, Pilar, Juventude e Pátria. Quando está a presidir a este último clube o então presidente do Marítimo, António Henriques, este convida-o para poder fazer parte dos órgãos sociais do clube, concretamente no futebol juvenil.
Mais tarde, é convidado a fazer parte do departamento de futebol profissional. Ali fica até 1991. Nesse ano deixa o clube do Almirante Reis.

O Marítimo

Regressa em 1997 para assumir a presidência do Club Sport Marítimo e do Marítimo SAD.
Presentemente, Carlos Pereira é igualmente presidente da Associção de Transportes Rodoviários de Mercadorias da Região Autónoma da Madeira, da Associação de Armadores da RAM, do Clube de Ténis da Madeira e ainda do Grupo Cultural e Recretivo de Santa Maria.
Toda esta ocupação leva a que não consiga parar nem aos fins-de-semana. Uma situação que prejudica a família, com menos tempo dedicado do que gostaria. Por isso, tenta compensar ao longo da semana.
É igualmente durante a semana que reúne duas vezes com amigos, ao jantar, à quarta e à sexta-feira. Procura estar sempre presente. É a altura onde consegue desligar das actividades empresarial e desportiva para conviver.

Pós-graduação

Com gosto muito especial pelo Direito, de que lamenta não ter feito licenciatura nessa área, Carlos Pereira não deixa de, ao longo dos anos, conhecer bem a legislação. Tem dedicado uma atenção especial aos segredos do Direito.
Por isso, há cerca de dois anos, faz um desafio a si mesmo. Decide inscrever-se num curso de pós-graduação em Direito Desportivo, numa universidade do continente. Figura dos “media”, as pessoas conhecem-no na instituição.
Hoje sente orgulho por ter feito o curso, que termina com bom aproveitamento. Implica grande sacrifício nas idas e nas vindas constantes de avião. Todos os fins-de-semana levanta-se às seis da manhã, aos sábados, e regressa no dia seguinte, à noite. Contudo, pelo prazer que sente a fazê-lo, não acusa as dificuldades.
No final, apresenta um trabalho e defende-o. Mais um desafio que ultrapassa com sucesso.
Ao longo da sua vida, Carlos Pereira vai tirando cursos. Tira um de Minas e Armadilhas quando monta a Brimade. Para não correr o risco de se deparar com a falta de mão-de-obra qualificada, decide estar na linha da frente. Chega a operar na central e é um dos operadores de máquinas na empresa.
Na vida marítima é um bom operador de gruas. Muitas vezes, opera os equipamentos. Inclusivamente, vai aos Açores dar um curso de operadores de gruas flutuantes.
Sabe operar outros equipamentos, necessários em algumas fases da sua vida.
Carlos Pereira reconhece que para chegar onde chegou não é tarefa fácil. Exige muito empenho de si. No fundo, diz que a sua vida empresarial é uma sequência das vivências dos seus pais e dos irmãos. No seu caso, considera ter tido alguma felicidade. Uma felicidade acompanhada de arrojo, já que, numa determinada fase, em 1977, arrisca todo o património deixado pelo pai. Nessa altura hipoteca esses bens para desenvolver a empresa. Isto numa altura em que os juros bancários andam pelos 30%. Como diz, corre o risco de não dar certo e ter de voltar a trabalhar na hotelaria.
Contudo, salienta que nunca constituiu para si qualquer problema trabalhar a qualquer hora ou dia. Por isso, o bom relacionamento que sempre teve com a entidade patronal deixa a porta aberta para a eventual necessidade de regressar às origens.
Em relação a “hobbies”, com o regresso ao Marítimo, deixa de fazer o que gosta nas horas livres: ténis e futebol, todas as terças e sábados.
Hoje, nas aberturas que consegue, sempre que chega mais cedo a casa, faz tapete rolante, à frente do qual tem um televisor. Junta o útil ao agradável. Aproveita para se manter em forma e se inteirar das últimas notícias. Notícias que começam bem cedo para si, entre as 7.30 e as 8.30 horas, com as leituras dos jornais regionais.
Presentemente tem cerca de 80 pessoas a trabalhar no universo das empresas.
No domínio da Internet e correio electrónico utiliza-os como ferramentas. Faz pesquisas e lê muito na área empresarial e desportiva.
Quanto a férias, antes de vir para o Marítimo, fazia duas vezes por ano, não mais de oito dias. Depois, só o ano passado tirou 10 dias para retemprerar forças num cruzeiro. Um retemprerar que também encontra no hábito de se desligar das actividades assim que chega a casa.

2003-05-16

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