António Gonçalves


O empresário das peles

António Gonçalves foi um participante activo no 25 de Abril. Esteve em Lisboa ao lado de Salgueiro Maia. Acaba de ser condecorado.
É um empresário de sucesso que trabalha na área das peles, com a empresa Artecouro.


Faz a escolaridade normal. Estuda no seminário, até ao antigo quinto ano, actual nono, porque a vida mundana convida a outro percurso.
Os pais ainda procuram sensibilizá-lo para continuar mais dois anos, e, então, decidir o que fazer. Mas a decisão está tomada.
Depois disso, frequenta a Escola Hoteleira. Faz o primeiro ano de Recepção.
Segue-se um estágio no hotel do Carmo.
Entretanto muda. Trabalha na Estatística. Faz parte de uma equipa que elabora o censo da Madeira.
Em Janeiro de 1972 cumpre o serviço militar. Faz a recruta em Tavira. Três meses depois vai para Santarém. Frequenta o curso de sargentos milicianos na especialidade Reconhecimento Panhard (carros de combate). Fica em terceiro lugar e livre de ir para o ultramar, que já o beneficiava, por já ter um irmão lá fora a combater.
A especialidade de António Gonçalves é de carros de combate. Ali fica até Novembro de 1974. O 25 de Abril faz encurtar a “tropa” três meses.

Participação activa em Abril

Na sua permanência em Santarém participa activamente no golpe militar do 25 de Abril de 1974, ao lado do capitão Salgueiro Maia.
Chefia o parque de blindados. Já a 23 de Abril, altura em que está na Madeira, sabe o que irá suceder em Lisboa, assim que chegue a Santarém.
Por isso mesmo, é condecorado pelo Presidente da República, Jorge Sampaio, em Junho de 2003. Recebe a condecoração “Ordem da Liberdade”.
António Gonçalves diz que constitui uma surpresa e, igualmente, uma alegria. Na prática, é o primeiro militar condecorado da coluna de Salgueiro Maia, que constitui a primeira unidade a marchar sobre Lisboa na noite da revolução de Abril. O próprio capitão esquecido chega a ser condecorado, mas a título póstumo.
António Gonçalves junta esta grande distinção aos louvores que recebe, na altura em que deixa a tropa, do comandante da unidade e da Região.

O Sheraton

Regressa à Madeira. Começa a trabalhar no Sheraton, na caixa de recepção. Chega a chefiar a secção. Ali fica alguns anos.
Mais tarde, ingressa na empresa António Pereira & Filhos, especializada na extracção de areias, que pertence à família da esposa. Mais tarde, deixa esta empresa.

Compra a Artecouro

Em Dezembro de 1986 compra a “Artecouro — Artesanato de Couro, Lda.”, uma empresa fundada em 1973 por Américo Costa, já falecido.
O empresário quer vender a loja e a fábrica, com os artigos todos.
Com dificuldade, faz um plano de pagamentos para adquirir tudo, o que consegue.
Desconhece, por completo, o ramo de negócios em que se mete.
Mas desde a primeira hora que tem a preocupação de evoluir. Vai a feiras, fábricas, para ver como trabalham, e procura saber como se faz.
Hoje continua em actividade com a empresa. Tem duas lojas: uma no Marina Shopping e outra na Rua da Alfândega, a primeira a ser feita.
Chega a ter uma na Zona Velha. Mas acaba por a vender por não se justificar.
Além disso, conta com uma fábrica, situada na Rua Carlos Azevedo Menezes.

Mais madeirenses

Faz produtos próprios em pele e igualmente lança-se na comercialização de outros já feitos no exterior. Alguns dos trabalhos feitos na Artecouro são premiados, como sucede com um porta-garrafas.
Presentemente, conta com 12 colaboradores. Já teve 18.
António Gonçalves diz que o negócio nas lojas está fraco. O mesmo não pode dizer da fábrica, onde faz reparações, inclusivamente de malas de viagem.
Quanto a clientes, actualmente, os maiores são os próprios madeirenses, ao contrário de antigamente, que eram os estrangeiros. Alguns têm a ousadia de querer impor o preço, a exemplo do que é norma num país do norte de África.

Dependência do exterior

António Gonçalves começa a trabalhar bem cedo. Abre primeiro a fábrica, que fica abaixo do Jardim Botânico.
Diz que a maior dificuldade que tem na gestão da Artecouro se re-fere à dependência do exterior em determinados utensílios. Isso obrigou-o já à compra de um vasto “stock” em Espanha, que tem sido muito útil.
Em relação ao abastecimento de pele, começa a ter alguma dificuldade em conseguir fazê-lo na Madeira. A produção de Câmara de Lobos baixa bastante, porventura, devido à idade avançada das duas pessoas que o fazem.
Além disso, diz que estão a “exportar” a pele, logo à saída do matadouro, para o continente, onde é curtida e comercializada.
Por isso, a solução passa pela compra da matéria-prima no continente, perto de Santarém, em Alcanena. Não obstante, o mercado também se ressente com a crise das “vacas loucas”, que obriga à queima das peles, logo, origina menor oferta.

Produção própria

A Artecouro é uma empresa apta a fazer roupas em pele, como casacos, blusões e calças, ao gosto do cliente. Inclusivamente, comercializa peles para móveis e forra os volantes de uma marca de automóveis novos na Região, que comercializa veículos com estofos em pele.
Mesmo assim, os trabalhos que desenvolve com a pele constituem um desafio difícil que o empresário tem conseguido ultrapassar, apesar da falta de pessoas habilitadas para o fazer. Daí que tem de se responsabilizar pela própria formação dos seus quadros.

Actualização contínua

António Gonçalves continua a ir a feiras da especialidade para estar sempre a par do desenvolvimento do sector.

O desporto

Paralelamente à sua actividade comercial, entre 1988 e 1995, é vice-presidente da Associação Desportiva da Camacha, onde consegue e mantém grandes amizades. A Direcção é presidida por Fernando Nóbrega, de quem tem já uma amizade antiga.
Deixa a Camacha.
Em Abril de 1995 entra como primeiro vogal na Direcção da Associação de Futebol da Madeira, um cargo que ainda ocupa.
Além desta componente, António Gonçalves faz parte do Rotary Clube Machico/Santa Cruz.
No domínio dos “hobbies”, gosta de montar a cavalo.
Em relação a novas tecnologias, reconhece as suas potencialidades. Inclusivamente, quer criar uma página na Internet para a Artecouro. Para já, não pensa nas vendas “on-line”.

2003-09-12

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