António José Correia de Jesus

Vida a mexer em números

António José Correia de Jesus é um homem de números na sua actividade profissional. Mas, paralelamente à sua actividade há a juntar uma carreira desportiva, nomeadamente ligada ao futebol onde é campeão durante dois anos pelo Marítimo.


Nasce numa família numerosa. Cedo diz à mãe que vem ao mundo com a paz. A data do nascimento coincide com o fim da segunda guerra mundial.
António José Correia de Jesus só tem uma irmã mais nova. Os outros irmãos são mais velhos.
Cedo aprende algumas dificuldades na vida que o preparam com solidez para o futuro, embora nunca passe fome.
Hoje recorda e presta um reconhecimento pelos maravilhosos pais que tem e que lhe dão, sobretudo educação.
Desde muito cedo aprende a partilhar, a respeitar os outros e a viver em grupo.
Correia de Jesus considera que aqueles tempos são os alicerces do que é agora. Diz mesmo que é a primeira grande escola.
A casa onde vive faz partilha com a escola Salesiana.
Por isso é aluno desde a primeira hora em que abre na Madeira. Considera a instituição a segunda família.

As famílias

Lá faz muitos amigos, que ao longo da vida o têm acompanhado. Começa a dar os primeiros pontapés na bola.
Hoje não esconde que é um grande privilégio ter sido aluno dos Salesianos.
Ali fica até ao segundo ano (actual sexto ano de escolaridade). Nessa altura passa para a então Escola Industrial e Comercial do Funchal. Hoje Escola Secundária Francisco Franco.
Estuda até ao quinto ano (actual nono ano), altura em que acaba de tirar o curso geral do comércio. Ainda tenta passar da escola para o liceu. Mas conjugar o trabalho com os estudos e o futebol não se torna fácil.
Paralelamente recebe algumas lições de inglês.
O primeiro trabalho é nas Galerias da Madeira, em 1961. Tem um primeiro contacto com o proprietário. São fixados os vencimentos. E as funções.

O 1.º emprego

No dia marcado apresenta-se ao trabalho. Fica incrédulo quando houve o dono da loja recuar no que havia acordado. Contrariamente aos 900 escudos por mês estipulados anteriormente agora só quer pagar 300 escudos mensais. Além disso, as funções são ligeiramente alteradas.
Não gosta da deslealdade e ao terceiro dia já não aparece ao trabalho. É uma lição para a vida: não fazer aos outros o que não gosta que lhe façam.
Daí passa para uma outra empresa. Passa a trabalhar com João Silvério Pires, que representa uma companhia de seguros, assim como de produtos farmacêuticos, entre outras representações de vinhos. Gosta do que faz e de trabalhar com o empresário.

União Industrial

Seis meses depois recebe uma nova proposta para ganhar o dobro. Sai e aceita o desafio de ir para a União Industrial de Panificação onde está o irmão Jorge de Jesus. É um convite aliciante que aceita, embora sinta pena de deixar o seu antigo patrão.
Fica um ano nas novas funções. Bem cedo começa a aprender os segredos da contabilidade com aquele que considera ser o seu mestre: o irmão Jorge. Ensinamentos que complementam o que aprende na escola.
Depois da hora normal de serviço ajuda ainda o irmão a fazer algumas contabilidades em negócios como mercearias.
É membro dos órgãos sociais da União Vasco Isidoro Gomes Loja, também sócio-gerente da empresa António Gomes Loja. É ele que acaba por convidá-lo para novo desafio. O ordenado oferecido é a dobrar.
Trabalha com Vasco Loja numa fase inicial. Marca-o pela simplicidade e conhecimentos. Reporta a Emídio Loja, de quem guarda gratas recordações e com quem muito aprende. A empresa tem cerca de 40 estabelecimentos na Madeira. Todos os dias as liquidações são entregues a Correia de Jesus para contar e fazer os depósitos bancários.
Nesse escritório, onde trabalham 10 a 15 pessoas apenas existe uma máquina de somar numa estante. Quando alguém precisa de fazer contas mais complicadas levanta-se e vai lá somar. As outras são feitas de cabeça.

Moçambique

É um trabalho que o marca. Lá fica até ir para o serviço militar. Apesar de passar a ganhar menos, há um procedimento normal de então que é o de guardar dinheiro dos trabalhos até chegar a altura de fazer a tropa. É isso que faz Correia de Jesus para passar esses tempos com mais sossego. Hoje diz que este conceito desapareceu.
Faz a recruta em Tavira, no Algarve. Passa para Vendas Novas e no Lumiar. Com o curso de sargentos milicianos e a recruta feita vem para a Madeira. Sossego à vista. Mas é sol de pouca dura. É mobilizado para ir para o temido ultramar. Acaba por ter sorte já que vai para Moçambique.
Embarca no Infante Dom Henrique em 1967. Encontra a bordo sete colegas que fazem consigo a especialidade na Escola de Administração Militar, no Lumiar.
Segue para o outro lado de África. É colocado em Lourenço Marques no serviço de Administração Militar. Processa os salários para toda a província e faz a comissão liquidatária das companhias que regressam à metrópole. Um serviço onde trabalham 80% civis e 20% militares.
É no serviço que conhece a ex-mulher, com quem casa um ano depois na catedral do país. A família é de Moçambique. Tem um filho que nasce no país.

O regresso

No final do serviço militar é transferido para Nampula, de onde é natural o descendente.
De seguida regressa à Madeira com o filho com tenra idade.
Volta a trabalhar na empresa António Gomes Loja. Haviam deixado a porta aberta.
A ex-mulher começa a sentir saudades de Moçambique. Voltam para África.
Começa a trabalhar para a Sócalçado. É ajudante de guarda-livros, hoje chamado técnico oficial de contas.
A empresa dedica-se à comercialização de sapatos de ténis, pneus para bicicletas e câmaras de ar. Além de fornecer o mercado local também exporta.
Nessa altura, em 1972, trabalha já com computador. A máquina está programada para dizer que, ao segundo engano, é melhor quem o usa mudar de profissão. Mas Correia de Jesus considera que o cérebro humano está acima das novas tecnologias. Assim, apercebe-se que, desde a feitura do erro, à impressão passam-se poucos segundos. Por isso, quando acontece cometer um erro, sem que ninguém ensine, desliga o computador e deixa de haver registo. Tudo está pronto para nova investida sem ouvir reprimendas do PC.

Voltar atrás

Gosta imenso de lá trabalhar. Por vezes sai da empresa quando o sol está a nascer.
Em simultâneo é convidado a colaborar para fazer contabilidade.
Entretanto divorcia-se. Vem para a Madeira com o filho antes da revolução de 1974.
Fala com os pais e vai viver com eles.

Empresário

Volta a trabalhar com o irmão Jorge de Jesus. Embora continue ligado à União Comercial passa a trabalhar no gabinete de contabilidade do irmão. Tem oportunidade para voltar a aprofundar os conhecimentos contabilísticos. Não se cansa de homenagear os préstimos do irmão.
É a altura que completa a sua formação e se inclina difinitivamente como técnico oficial de contas.
Ali fica alguns anos, com o melhor dos relacionamentos. Até que surge um convite para ganhar quatro vezes mais.
Nessa altura, apesar do reconhecimento que tem do irmão por todo o apoio que lhe presta, aceita o novo desafio.
É convidado para ser director de contabilidade da Cienta. A empresa está de rastos. Com três/quatro clientes. Passado um ano já tem 44.
Quando lá chega encontra na empresa como director geral Luigi Valle. Fica por lá um/dois anos.
Na altura a empresa faz a recolha de toda classificação contabilística em mapas. Depois vão a Lisboa. Posteriormente os balancetes vêm prontos da capital. Isto significa que é uma empresa pioneira e que não existem computadores na Madeira.
Ao fim de algum tempo diz a Luigi Valle que está a pensar sair. Para seu espanto, é convidado para entrar na Previsão, que tem como sócios o próprio Luigi Valle, Dionísio Pestana e Francisco Costa.
Está na empresa, constituída em 1981, como sócio- gerente há mais de 21 anos.
Em simultâneo são sócios da Empresa de Processamento de Dados da Madeira, onde o irmão também é sócio. Hoje a empresa praticamente não tem actividade.
A Previsão começa com quatro/cinco pessoas. Hoje tem mais de 30.
Tem mais de 300 clientes e as instalações começam a ser pequenas tal a solicitação de novos clientes.
Desde há alguns anos que está instalada na Avenida Arriaga, uma mudança que se verifica fundamentalmente para dar mais condições.

Capital humano

Correia de Jesus faz sempre da Previsão uma família. Está ciente que a empresa vale pelo capital humano que tem. Alguns colaboradores procuram outros rumos e hoje estão bem colocados noutras empresas. Isso para si significa que a Previsão constitui uma boa escola.
Não trabalha por objectivos porque em cada dia dá o máximo
Chega sempre pelas nove horas e trabalha sempre até fim da tarde. Nessa altura faz um intervalo e volta a trabalhar mais um pouco à noite.
No domínio da formação mantém-se sempre a par do que se passa.
Todos os anos a Previsão faz a própria formação interna com técnicos habalizados.
Presentemente, Correia de Jesus é sócio-gerente das empresas Previsão, E.P.D.M., Correia de Jesus & Vacas, Car - Correia & Avelino Rodrigues e Sigráfica.
Quanto às empresas onde é gerente e/ou administrador são as seguintes: T.P.M. - Tax Planning Management, O.A. - Offshore Accounting e Alpiturismo.
Além destas funções pertence aos órgãos sociais do Banco Madesant, Fundação “Mary Jane Wilson”, Fundação Berardo, Associação de Futebol da Madeira, Conselho de Arbitragem e Associação dos Trabalhadores do Centro Internacional de Negócios da Madeira.
Durante um período é presidente do “Centro dos Antigos Alunos Salesianos” e do “Juventude Atlântico Clube”. Durante vários mandatos.
Em 1965, representa a Madeira no 1.º Congresso Europeu de Antigos Alunos Salesianos, que teve lugar em Turim.
Curiosamente, faz a viagem de Lisboa a Turim num Fiat 600.
É secretário da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior durante vários mandatos.
E, durante algum tempo é sócio-gerente da “Limiar”, uma empresa que se dedica fundamentalmente à selecção e recrutamento de pessoal.
Correia de Jesus há muito que trabalha com computadores mas não privilegia muito a Internet.
Gosta de ler. Está a ler “O Tecido do Outono”, de Antônio Alçada Baptista, “O Gestor é um PSI”, de Erie Albert e Jean Lue Emery e ainda “Inteligência Emocional”, de Daniel Goleman.
Além disso, gosta de andar a pé nas levadas da Madeira, o que o faz aos fins-de-semana.
Mas também gosta de descansar, nadar e ir ao cinema.
O desporto já o praticou há alguns anos. É campeão da Madeira, durante dois anos, como jogador de futebol do C. S. Marítimo. Joga igualmente no Belenenses, em Machico e na Juventude Atlântico Clube.
A juntar ao futebol pratica modalidades como o andebol, o basquetebol, voleibol e o ténis de mesa. 

2002-09-27

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